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Memória
Sobre a memória
Auto-apresentação
Ivan Izquierdo – Meu nome é Ivan Izquierdo, com “z”. Nasci em Buenos Aires (Argentina) e naturalizei-me brasileiro há mais de 20 anos. Sou cidadão emérito de Porto Alegre, título de que gosto muito. Atualmente, trabalho como professor colaborador convidado do Departamento de Bioquímica da PUC/RS.
Drauzio – Há quanto tempo o senhor trabalha com memória?
Ivan Izquierdo – Trabalho com memória há mais ou menos 35, 40 anos. No início, dedicava parte do tempo aos estudos com a memória e a outra parte, aos estudos com a epilepsia. Chegou um momento, porém, em que se tornou impossível trabalhar com os dois temas e optei pela memória.
Definição e tipos
Drauzio – Como o senhor define memória?
Ivan Izquierdo – Memória é a aquisição, a conservação e a evocação de informações, que podem ser de qualquer tipo. A memória pode ser interna, oriunda de pensamentos e de estímulos que o organismo pode gerar, ou vir de fora dele, dos estímulos que chegam pelos sentidos.
Como se vê, existem muitas formas de memória, por exemplo, a memória declarativa, isto é, aquela de que se pode declarar a existência. Numa aula de inglês, a língua inglesa faz parte desse tipo de memória, que é diferente da memória episódica – a aula, e da memória semântica – a língua em si mesma.
Basicamente, a memória declarativa se forma numa estrutura do lobo temporal, o hipocampo. Embora outras estruturas cerebrais estejam envolvidas no processo de converter a informação em memória, a declarativa se forma e se evoca inicialmente por essa via.
Drauzio – A que tipo de memória estou recorrendo quando me lembro do dia em que nasceu meu filho?
Ivan Izquierdo – Quando se lembra do momento em que ele nasceu, você está se valendo da memória episódica, declarativa episódica.
Drauzio – Que outros tipos de memória existem?
Ivan Izquierdo – Existem memórias chamadas de hábitos ou memórias de procedimentos, como bater num teclado, escrever à máquina, andar de bicicleta, nadar. Quanto ao conteúdo, é difícil dizer no que consistem. Só se pode demonstrar. Para indicar que sei nadar, preciso cair n’água e mostrar o que estou fazendo. Explicar o movimento é inútil.
Outro tipo é a memória de trabalho, ou memória operacional, que dura segundos e é parecida com a memória do computador. É a memória on-line, por exemplo, da terceira palavra da frase anterior, que permanece apenas o suficiente para dar sentido à frase seguinte e logo desaparece. Essa é processada sobretudo no córtex pré-frontal. É ele que decide o que deve ser guardado ou não, isto é, o que é importante guardar porque poderá ser útil para tomar uma decisão rápida, do que pode ser descartado porque não vai servir mais.
Drauzio – Pode-se dizer que o cérebro não perde tempo com esse tipo de memória...
Ivan Izquierdo – Não perde. Por isso, retemos um número de telefone o tempo suficiente para fazer a chamada. Quando deixa de ser necessário, se perde para sempre.
Drauzio – O que diferencia um número que esquecemos imediatamente de outro que gravamos?
Ivan Izquierdo – Isso faz parte das funções do córtex pré-frontal. Decidem por nós, ou decidem dentro de nós, o que vamos apagar ou conservar. De forma consciente, movidos pela vontade, não podemos tomar essa deliberação, mas podemos instruí-lo deixando claro que deixe passar a informação que nos interessa a fim de que seja gravada no hipocampo.
Por exemplo: se vou receber dinheiro no guichê do banco, preciso saber o que estou fazendo naquele momento. Um minuto depois, não mais. Do mesmo modo, é importante saber em que bolso será colocado o dinheiro para evitar que o roubem, mas não é importante saber quantas cédulas me deram.
Algumas coisas, portanto, podemos decidir como gravar. Outras, o cérebro decide por nós. Por isso, a informação referente a perigos e ameaças o cérebro imediatamente a reconhece e guarda muito bem. Tê-la sempre à disposição atrapalharia a vida. Assim, reprimimos esse tipo de memória e a usamos quando necessário. Todos saberemos como agir se de repente um tigre surgir na nossa frente. Como é quase impossível que ele apareça neste momento em que estamos conversando, essa memória é reprimida.
Drauzio – Nesse contexto, o que significa “reprimir uma memória”?
Ivan Izquierdo - Talvez tenha sido somente com Freud que, a partir de 1930, repressão passou a significar algo que de fato aconteceu e a que não se deu a devida importância. Um trabalho publicado não faz muito tempo, na revista Science, mostrou como funciona o mecanismo da repressão. As imagens deixaram evidente que, quando uma palavra reprime a memória de outra palavra, ilumina-se o córtex pré-frontal e inibe-se o hipocampo que deveria evocá-la. Não havendo repressão, é o hipocampo que se ilumina.
