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Tirania da magreza
Anorexia nervosa, doença antiga
Distinção entre anorexia e bulimia nervosas
Visão típica do sexo feminino
Evolução da doença
Doença rara nos homens
Profissões de risco
Faixa etária e comportamento prevalente
Alimentação dos anoréxicos
Medicação auxiliar
Repercussões orgânicas
Tratamento da bulimia
Ineficiência de métodos preventivos











Táki Cordás é médico psiquiatra e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo.

Profissões de risco

Drauzio - Que tipo de profissão aumenta o risco de anorexia?
Cordás – As modelos, seguidas das bailarinas, ganham disparado. Uma pesquisa feita na Argentina demonstrou que o índice de bulimia e anorexia nervosas alcançava 50% das profissionais que dançavam no Teatro Colón de Buenos |Aires.
Outro grupo de risco são os jóqueis porque 100 gramas de diferença no peso pode representar um handicap importante numa corrida. Os atletas olímpicos constituem outro grupo. Não será de estranhar se na próxima Olimpíada houver notícias sobre a morte de atletas que tomaram anabolizantes ou emagreceram demais. Correm risco, ainda, as estudantes de medicina, psicologia e nutrição.

DrauzioQuando o controle de peso deixa de ser saudável e passa a funcionar como uma psicopatologia?
Cordás – É muito difícil estabelecer essa linha divisória. Sabe-se que fazer dieta aumenta em 20 vezes o risco de desenvolver anorexia ou bulimia nervosas, mas não se consegue distinguir com precisão a dieta que atende a uma necessidade real de emagrecimento porque a pessoa ganhou peso daquela que indica o início do processo psicopatológico.
Uma série de fatores, no entanto, pode favorecer o aparecimento da doença.
O fato de existirem na mesma família várias mulheres com bulimia, anorexia, depressão ou pais alcoólicos tem voltado o interesse para as explicações que a genética possa oferecer. Estudos de gêmeas com anorexia nervosa ou bulimia apontam para a co-morbidade, ou seja, a associação de determinadas doenças a uma predisposição genética importante nessa área. Outros estudos referem-se à personalidade dessas moças descritas pelas famílias como exemplares: boas filhas, primeiras alunas da classe, passavam o tempo todo mergulhadas nos livros. Esse comportamento de certa forma obsessivo pode ter servido para despistar a atenção dos familiares e ser sintoma inicial da doença.
Em outros casos, pesa o padrão do comportamento familiar. Às vezes, ao atender uma menina anoréxica, percebe-se a obsessão de seus pais pelo peso e imagem corporal. Além disso, o conceito atual de moda exige que as pessoas sejam excessivamente magras.
De qualquer forma, é indiscutível a existência de uma alteração da neuroquímica cerebral, especialmente da serotonina e da noradrenalina nesses casos.