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Cálculo Renal
Prevenção de Cálculo
Renal
A eliminação de cálculos pelas
vias urinárias provoca uma das dores mais intensas que o corpo
humano pode suportar. Embora em alguns casos as dores fiquem limitadas
a uma sensação desagradável de pressão que
se irradia da região lombar para as partes inferiores do abdome,
muitos chegam a vomitar e a rolar no chão de tanta dor.
O quadro é freqüente: cerca de 10% das pessoas terão
uma ou mais crises em suas vidas. Quem já teve e eliminou uma
pedra, tem 50% de possibilidade de apresentar novo episódio nos
cinco a sete anos seguintes. Os cálculos eliminados pelas vias
urinárias podem ser microscópicos ou tão grandes
que precisam ser retirados cirurgicamente. Os livros de medicina costumam
trazer fotos de pedras com cores e formas variadas, que podem atingir
o tamanho de um abacate.
Mais de 200 componentes foram descritos em cálculos renais, mas
a maioria deles é constituída por oxalato de cálcio.
A maior parte dos portadores da doença apresenta absorção
exagerada de cálcio através do intestino e, como conseqüência,
excreção urinária mais elevada.
As cirurgias para a retirada de cálculos, populares no passado,
são hoje pouco indicadas. Aparelhos endoscópicos podem
atingir pedras localizadas mesmo nas partes mais altas do trato urinário,
e retirá-las ou destruí-las com laser. A litotripsia,
método não invasivo que permite fragmentar cálculos
por meio do ultra-som, fez reduzir as indicações cirúrgicas.
A prevenção é crucial no caso dos cálculos
renais, porque em sua formação eles precisam de tempo
para acumular-se e de um local propício do trato urinário.
Para evitar esse acúmulo, recomendam-se medidas que aumentem
o fluxo urinário: tomar muito líquido, evitar infecções
e esvaziar a bexiga antes de senti-la cheia.
Uma vez que a formação de cálculos está
relacionada com a absorção de cálcio, a modificação
de hábitos alimentares é um procedimento atraente na prevenção.
Uma dieta pobre em cálcio pode parecer lógica, mas como
esse elemento é fundamental para a formação do
esqueleto, ela está associada à diminuição
da densidade óssea e à osteoporose.
Estudos sugerem que dietas com conteúdo normal de cálcio,
mas pobres em proteína animal e em sal, podem ser úteis
na prevenção de cálculos. Até hoje, no entanto,
não havia sido publicado um único ensaio que as comparasse
com as dietas pobres em cálcio.
Esse estudo acaba de ser realizado por um grupo da Universidade de Parma,
na Itália. Foram separados 120 homens com história de
mais de um episódio de eliminação de cálculos
de oxalato de cálcio e que apresentavam aumento da excreção
urinária de cálcio (hipercalciúria).
Metade deles foi colocada numa dieta com conteúdo normal ou até
mais elevado de cálcio e pobre em proteína animal (carne
vermelha, frango, peixe e ovos). A outra metade foi aconselhada a evitar
leite, iogurte e queijos para reduzir drasticamente a quantidade de
cálcio ingerida.
Ambos os grupos receberam a recomendação de ingerir 2
litros de água por dia no inverno e 3 litros no verão.
Foi permitida a ingestão de vinho, cerveja, café e refrigerantes
em quantidades moderadas. O grupo foi acompanhado durante cinco anos.
Dos 60 homens que receberam dietas pobres em proteína e sal,
mas ricas em cálcio, 12 apresentaram novos episódios de
calculose. Dos outros 60, que ingeriram dieta pobre em cálcio
(e com conteúdo normal de proteína e sal), 23 tiveram
recidiva do quadro - quase o dobro de risco.
Os níveis urinários de cálcio nas duas dietas caíram
significativamente, mas a excreção de oxalato de cálcio
na urina (o principal componente dos cálculos) aumentou no grupo
que ingeriu pouco cálcio e foi reduzida no grupo mantido com
dieta de conteúdo normal de cálcio e pobre em proteína
e sal.
Essa diferença pode ser explicada pelo aumento da absorção
intestinal de oxalato de cálcio provocada pelos baixos níveis
de cálcio ingerido. Já nas dietas com conteúdo
normal de cálcio, esse elemento está mais disponível
para formar complexos com oxalato na luz intestinal, dificultando sua
absorção.
Discutindo esse estudo em editorial publicado na revista The New England
Journal of Medicine, David Bushinsky, da Universidade de Rochester,
escreve: “Hoje podemos afirmar que uma dieta contendo quantidades
adequadas de cálcio (1.200mg por dia) em conjunto com a diminuição
da quantidade de proteína animal e de sal é superior às
dietas pobres em cálcio na prevenção da formação
de cálculos de oxalato de cálcio”.
E enfatiza: “Os médicos não devem mais prescrever
dietas pobres em cálcio para prevenir recorrências de calculose”.
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