Memória, esquecimento e repressão
Drauzio – O senhor poderia explicar a diferença entre memória, esquecimento e repressão.
Ivan Izquierdo - Há três formas de perder a memória. A pior das três é o esquecimento que consiste na atrofia funcional, às vezes morfológica, de sinapses por falta de uso ou pela passagem do tempo. Perdemos neurônios, perdemos sinapses, e com eles se vão as memórias que continham.
A outra forma é a extinção que, apesar do nome, não significa mais do que uma memória que foi posta de lado, porque o estímulo que a produzia deixou de existir. Retomemos o exemplo do banco. Se todos os dias vou ao banco sacar dinheiro, associo o guichê ao recebimento do dinheiro. Se o guichê permanecer fechado por vários dias, extingo a resposta anterior e passo a associá-lo à falta de dinheiro.
Por fim, existe a repressão que, de forma geralmente voluntária, permite não lembrar de desgraças, de coisas que nos fazem mal, embora a memória desses fatos esteja guardada. Um velório pode nos trazer a lembrança de outro pelo qual passamos, embora não estejamos pensando nele a todo momento.
Drauzio – Como explicar a memória dos acontecimentos que procuramos não lembrar e que volta involuntariamente?
Ivan Izquierdo – Essa memória ficou guardada em algum lugar do cérebro e talvez, por um estímulo parecido com o que lhe deu origem ou uma associação de idéias qualquer, seja recuperada novamente.
Norberto Bobbio, grande pensador italiano, disse que “somos aquilo nos lembramos”. Cada um de nós possui um acervo que nos é próprio. Não é só o aspecto físico que nos faz diferentes, mas o conteúdo dos nossos cérebros. Não sou você, porque não tenho sua memória.
Segundo Bobbio “somos o que nos lembramos”, e eu costumo acrescentar: ”somos também o que escolhemos esquecer”, o que queremos ou conseguimos esquecer, que nem sempre é a mesma coisa. Especificamente neste momento em que estou usando a língua portuguesa, escolhi esquecer o espanhol para não misturar as duas, que são parecidas.
Drauzio – Não fosse assim, nosso cérebro ficaria atolado...
Ivan Izquierdo – Sim, ficaria atolado. Os mecanismos da memória rapidamente se saturam, porque dependem de processos químicos que são limitados. Utilizamos 50, 60 enzimas numa área do lobo temporal para fazer uma memória. Como existe uma quantidade limitada de enzimas e ninguém as está produzindo constantemente para atender a demanda, usam-se as que temos para fazer outra memória, ou seja, a mesma enzima ou outra que foi reconstituída.
Antes, se pensava que não era assim, pensava-se que utilizávamos apenas uma pequena parte do nosso cérebro. Não é verdade. No que se refere à memória, usamos quase tudo o que temos instalado em determinado momento. Quase tudo!
Drauzio – As pessoas têm a falsa idéia de que a memória é uma espécie de arquivo estático em que colocamos as informações que depois são retiradas dali conforme a necessidade. O fato é que a memória envolve um mundo de reações químicas complexas.
Ivan Izquierdo – A memória é muito dinâmica. É extraordinariamente suscetível às vias nervosas que são reguladas pelas emoções e sentimentos e usam neurotransmissores, como a noradrenalina e a dopamina, entre outros.
Drauzio – Isso explica por que as memórias carregadas de emoção são mais marcantes.
Ivan Izquierdo – É verdade. Todo mundo se lembra do que estava fazendo quando morreu Ayrton Senna. Não há como esquecer, mas provavelmente ninguém se lembra do que fazia três horas antes.
Drauzio – A emoção parece ferro em brasa que deixa marcas.
Ivan Izquierdo – Marca e acrescenta. A emoção é acompanhada pela descarga de dopamina e de noradrenalina em certos lugares do cérebro que se incorporam na memória. Então, toda a vez que, por algum motivo, essas substâncias forem liberadas e se mantiverem no cérebro, a tendência é lembrar de coisas que apreendemos sob a influência delas.
Formação de memórias e linguagem
Drauzio – Como funcionam essas associações? Escuto uma música, lembro de uma pessoa querida; sinto um cheiro, lembro de uma festa a que fui quando era adolescente.
Ivan Izquierdo – Esse cheiro, essa música fizeram parte da formação de uma memória em algum momento. Eu, por exemplo, associo certa música à esposa de um amigo de meu pai que faleceu quando eu tinha dois anos de idade. Lembro do seu rosto, do seu jeito sempre que ouço a música de que ela gostava, mas não me lembro de mais nada que aconteceu comigo quando tinha essa idade.
Drauzio – Quando as memórias começam a formar-se?
Ivan Izquierdo – Desde a vida intra-uterina. É na vida intra-uterina que aprendemos nada menos do que o sotaque materno. Por isso, falamos língua materna e não, língua paterna. O sotaque que tenho hoje é fruto da voz de minha mãe, que era croata e foi educada na Argentina.
