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Dr. Nilson Roberto de Melo é médico e chefia o Serviço de Planejamento Familiar do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Preservativo masculino

Drauzio Quando surgiu o preservativo masculino moderno?
Nilson Melo – A camisinha moderna surgiu por volta da década de 1960, graças ao advento da vulcanização da borracha. No início, sua espessura era maior. Hoje, elas são feitas com látex muito fino e com ranhuras para reduzir o menos possível na sensibilidade. Além disso, surgiram preservativos com o que chamamos de reservatório. Em vez de um fundo cego, eles possuem na extremidade uma saculação que diminui a possibilidade de rompimento e serve de depósito quando ocorre a ejaculação.
As camisinhas que não têm essa característica requerem alguns cuidados na colocação. Com o pênis ereto, o homem deve segurar a extremidade do preservativo com uma das mãos para depois desenrolá-lo normalmente. Assim, ele ficará sem ar e com espaço para o esperma , o que evita o rompimento ou que o líquido extravase.
Na verdade, o preservativo masculino é um método contraceptivo excelente, desde que usado da maneira correta. Lamentavelmente, muitos homens o colocam de forma incorreta e utilizam, como lubrificante, a vaselina. Lubrificantes minerais ou petrolados aumentam o risco de rompimento. Por isso, são contra-indicados.

Drauzio Há dez, vinte anos, os homens eram avessos ao uso da camisinha. Antes da epidemia das Aids, era raro alguém usar preservativo. Você acha que isso mudou?
Nilson Melo – Sou de uma cidade pequena, Martinópolis, no interior de São Paulo. Nos anos 1960, 1970, quando os adolescentes iam à farmácia comprar um preservativo pediam uma roupinha de criança, porque a palavra camisinha era cercada de tabus.
Hoje, as pessoas encaram com naturalidade o uso do preservativo e não se acanham diante de uma situação como essa. As campanhas realizadas para divulgar a necessidade e as vantagens da camisinha, principalmente no período de carnaval, foram muito importantes para a mudança de atitude das pessoas em geral.

Drauzio Infelizmente, temos uma política muito tímida para popularizar o uso da camisinha…
Nilson Melo – Acho que as campanhas não deveriam restringir-se ao período de carnaval. Deveriam ser diárias. Como o planejamento familiar é um direito previsto na Constituição Federal, o preservativo atende a um duplo objetivo: além de evitar a gravidez, evita as doenças sexualmente transmissíveis e a Aids.
Um segundo ponto a considerar é que, no Brasil, a obtenção da camisinha deveria ser facilitada como o é no Japão, Estados Unidos e em outros países desenvolvidos, onde basta colocar uma moeda nas máquinas instaladas em locais públicos para conseguir uma exemplar.