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Tirania da magreza
Anorexia nervosa, doença antiga
Distinção entre anorexia e bulimia nervosas
Visão típica do sexo feminino
Evolução da doença
Doença rara nos homens
Profissões de risco
Faixa etária e comportamento prevalente
Alimentação dos anoréxicos
Medicação auxiliar
Repercussões orgânicas
Tratamento da bulimia
Ineficiência de métodos preventivos











Táki Cordás é médico psiquiatra e professor de Psiquiatria na Universidade de São Paulo.

Anorexia nervosa, doença antiga

DrauzioEstamos vivendo uma epidemia de anorexia nervosa ou esses casos sempre existiram, mas não eram diagnosticados?
T. Cordás – É muito antigo o registro de histórias de pessoas com bulimia e anorexia nervosas. Sabe-se que, desde a Antiguidade, algumas faziam jejum ou vomitavam várias vezes por dia para emagrecer ou manter o peso que julgavam ideal. Na Idade Média, santas e beatas da Igreja Católica tinham um padrão de conduta bastante semelhante ao das anoréxicas de hoje. Mudavam apenas os fatores desencadeantes do processo. São clássicos os casos de Santa Catarina de Sena ou de Santa Maria Madalena que faziam jejum, vomitavam e usavam ervas purgantes. Tratava-se de um jejum beatífico que tinha como propósito maior aproximação com Deus.
Não resta dúvida de que essa tendência assumiu características assustadoras de 1950/1960 para cá. A pressão pela magreza absoluta aumentou o número de portadores dessas patologias. Cada vez mais gente, que não apresenta motivo algum para fazer dieta, restringe a alimentação de forma drástica. No Brasil, a situação agrava-se porque, infelizmente, é fácil obter moderadores de apetite ou hormônios tiroidianos.