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Desvendando a linguagem físico-química entre os neurônios Estudando as sinapses, em 1929, Otto Loewi descobriu que nesse local havia liberação de pequenas quantidades de uma substância química: a acetilcolina. Essa substância era liberada na sinapse pelo neurônio que traz a informação (pré-sináptico), e captada por receptores localizados no neurônio que a recebe (pós-sináptico). Foi a primeira prova da existência de uma linguagem química na comunicação entre neurônios. Na década de 1940, uma série de experimentos demonstrou que os impulsos elétricos transmitidos de um neurônio para outro surgem porque partículas carregadas de eletricidade (íons de sódio, potássio, cloreto e cálcio) migram através dos poros das terminações do neurônio pré-sináptico para a sinapse, e daí para os poros do neurônio que vai receber o sinal pós-sináptico, criando uma corrente elétrica. Estava explicada a origem da linguagem física entre os neurônios. Dos anos 1960 até hoje, foram identificados mais de 100 neurotransmissores, entre eles a dopamina e a serotonina, envolvidas nas sensações de prazer e nos quadros de depressão. Dependendo do desenho espacial da molécula do receptor situado na terminação do neurônio que vai receber o sinal elétrico, o neurotransmissor liberado na sinapse poderá potencializar, simplesmente facilitar ou inibir a passagem da informação. Apresentados estes conceitos, já se pode vislumbrar a complexidade funcional do sistema nervoso humano: 100 bilhões de neurônios organizados em circuitos com trilhões de conexões. Cada um deles com centenas de dendritos que captam sinais na vizinhança, separam aqueles relevantes dos que constituem ruído inútil, e os transmitem na direção do axônio. Na extremidade deste, a sinapse, nicho microscópico que precisa ser transposto pelo sinal para chegar ao neurônio seguinte (pós-sináptico). A informação conduzida pelo axônio do neurônio pré-sináptico, quando chega na sinapse, vai encontrar partículas carregadas de eletricidade (íons) que entram e saem dos dois neurônios através de canais submicroscópicos. É esse entra-e-sai que gera a corrente elétrica. |
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