É importante destacar que os humanos passam a depender da linguagem, não quando começam a falar palavras soltas – papá, mamã, água -, mas a partir do momento em que organizam frases - “Quero minha mãe”, “Agora, vou pegar mais açúcar”. Ou seja, uma vez dominada a organização da sintaxe, eles passam a traduzir tudo o que acontece em palavras textuais.
Entretanto, o que foi aprendido intra-útero, não temos como traduzir. É como se tivéssemos aprendido chinês e não soubéssemos nada dessa língua agora. Fenômeno parecido ocorre com a memória da infância pré-linguagem e, provavelmente, com a memória dos animais.
Drauzio – O senhor diz que, durante a vida intra-útero e na infância pré-linguagem, alguns acontecimentos ficaram na nossa memória, embora não sejamos capazes de traduzi-los em outros sistemas. Com que idade começamos a nos lembrar do que aconteceu?
Ivan Izquierdo – A maioria não lembra nada do que aconteceu antes dos cinco anos. Alguns podem lembrar de algum fato ocasional, como me lembro da mulher que morreu quando eu tinha dois anos. Além disso, vagamente me lembro de que caminhei debaixo de uma mesa da casa de meus pais sem bater a cabeça e de mais nada mais antes dos quatro, cinco anos.
Drauzio – O senhor acha que só nos lembramos de fatos ocorridos depois que adquirimos linguagem?
Ivan Izquierdo – Só nos lembramos do que podemos declarar e evocar claramente, apesar de antes termos aprendido muitas coisas que não podemos explicar. E, não são só memórias de hábitos, senão também memórias declarativas.
Por exemplo, como aprendi a gostar de carne, não sei. Não disponho de parâmetros para localizar exatamente quando e como foi, mas, com certeza, aconteceu em algum momento entre os dois e os cinco anos de idade. Nessa fase também aprendemos a falar, a caminhar, às vezes a nadar, e disso tudo nos lembramos de maneira tão automática que nem sequer chamamos de memória, mas é memória, a memória mais distante da nossa vida.
Ainda muito pequenos, aprendemos a amar e a ter medo. Mais tarde um pouco, aprendemos que amamos algumas pessoas mais do que outras, que certas coisas são mais importantes para nós do que outras e há, ainda, as que são indiferentes e as que não são desejadas.
Drauzio – Qualquer criança é capaz de aprender a língua da cultura em que nasceu. Ela já vem com um sistema de memórias pré-programado?
Ivan Izquierdo – Não, esse sistema é instalado mais tarde. Uma criança nascida no Japão e levada com poucos meses para a Suécia será criada como sueca. Foi o que aconteceu com os imigrantes que vieram muito pequenos para o Brasil e, hoje, são brasileiros típicos. Nasceram com um sistema preparado para aprender uma língua e fizeram uso dele para aprender aquela que vão praticar mais.
Memória nas espécies
Drauzio – A memória não é exclusiva da espécie humana. Em que medida também os animais possuem memória?
Ivan Izquierdo – Alguns estudos em animais indicam que os protozoários conseguem lembrar de várias coisas. Trata-se, provavelmente, de um processo celular pelo qual toda a célula mais ou menos excitável pode estabelecer algumas memórias e depois evocá-las, uma vez que essa é a única forma de saber que foram conservadas.
Drauzio – Mosquitos também têm memória?
Ivan Izquierdo – Todos os insetos têm memória multiplural. O mecanismo da memória das abelhas, por sinal, em muitos aspectos se parece com o da memória dos mamíferos. No que se refere à memória, o interessante é que homens, camundongos e ratos têm estruturas cerebrais e genoma muito parecido. Os núcleos que usamos para formar uma memória declarativa, de procedimento e de trabalho são os mesmos usados pelos camundongos e pelos ratos – animais de preferência para as pesquisas.
Exceção feita à memória verbal, é possível estudar o mecanismo básico da memória de curta e de longa duração em ratos de laboratório e inferir mecanismos relativos aos homens. Isso acontece por várias razões. Muitos estudos envolvem a análise de regiões cerebrais isoladas, que precisam ser extraídas, ou a implantação de cânulas, experimentos que não podem ser realizados em humanos.
Drauzio – A linguagem, portanto, não é necessária para a formação de memórias. Não preciso da linguagem enquanto lavo as mãos antes do almoço.
Ivan Izquierdo – Surdo-mudo tem memória excelente, mas de um tipo que não envolve linguagem, pelo menos no sentido verbal, pois envolve outro tipo de linguagem.
Drauzio – A tendência de achar a espécie humana privilegiada não tem muito fundamento. Não somos mais fortes que o elefante, nem temos melhor olfato que o camundongo, nem enxergamos melhor do que os urubus. No entanto, temos uma memória muito superior à de todas as outras espécies.
