AIDS: Os efeitos do tratamento

Quando foi identificado no início dos anos 1980, o vírus da AIDS pegou a ciência totalmente desprevenida. Ninguém imaginava que, nas duas últimas décadas do século XX, pudesse surgir uma doença para a qual não existisse, pelo menos, um recurso terapêutico que controlasse sua evolução. Diante de pacientes com o sistema imunológico depauperado, que não reagiam à instalação de microorganismos oportunistas e desenvolviam formas agressivas de câncer, os pesquisadores concentraram os esforços à procura de um caminho que ajudasse a conter a multiplicação do vírus HIV e sua ação devastadora sobre as células de defesa do organismo.
Ao redor de 1986, 1987, apareceu o AZT, a primeira droga que demonstrou alguma eficácia no tratamento da AIDS. Depois surgiram outras, como o DDI e o d4T, todas prescritas isoladamente sob a forma de monoterapia, mas com impacto muito discreto na evolução da doença.
A verdadeira revolução no tratamento da AIDS ocorreu em meados da década de 1990 com a possibilidade de associar as drogas que passaram a compor o coquetel anti-aids e inibiam as enzimas necessárias para a reprodução do vírus. Desde então, AIDS deixou de ser doença fatal para ser considerada uma doença crônica, como diabetes e hipertensão, por exemplo, e a perspectiva de vida desses pacientes aumentou radicalmente.