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A vacina da gripe
Os sintomas da gripe são comuns a muitas doenças.
Dores musculares, coriza, tosse, congestão nasal, dor de garganta
e febre constituem um cortejo de manifestações presentes
em diversas infecções virais ou bacterianas. Dessa semelhança
vem a confusão existente entre gripe e resfriado. Basta o nariz
escorrer, a garganta queimar à deglutição e os
músculos ficarem cansados para acharmos que estamos gripados.
Na prática, costumo me orientar para estabelecer a diferença
entre as duas viroses com a pergunta: Você conseguiu ir para o
trabalho apesar da falta de disposição ou foi obrigado
a ficar em casa? Se a pessoa que se diz gripada agüentou até
o final do expediente, o diagnóstico mais provável é
de resfriado. A gripe causa tanta astenia e cansaço muscular
que não há cristão capaz de resistir em pé.
Crianças, adultos jovens e as pessoas mais velhas são
mais suscetíveis à infecção pelo vírus
da gripe. Enquanto nos países temperados as epidemias se propagam
principalmente no inverno, nas áreas tropicais os casos tendem
a dispersar-se pelas quatro estações do ano.
Imunidade transitória - Não conseguimos
desenvolver imunidade duradoura contra a gripe porque a cada nova temporada
o vírus que emerge é geneticamente diferente do anterior.
Por essa razão, a preparação de uma vacina antigripal
precisa ser reformulada anualmente, a partir das características
dos vírus que estão circulando no mundo todo naquele momento.
A Organização Mundial de Saúde desenvolve estudos
de supervisão internacional para detectar e caracterizar os vírus
responsáveis pelas diferentes epidemias de gripe. Esse trabalho
tem permitido reformular rapidamente as preparações vacinais
para adaptá-las às novas variedades de vírus presentes
em cada surto.
Vacina com vírus atenuados - É a vacina
mais empregada. É preparada semeando-se as partículas
virais em ovos de galinha fecundados, posteriormente expostos ao formol
para inativá-las e impedir a transmissão acidental da
doença. Em adultos, saudáveis, a vacinação
previne de 70% a 90% dos casos de gripe.
Faixas etárias mais vulneráveis - Um
fator de grande importância na disseminação das
epidemias de gripe na comunidade é a alta incidência da
doença em crianças. Adultos jovens apresentam quadros
gripais com o dobro da freqüência das pessoas acima de sessenta
anos, mas nestes as complicações são mais comuns.
Está provado que nos mais velhos a vacina contra a gripe reduz
significativamente o número de complicações pulmonares,
hospitalizações e mortes. O custo-benefício da
vacinação anual das populações com mais
de sessenta anos tem sido demonstrado em diversos estudos epidemiológicos.
Considera-se que ele é tão mais evidente quanto mais agressiva
for a epidemia.
A vacina deve ser administrada antes do início do inverno, estação
em que costuma ocorrer aumento do número de casos. Em países
mais quentes como o nosso, no entanto, não são raros surtos
de epidemia em outras épocas do ano.
Adequação da dosagem - As doses empregadas dependem
da idade do paciente. Geralmente empregam-se doses únicas, mas
duas doses administradas com um mês de intervalo entre uma e outra,
podem estar indicadas em crianças pequenas que ainda não
foram expostas ao vírus. Nas grandes epidemias, entretanto, dose
dupla pode estar indicada para toda a população. Como
a duração da proteção integral é
relativamente curta, o ideal é que a vacinação
seja feita o mais próximo possível do surgimento dos primeiros
casos da temporada.
Efeito colateral - O único efeito colateral
relevante atribuído à administração da vacina
é a ocorrência de reação inflamatória
de fraca intensidade no local da aplicação. A febre que
às vezes surgia com as vacinas antigas pode ser atribuída
à presença de impurezas, que não são mais
encontradas nas preparações atuais. Em 1976, a vacina
contra a gripe foi associada a um aparente aumento de um quadro neurológico
conhecido como síndrome de Guillain-Barret (talvez um caso para
cada 100 mil pessoas vacinadas).
Vacinas com vírus vivo atenuado - Preparações
desse tipo têm sido usadas na forma de spray nasal na Rússia
e países vizinhos, com a finalidade específica de prevenir
a doença em crianças, e para explorar a vantagem de disseminar
essa forma atenuada do vírus vivo para os contactuantes, e assim
vaciná-los de forma indireta.
Estudos conduzidos nos Estados Unidos com esse tipo de vacina demonstraram
a alta eficácia dessas preparações com vírus
vivos na prevenção de quadros gripais em crianças
e de sua complicação mais freqüente: as otites.
Benefícios da vacinação - Embora
nem sempre seja fácil demonstrar os benefícios econômicos
da vacina quando administrada para grande número de indivíduos
numa comunidade, a vacinação contra a gripe sempre traz
benefícios individuais para a saúde. Vale à pena
tomar a vacina assim que começarem a surgir os primeiros casos
de gripe na vizinhança.
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