Ivan Izquierdo – Somos um tanto medíocres em todos esses quesitos. No entanto, somando nossas mediocridades, somos de todos os mais desenvolvidos. Por exemplo, somos o único animal predador capaz de ganhar do leão, o que fazemos de forma questionável, utilizando armas. A diferença é que sabemos utilizá-las e o leão não sabe. Por isso, caçamos os leões e eles não nos caçam, a não ser que nos peguem desprevenidos. Essa superioridade provém de os humanos terem inteligência e cérebro mais desenvolvidos e terem memória mais capaz, mais seletiva.
Drauzio – Provém de um cérebro com maior capacidade de planejamento...
Ivan Izquierdo – Exatamente. O que nos diferencia dos animais que estão mais perto de nós na escala evolutiva, mas que ainda não falam, como os primatas, é basicamente a linguagem e, talvez por isso, a capacidade de formar memórias mais complexas.
Drauzio – Só nós somos capazes de decorar poesias...
Ivan Izquierdo – Só nós somos capazes de escrever, habilidade que requer, além de uma memória fantástica, uma série de outras capacidades que, em menor ou maior grau, também dependem da memória. Nós fazemos poesias...
Drauzio – Os chimpanzés, que estão muito próximo de nós na escala evolutiva, não escrevem poesias, porque não possuem linguagem?
Ivan izquierdo – Em parte, sim, porque não têm linguagem, embora muitos animais sejam capazes de repetir, ou de imitar a voz humana. Eu tinha um pastor alemão, que se sentava perto de minha mulher e imitava-a quando ela estava falando. Imitava também as vozes das cantoras de rádio. Por exemplo, quando eu colocava um disco de Whitney Houston, ele gania, tentando imitá-la.
Portanto, é provável que bem treinado, mais do que imitar, o cachorro possa reproduzir até uma forma mais ou menos primitiva de linguagem. Os papagaios fazem isso muito bem. Agora, criar literatura não conseguirão nunca; não têm como. Essa é uma atividade basicamente humana.
Perda de neurônios
Drauzio – Trabalhos modernos questionam a perda de neurônios com a idade, um dos dogmas estabelecidos nos anos 1950, época em que ninguém se preocupava com a mensuração tridimensional do número de neurônios. O senhor acha que a perda da memória com a idade é realmente uma perda ou o resultado da quantidade de informações muito maior que vamos acumulando ao longo da vida?
Ivan Izquierdo – Um pouco pelos dois motivos. A maior perda neuronal de toda a vida ocorre entre os nove e os doze meses de idade, ou seja, quando passamos de quadrúpedes a bípedes. Nosso cérebro estava equipado com grande reserva de neurônios para que encontrássemos uma forma de ver o céu sem ser um animal que se locomove rente ao chão. De repente, começamos a caminhar e perdemos enorme quantidade de neurônios em todas as áreas corticais, na área motora e na visual.
Em nenhuma outra idade morrem tantos neurônios quanto entre os nove e os doze meses de idade. Se contarmos os núcleos dos neurônios, veremos que a queda é exponencial nesse período e, a partir daí até o fim da vida, é pequena. Mas perdemos, sim, neurônios. No entanto, não em todos, mais em alguns do que em outros centros cerebrais. Por outro lado, os neurônios são capazes de reproduzir-se. O hipocampo é uma das áreas do cérebro em que essa multiplicação ocorre.
Na realidade, essa multiplicação neuronal existe em pequeníssimo grau e é insuficiente para repor os neurônios que se perdem, para repor parte de sua função, pelo menos. No entanto, se as ramificações dos neurônios que crescem a cada instante (na verdade, crescem ou diminuem), ou seja, se o movimento dos dendritos que estão em contato com os outros neurônios podem sofrer deformações ao longo da vida, podem também estabelecer novas conexões que tornam o sistema mais versátil.
Pode ser que uma pessoa de idade possua menos neurônios no hipocampo se comparada com um jovem de 20 anos. Certamente, porém, ela terá mais conexões e os neurônios vizinhos preencherão o vácuo deixado por aqueles que se perderam. Isso se chama de plasticidade neuronal e é a grande característica dos neurônios que, para fazer memórias, se valem dessa função plástica por excelência.
Drauzio – Por isso, a aprendizagem de um conhecimento novo muda a conformação das redes.
Ivan Izquierdo – Muda a morfologia das sinapses. O mecanismo desse fenômeno só está sendo estudado agora.
Drauzio – É inevitável que a pessoa vá perdendo a memória à medida que envelhece?
Ivan Izquierdo – É inevitável em parte pela perda neuronal. Estamos continuamente perdendo neurônios. No entanto, isso tem seu lado positivo. Se, de um lado, cancelamos por completo a memória daquilo que reprimimos porque não nos interessa, por outro, ela se torna muitíssimo mais seletiva com o passar da idade.
