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Café e ataque cardíaco
Café e ataque cardíacoComo quase tudo o que dá prazer, a cafeína é um alcalóide que provoca dependência química. Por causa dela, ficamos nervosos. Muitos dizem que não conseguem raciocinar antes do café da manhã, queixam-se de intestino preso sem o cafezinho em determinadas horas, acham impossível fazer reunião de trabalho ou aturar visita em casa sem ele. Apesar do poder aditivo da cafeína, capaz de nos fazer mendigar por um gole, o cafezinho é liberado em qualquer ambiente. Seu usuário é respeitado, seja o padre da cidade, seja a mãe de família. É a última droga que nos deixaram para usar sem remorsos. É lógico que uma droga consumida por tantos, dotada da propriedade de provocar dependência, acelerar o coração e excitar o sistema nervoso como a cafeína, seja considerada suspeita de fazer mal para o organismo até que se prove o contrário. Muitos estudos foram realizados para esclarecer essa questão.
Com exceção da azia, dores de estômago e da insônia
que o café pode causar em pessoas sensíveis ou quando
ingerido em doses mais altas, até hoje a Medicina não
conseguiu demonstrar que essa bebida seja nociva à saúde.
A suspeita de que o café possa aumentar o número de infartos do miocárdio foi recentemente reforçada pela demonstração de que tomar café não filtrado (como o café turco, por exemplo) faz aumentar o colesterol total e a fração LDL, conhecida como “mau colesterol”. Recentemente, a revista Archives of Internal Medicine, uma das mais
conceituadas da literatura médica, publicou um artigo de um grupo
de pesquisadores finlandeses que é considerado um dos mais completos
sobre o tema, pelas seguintes razões: A média diária de xícaras de café na população estudada foi igual a cinco. Os resultados obtidos foram os seguintes: 1) Depois de ajustar os resultados de acordo com idade e fatores de risco, os autores verificaram que a incidência de infartos do miocárdio não fatais nos homens foi a mesma entre os que bebiam café e os abstêmios; 2) Por outro lado, ainda nos homens, os infartos fatais foram mais freqüentes entre os abstêmios; 3) Em ambos os sexos, os níveis de colesterol aumentaram com o número de xícaras bebidas por dia. Os autores explicam esse resultado, pela preferência de muitos finlandeses por café não filtrado; 4) Os homens que tomavam mais do que sete xícaras de café por dia, apresentaram índices de mortalidade coronariana ligeiramente superiores aos dos bebedores moderados. Essa tendência foi atribuída aos níveis mais altos de colesterol e maior número de cigarros consumidos por dia, encontrados entre os que tomavam mais café; 5) Nas mulheres, não só a mortalidade por infarto foi mais baixa, mas todas as formas de morte diminuíram com o aumento do consumo de café. A conclusão é um lenitivo para aqueles cansados dos
sacrifícios impostos pelos cuidados necessários para preservar
a integridade das coronárias: cortar gordura animal, controlar
a pressão, diminuir o estresse, comer pouco, não fumar,
beber com moderação e abandonar a vida sedentária.
Pelo menos até que outro estudo demonstre o contrário,
podemos tomar até cinco cafezinhos por dia, sem culpa nenhuma.
Não é pouco. |
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