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| A abertura do presídio para visitas de
familiares foi um ato da direção da Casa que visava à
diminuição dos índices de violência dentro
da Detenção, objetivo que parece ter sido alcançado.
Poder rever os pais, irmãos, filhos e se encontrar a sós
com a mulher amada todos os fins de semana, de alguma forma, amenizava
as tensões vividas dentro da cadeia. Toda a rotina da Detenção
mudava ao se aproximar o dia de visita. Faxina pesada em todos os pavilhões
e nenhuma confusão para não afugentar os visitantes. Nesta
entrevista, um funcionário descreve a maneira como o trabalho
dos funcionários era organizado aos domingos para controlar o
acesso à parte interna do Carandiru. Drauzio – Como são os dias de visita, quando chegam a entrar na Detenção cerca de 2500 pessoas? Funcionário – Quando está chovendo vem pouca gente. Quando o tempo está bonito vem mais gente. E quando é festa (dia das mães, Páscoa, etc.), aí vem bastante gente. Drauzio – A que horas as pessoas começam a entrar? Funcionário – Às 7 horas. Drauzio – E todos são revistados? Funcionário – As mulheres mais minuciosamente; com os homens, é mais superficial. Drauzio – Por que a diferença? Funcionário – Porque quem traz a maior parte das drogas são as mulheres. Drauzio – Como elas fazem normalmente? Funcionário - Os pacotes também são todos revistados. O problema da cadeia é que tem muitos funcionários... a gente tem que saber em quem pode confiar. Em quase todo fim de semana entra bebida alcoólica e droga. Tem sempre algum funcionário que deixa passar, entendeu? É sempre alguma coisa articulada. O funcionário vai trabalhar na portaria, em um determinado guichê e deixa de revistar a pessoa que traz a “sacolada”. As mulheres trazem de tudo. Por exemplo, hoje não foi droga, foi dinheiro. A mulher tinha um maço de cigarros, só que em vez de tabaco, o que tinha dentro era um monte de notas de 50 reais. Drauzio – Como é que vocês
desconfiam de alguém?
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