Experimentos em animais mostraram que a memória nunca usada desaparece, pois está ocupando o lugar de sinapses que poderiam ser empregadas para outros fins. Além disso, o fato de as sinapses estarem continuamente se ramificando faz com que sejamos capazes de lembrar certas coisas em detrimento de outras, criando a possibilidade de aumentarmos a complexidade das memórias.
Por exemplo, Verdi e Jorge Luis Borges mudaram a forma de entender música e poesia depois dos oitenta anos de idade. Mudaram, fizeram-nas mais complexas e as tornaram mais ricas, porque utilizaram a experiência anterior para não incorrer nos mesmos erros. Há um solo em que Otelo canta basicamente a mesma nota por um longo trecho. Entretanto, no acompanhamento, uma variação sutil dessa nota transmite a sensação perfeita do que Otelo pensa naquele exato momento.
Borges reconstruía o texto usando palavras simples do castelhano e valendo-se de um significado meio oculto vinculado ao som das palavras para explicá-las. Assim, utilizando talvez menos circuitos ou outros circuitos que possuíam, esses homens de mais idade produziram suas melhores obras.
Drauzio – Isso não fala um pouco contra a perda de neurônios, porque se ela explica as perdas de memória e as demências, não explica casos como esses em pessoas de muita idade?
Ivan Izquierdo – É importante entender que algumas doenças são próprias da idade. Assim como as crianças têm sarampo, catapora, a pessoa de idade tem doença de Alzheimer, doença de Parkinson e outras doenças degenerativas. Pode ser assustador, mas alguns estudos indicam que, acima dos 80 anos, 25% das pessoas têm Alzheimer e outros concluem que esse número chega aos 40%. Entretanto, mesmo aceitando o índice de 40%, a verdade é que 60% não têm a doença e grande parte chega aos 85 anos muito bem, inclusive da cabeça. São idosos que sabem sair de casa e olhar para os dois lados antes de atravessar a rua.
E não é só. Mesmo os portadores de Alzheimer têm lampejos de memória. Conheci um argentino e um americano com Alzheimer em estágio avançado. Eu freqüentava a casa de um deles e via os discípulos virem conversar com essa pessoa que tinha 90 e tantos anos. Perguntei-lhes, então, se ele falava muita besteira. “Sim, fala besteira, não se lembra de quem somos, mas de repente deixa escapar uma pérola de sabedoria que outros indivíduos com menos idade e sem a sua experiência seriam incapazes de elaborar”, me disseram. Esquecia-se de quase tudo, mas não de algumas coisas centrais, chaves, muito importantes para ele.
Drauzio – São as chamadas ilhas de memória.
Ivan Izquierdo – E as ilhas de memória de uma pessoa de 80 e poucos anos são preciosas, carregam informações de praticamente um século atrás. O fundamental é saber como se dirigir a essas ilhas. Acho até que o tratamento médico das demências e outras doenças degenerativas deveria explorar mais essas ilhas. O que a pessoa não mais consegue fazer, todos sabemos, que perdeu a maior parte de sua memória, também sabemos, vamos, então, verificar o que se pode fazer com o que sobrou.
Prevenção
Drauzio – O que posso fazer para envelhecer com uma memória que não me traia?
Ivan Izquierdo - À parte das medidas higiênicas clássicas - não fumar, não beber se não consegue fazê-lo com moderação, e da dieta equilibrada – é importante manter-se ativo, muito ativo, e estimular a vida afetiva e cognitiva.
Manter amigos e laços com a família contribui para a permanência de recordações importantes pelo sentimento e emoções que despertam. É fundamental manter tais lembranças sempre vivas, porque vamos precisar delas. Quanto maior a idade, mais precisaremos.
Outra forma de preservar a memória é exercitá-la, praticá-la, usá-la cotidianamente.
Drauzio – Como se pode exercitar a memória?
Ivan Izquierdo – O melhor exercício é a leitura, porque abrange todas as formas de memória: a memória visual, verbal, motora, a memória de curta duração e de longa duração, a memória de imagens. A pessoa lê “árvore” e movimenta as cordas vocais de acordo com o som da palavra. Num instante, também, passam por sua cabeça todas as árvores de que é capaz de lembrar-se. Lê “árvores secas” e se lembra de um poema.
Nos últimos 30 anos de vida, alguém lia para Borges que tinha ficado cego. Vários outros escritores, Byron, Milton, tinham também quem lesse para eles.
Drauzio – Em “Um Retrato do Artista quando Jovem”, Joyce diz que a personagem vai até a janela, vê a chuva e diz: “A chuva cai sobre a torre, sobre a igreja, sobre o colégio”. Bastam essas três palavras para o leitor construir na cabeça a imagem da chuva caindo sobre a cidade.
Ivan Izquiedo – Essa competência uma pessoa muito jovem não tem. É preciso viver muito e saber extinguir e reprimir memórias para poder destacar aquelas que possibilitam compor linhas como essas escritas por Joyce.
