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Tirania da magreza
Anorexia nervosa, doença antiga
Distinção entre anorexia e bulimia nervosas
Visão típica do sexo feminino
Evolução da doença
Doença rara nos homens
Profissões de risco
Faixa etária e comportamento prevalente
Alimentação dos anoréxicos
Medicação auxiliar
Repercussões orgânicas
Tratamento da bulimia
Ineficiência de métodos preventivos











Táki Cordás é médico psiquiatra e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo.

Faixa etária e comportamento prevalente

Drauzio Em que faixa etária há a prevalência dessa patologia aumenta?
Cordás – A faixa etária da prevalência da anorexia está baixando. Tenho encontrado meninas de 9 ou 10 anos com o problema o que era raro acontecer no passado. Na maioria, porém, os casos de anorexia nervosa despontam na adolescência e os de bulimia, em mulheres entre 20 e 30 anos.

DrauzioDo ponto de vista nutricional, as pessoas vão comendo menos porque perdem o apetite ou sofrem porque sentem fome e não comem?
Cordás – Essa pergunta é interessante porque até a nomenclatura está inadequada à patologia. Na prática médica, anorexia quer dizer falta de apetite. Por isso, anorexia nervosa não é o nome mais indicado. No começo, é um sofrimento. Essas mulheres sentem fome, brigam com ela e tentam envolver-se em inúmeras atividades para se distraírem. Depois de algum tempo, porém, há uma perda significativa do apetite. Mesmo meninas colaboradoras - o que é raro acontecer nesses casos porque pacientes com anorexia, ao contrário do que ocorre em qualquer outro problema, jogam no time da doença - apresentam dificuldade séria para comer. Para convencê-las, usa-se como argumento comparar a comida a um remédio que precisa ser tomado de qualquer jeito. É preciso forçar a ingesta. Nessa fase, não se pode pensar no prazer ligado à alimentação.

DrauzioPor que você diz que elas jogam no time da doença?
Cordás – As anoréxicas parece serem aliadas da doença e não da saúde. O comportamento natural de uma pessoa, que sente dor ou um mal-estar qualquer, é procurar o médico. Na anorexia nervosa, ela faz exatamente o contrário. Em 90% dos casos, chega quase arrastada pelos pais ao consultório, chamando-os de malucos, pois se sente muito bem daquele jeito e seus exames são normais. De fato são mesmo, porque a alteração laboratorial só se manifesta num estado avançado da doença. Então, o médico orienta como deve ser a nutrição da paciente, orienta a terapia familiar e entra com a medicação, mas ela reage negativamente, dizendo que ele está louco e que não vai seguir suas recomendações porque não quer engordar.