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Tirania da magreza
Anorexia nervosa, doença antiga
Distinção entre anorexia e bulimia nervosas
Visão típica do sexo feminino
Evolução da doença
Doença rara nos homens
Profissões de risco
Faixa etária e comportamento prevalente
Alimentação dos anoréxicos
Medicação auxiliar
Repercussões orgânicas
Tratamento da bulimia
Ineficiência de métodos preventivos











Táki Cordás é médico psiquiatra e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo.

Evolução da doença

DrauzioNormalmente quanto tempo leva um quadro desses para chegar à caquexia, isto é, a esse grau extremo de fraqueza e desnutrição?
Cordás – Às vezes, é muito rápido, tão rápido que as famílias nem percebem o que está acontecendo, uma vez que as filhas costumam disfarçar a magreza exagerada vestindo roupas largas e uma peça sobre a outra. Além disso, passam mais tempo fora de casa e, quando voltam, dão a desculpa de que não querem comer porque já jantaram ou almoçaram em outro lugar. Os familiares, em geral, só descobrem o que está acontecendo meses depois que o problema está instalado porque alguém por acaso surpreende a moça trocando de roupa e vê quão esquelética ela se encontra. Recordo de uma mocinha que foi a um programa de televisão à procura de um médico porque ninguém conseguia diagnosticar seu caso. Levada de ambulância, deu entrada no Hospital Clínicas pesando 19kg. Era uma aula ambulante de anatomia óssea.

Drauzio Quer dizer que a diferença básica entre as anoréxicas e as bulímicas é estado de caquexia a que podem chegar as anoréxicas e que algumas delas podem morrer porque não conseguem voltar a alimentar-se?
Cordás – É verdade. O índice de mortalidade por anorexia nervosa atinge entre 15% e 20% dos casos. Eles estão associados a complicações clínicas ou a suicídios, pois a depressão é um distúrbio grave que pode manifestar-se no transcorrer dessa doença.

Drauzio Esses quadros podem vir associados a outros quadros psiquiátricos como a cleptomania, por exemplo?
Cordás - Exato. Sempre brinco com os residentes ou estagiários que para tratar de pessoas com distúrbio alimentar é preciso conhecer a psiquiatria inteira porque é freqüente a associação dessa patologia à depressão, síndrome do pânico, comportamentos obsessivo-compulsivos, cleptomania, automutilação, promiscuidade sexual, alcoolismo e abuso de drogas. É raro encontrar um quadro isolado e todos as manifestações da doença precisam ser tratadas. Há uma foto da princesa da Suécia que andou circulando na imprensa e causou reboliço por causa de seu estado de magreza.

DrauzioÉ interessante imaginar que pessoas tão magras como essas possam ter-se sentido gordas diante do espelho.
Cordás – Existe um subtipo de anorexia nervosa chamado anorexia purgativa. A pessoa está muito abaixo do peso, mas ainda provoca vômitos.