Drauzio – A pessoa que se isola, que se fecha num ambiente, pára de trabalhar, não convive com as outras corre maior risco de ver comprometida a memória?
Ivan Izquierdo - Memória é a expressão mais acabada de que a função faz o órgão. Todas as funções que envolvem células nervosas em algum grau, a atividade atlética, por exemplo, quanto mais se pratica, mais se movem neurônios. Embora envolva só sinapses, a memória também quanto mais se utiliza, melhor funciona.
Até a doença de Alzheimer é menos grave nas pessoas com cultura elevada. Trabalhos realizados com populações consideradas homogêneas quanto à estrutura financeira ou familiar, mostram que a incidência dessa doença diminui à medida que cresce o tempo dedicado aos estudos. Um colega usou uma imagem claríssima para explicar a perda de neurônios na doença de Alzheimer. “Pense não em termos de neurônios, mas em dólares”, me disse ele. “Pense em duas pessoas – uma que tem uma reserva de 5 mil dólares e outra, com reserva de cinco milhões de dólares - que contraíram uma doença que as faz perder cinco mil dólares por dia. A primeira perde todos os dólares no primeiro dia. Se fosse Alzheimer estaria acabada. A outra, não. Só depois de vários meses se dará conta de que está perdendo neurônios e muito mais tempo ainda para sentir-se incapacitada para fazer determinadas coisas”. Na verdade, na doença de Alzheimer, a pessoa perde sinapses. Portanto, quanto mais sinapses tiver, mais lento será o prejuízo.
Registro de memórias
Drauzio – Determinado perfume me faz lembrar da moça com quem dancei num baile quando era adolescente. O bulbo olfatório fica colado no sistema límbico. O senhor não acha que por isso o cheiro provoca emoções tão fortes e difíceis de serem controladas?
Ivan Izquierdo – Se o cheiro foi associado a essa moça, sua tendência será sempre recordar-se dela. No filme “Perfume de Mulher”, há uma cena muito bonita em que Al Pacino reconhece o perfume que sua falecida esposa usava em outra mulher. “Ah, seu perfume é Fleur de Rocaille”, diz ele e lembrar desse nome serviu de pretexto para iniciar uma conversa e estabelecer uma ampla ligação.
Drauzio – Por que essa ligação com o cheiro numa espécie que usa menos o olfato do que muitas outras?
Ivan izquierdo – Isso resulta da evolução das espécies. Não conservamos características como o olfato que já não usamos tanto. Nós nos guiamos mais pela vista. Somos animais visuais. O cachorro é mais olfatório; o rato e o camundongo, pouquíssimo visuais.
No entanto, herdamos mecanismos que, à primeira vista, parece que não usamos mais, mas várias áreas envolvidas na memória pertencem ao sistema olfatório, realmente, e ao longo da evolução foram utilizadas para construir memórias ou evocá-las.
Drauzio – Talvez por isso seja tão difícil vencer a barreira dos cheiros. Podemos nos apaixonar por uma mulher feia, mas se o cheiro não for agradável...
Ivan Izquierdo – E, se for agradável, ocorre exatamente o contrário. O interessante é que, quando se começou a ver que as áreas envolvidas na memória - na memória declarativa, pelo menos – pertencem ao sistema límbico, quanto mais aprofundamos o nível dos testes, mais constatamos que são olfatórias e ninguém sabe explicar por que elas são tão resistentes ao esquecimento.
Drauzio – Uma coisa que me deixa curioso é ver crianças nascidas e criadas nas cidades, ao redor dos sete anos, começarem a ter medo de cobra. De onde vem essa reação?
Ivan Izquierdo – Têm medo de cobra e de aranha. Não sei de onde vem isso. Só sei que certas coisas são próprias de cada espécie. Por que o gato caça o camundongo, se seria mais fácil caçar baratas? Por que o cachorro corre atrás do gato e não demonstra o menor interesse pelos camundongos?
Drauzio – Que tipo de emoção provoca memórias mais duradouras, o medo ou o amor?
Ivan Izquierdo – Ambas podem provocar memórias duradouras. Tudo depende, porém, do conteúdo de que estavam carregadas quando foram adquiridas. Às vezes, esse conteúdo é armazenado de forma completa; às vezes, de forma parcial. Os estudos estão demonstrando, também, que temos mais facilidade para evocar memórias emocionantes quando somos pequenos e quando somos velhos e menos facilidade quando somos adultos. Se prestarmos atenção, por exemplo, a memória de longa duração, remota, muito emotiva de um fato dramático, um enterro ou um velório, a pessoa de dez, doze anos e a que tem mais de 60 lembram de forma terrível, apaixonada. Já a pessoa de 30, 40, 50 anos evoca de forma distante. Não sei por que, mas reagimos com mais emotividade diante de memórias quando somos pequenos e quando somos velhos.
Drauzio – Por isso o velho chora mais?
