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| João era assaltante e matador de policiais.
Na cadeia, existe uma tatuagem específica para a segunda categoria:
um punhal cravado em um crânio, geralmente feitos com traços
muito rudimentares. A ânsia por fama entre a malandragem pode,
entretanto, causar sérios problemas ao ladrão que a possui
quando o mesmo se depara com a policia. Drauzio – Quantos anos você tem João? João – 31 anos. Drauzio – É a primeira vez que vem preso? João – Segunda. Drauzio – Na primeira vez você ficou quanto tempo? João – 8 anos e 8 meses. Drauzio – O que foi? João – Assalto. Drauzio – Na primeira vez, quantos assaltos você teve? João – Só um e agora esse que eu me encontro detido. Dois, né? Drauzio –E agora, quanto tempo você pegou? João – 38 anos. Foi um assalto seguido de morte. Para salvar minha vida eu fui obrigado a matar um policial. Drauzio – Mas como você entrou na vida do crime? João – Eu morava em Belo Horizonte. Resolvi vir sozinho pra São Paulo. Fiquei morando na casa de uns amigos na Bela Vista. Aí, me chamaram pra fazer um assalto num prédio, num flat. Esse foi o primeiro que eu fiz. Fui bem sucedido, mas acabei preso depois. Passei 4 anos no Pavilhão 9 por causa disso. Drauzio – Como foi esse assalto? João – Disseram que o síndico do prédio tinha um Rolex. Nós resolvemos “fazer” o prédio inteiro para averiguar. Só tinha gringo clandestino. Consegui sair, mas fui preso 6 dias depois. Drauzio – E o que fizeram com você? João – Quando descobriram que eu estava envolvido na morte de um policial, apanhei muito. Choque, paulada. Porque, quando descobrem alguém que matou um policial, todo mundo quer tirar uma casquinha. Drauzio – Desses 31 anos que você tem, João, quantos foram passados na cadeia? João – Dez anos. Desde os 21, só passei 11 meses em liberdade.
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