Ivan Izquierdo – Chora mais, porque num instante o velho se lembra de uma memória claramente agressiva ou estressante. A mesma coisa acontece com os bem jovens.
Drauzio – Por que pessoas que sofrem um acidente automobilístico grave não conseguem lembrar de jeito nenhum o que aconteceu, mas não se esquecem do esbarrãozinho que deram no carro da esquina?
Ivan Izquierdo – Não é pelo estresse da situação nem pelo traumatismo craniano que elas se esquecem. O traumatismo craniano (assim como o eletrochoque e a anestesia) faz esquecer a gravação do que está ocorrendo num certo momento. É como se alguém tivesse apagado um segmento da fita que estávamos gravando e não há como recuperá-lo nem evocá-lo. Esse pedaço da gravação fica faltando na vida da gente.
No caso dos acidentes, são períodos de dez minutos, meia hora que se apagam. Típico é o caso do indivíduo que bateu a cabeça no vidro do automóvel num acidente e não se lembra sequer de que estava dentro do carro quando recobra a consciência. Não só não gravou o que estava fazendo como desgravou os minutos anteriores.
O processo de gravação é seqüencial, complexo e leva de três a seis horas para formar uma memória mais duradoura. Qualquer interrupção nessa seqüência pode causar a desgravação ou a não gravação. Quando o episódio é traumático, no primeiro minuto se desgrava por completo, como se nunca tivesse acontecido.
Isso fica evidente nos apagamentos alcoólicos. Curioso que não ocorre com qualquer bebedor. Surge nos alcoólicos que um dia bebem mais do que o habitual e apagam, apagam mesmo e, por mais que queiram, não têm como lembrar o que aconteceu daquela vez.
Drauzio – Como interfere o estresse na formação das memórias?
Ivan Izquierdo – Certo grau não de estresse, mas de ansiedade, é necessário para aprender e evocar. Meio adormecidos, desatentos, com nível de ansiedade igual a zero, não aprendemos nem conseguimos evocar.
Quando falo em ansiedade, porém, refiro-me àquela ansiedade benigna marcada por alguma expectativa. O indivíduo fica ansioso porque espera por algo que pode ser bom ou ruim. A diferença está no que diz a valsa mexicana “ansiedad de tenerte em mis brazos...” e no que sente o prisioneiro que caminha pelo corredor da morte.
Ansiedade em nível muito alto, e é isso que se chama estresse, geralmente interrompe a gravação ou a evocação de qualquer memória. O estresse é responsável pelo branco que dá no aluno que estudou muito para o vestibular, mas, na hora do exame, não se lembra de nada, em virtude da liberação de corticóides pela supra-renal, substâncias que atuam sobre o sistema nervoso e inibem as áreas que evocam a memória.
Drauzio – Por que para decorar alguma coisa é importante repeti-la muitas vezes.
Ivan Izquierdo – Nem sempre é preciso, mas é bom repetir. Há coisas que só se aprendem repetindo. O “decoreba” é ruim como único método didático, porém é útil em algumas outras situações. Por exemplo, queremos que o médico que nos atende tenha decorado perfeitamente a classificação da doença que temos e lembre muito bem como deve ser tratada. Queremos também que o piloto tenha decorado para que serve exatamente cada um dos botõezinhos do painel do avião. Ter decorado que sete vezes sete é 49, no mínimo economiza tempo na hora de fazer uma conta.
A repetição aparentemente recruta sistemas adicionais que não são usados quando se aprende numa única vez. Parece que o recrutamento desses sistemas ajuda a fazer cópias adicionais da memória em outras áreas do cérebro ou soma a influência da atividade de um novo setor cerebral aos anteriores. O certo é que quanto mais se repete mais se grava. Disso sabemos desde épocas remotas.
Drauzio – Por que, às vezes, não nos lembramos de uma palavra em determinado momento e, depois, de repente, ela aparece?
Ivan Izquierdo – Isso são bloqueios, são repressões, em geral, benignas. A pessoa se esforça para lembrar o nome de alguém, mas só três horas depois, na volta para casa, lembra que se chamava Lucas. Geralmente, ela não se lembra porque estava distraída com várias outras coisas. São limitados, não diria saturados, os sistemas de buscar memórias.
Não conheço nenhum caso com significado patológico, quando a pessoa lembra da palavra mais tarde. No entanto, se não se lembra nunca, aí, sim, poderá ser portadora de amnésia que deve ser tratada.
Drauzio – Há quem tenha melhor memória para rostos do que para nomes. Vê uma pessoa, sabe que a conhece, mas não se lembra do nome.
Ivan Izquierdo – Isso depende muito da atividade de cada um. Médicos, por exemplo, são bons para nomes. Lembram dos nomes complicadíssimos de doenças, como elas se inserem numa certa classificação e do tratamento todo. Para rostos, nem sempre são bons. Já os policiais são melhores para rostos; os bancários, para números e assim por diante.
Drauzio – Conforme a profissão e os interesses, as habilidades são mais desenvolvidas, mas alguns têm mais talento do que os outros. Por que um indivíduo começa a tocar bem um instrumento ainda criança e outros estudam a vida inteira e tocam mal?
Ivan Izquierdo – Sim, alguns têm mais talento, mas não sabemos muito por quê. Como se explica que, hoje, as crianças nem saibam falar direito e já lidem com o computador? Não sei.
Drauzio – Existiria algum equipamento neuronal para isso?
Ivan Izquierdo – Sem dúvida existe e está pronto para ser usado. Na família de Mozart, só ele tinha capacidade para compor músicas.
Processo de fixação
Drauzio – Como ocorre a fixação?
Ivan Izquierdo – Ela se forma de maneira mais ou menos automática. Uma vez o processo posto em movimento no âmbito em que se faz a memória, ativa uma série de sistemas bioquímicos em seqüência, dos quais cada um depende do anterior. Isso ocorre basicamente no hipocampo para a memória declarativa e em outras áreas para a memória não declarativa. Todos os segmentos que compõem a seqüência do processo são igualmente necessários. Não existe um mais importante do que outro. Essa cadeia é modulada pela emoção, pelo sentimento e a memória só fica mais ou menos completa depois de três a seis horas da sua aquisição. Enquanto ela está sendo construída, no mesmo lugar do cérebro, seja na área do lobo temporal, do hipocampo, do córtex, opera um sistema paralelo, mais simples, responsável pela memória de curta duração. É ele que mantém o barco andando.
Operacionalmente, ocorre algo semelhante à casinha de madeira que Juscelino mandou construir em Brasília enquanto construíam o Palácio do Planalto. A casinha de madeira é a memória curta do Brasil. Um dia, o presidente largou a memória de curta duração – agora a casinha é um museu – e mudou-se para o Planalto. O mesmo acontece com a memória de curta duração que se descarta porque não se utiliza mais. Ela não permite, por exemplo, manter uma conversa, uma atividade contínua que dependa de coisas que só vamos gravar de forma definitiva ao longo de horas.
Drauzio – Memória de curta duração é diferente da memória de trabalho.
Ivan Izquierdo – É diferente. O tempo da memória de trabalho é de segundos; o da memória de curta duração é de 3 a 6 horas e o da memória de longa duração maior ainda.
Drauzio – Parece que ao evocar as memórias, eliminamos muitos sentimentos e lembranças desagradáveis.
Ivan Izquierdo – Classifica-se a memória também ao longo das décadas. Quando a reproduzimos, às vezes acrescentamos alguma coisa ou mudamos outras. Os mortos costumam ser considerados gente boa. Em vida o tio fulano era um sujeito inconveniente, mau caráter. Depois que morreu, virou “no fundo boa pessoa”.
Drauzio – Com a infância é a mesma coisa. A tendência é lembrar só as coisas agradáveis que aconteceram.
Ivan Izquierdo – Um período tempestuoso do qual os demais só se lembram das coisas boas, mas a gente sabe que não era assim é a adolescência. Para mim, representou uma crise terrível que começou aos doze anos e não sei se terminou. Não há adolescente que não tenha pensado em suicídio alguma vez. Depois que passa: “A adolescência, que bonito! Eu me lembro da primeira namorada”. Sim, lembra da namorada, mas não lembra que queria morrer quando ela o trocou por outro.
Tenho um amigo judeu alemão que é barbeiro em Los Angeles. Um dia, ele me contou que iria rever a Alemanha depois de 17 anos. Eu lhe perguntei se não tinha emigrado porque a situação naquele país estava difícil. “Naquela época, foi horrível, mas agora tudo mudou”.
Tempos depois, encontrei-o novamente. Quis saber como tinha sido a viagem. “Vi a esquina onde estava eu quando levaram meu avô. Resultado, não agüentei ficar na Alemanha e apressei o retorno para os Estados Unidos. Talvez um dia eu vá de novo”. Ele guardava uma imagem linda da Alemanha e não queria lembrar-se de quando lhe levaram o avô.
Ivan Izquierdo nasceu em Buenos Aires (Argentina). Doutor em Medicina pela Universidade de Buenos Aires, foi professor titular da Universidade de Córdoba. Mudou-se para o Brasil em 1973 e naturalizou-se brasileiro. Neurocientista e pesquisador na área de fisiologia da memória, atualmente trabalha no Centro de Memória do Instituto de Pesquisas Biomédicas da PUC em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Escreveu os seguintes livros: “Memória”, “Tempo e Tolerância”, “Silencio, Por Favor”, “Questões sobre a Memória”, “Releituras do Óbvio”, “A Lua, a Flor, as Sombras” e, em co-autoria com Flávio Kapczinski e João Quevedo, “Bases Biológicas dos Transtornos Psiquiátricos”.
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