Drauzio – E se não houver vacina para prevenir a doença, qual é a recomendação?
Jessé Alves – Para doenças como a malária que não podem ser prevenidas através de vacinas, existem recomendações que ajudam a pessoa a proteger-se contra a picada do inseto transmissor. Entre elas, destacam-se o uso adequado de repelentes e de roupas que cubram a maior parte da superfície do corpo, e o cuidado em evitar a exposição nos horários em que os mosquitos atacam mais, o que acontece geralmente ao entardecer.
No Brasil, temos carência de repelentes com concentração ideal da substância ativa. Por isso, a orientação sobre a maneira de aplicá-lo corretamente é de extrema importância.
Drauzio – Qual é a forma adequada de usar o repelente?
Jessé Alves – Primeiro, é importante verificar se a concentração da substância ativa, o dietiletiltoluamida (DEET), está entre 25% e 30%. Concentração acima desse valor talvez não garanta grau maior de proteção, mas não representa problema no que se refere ao aumento do risco de toxicidade ou a qualquer efeito indesejável que o produto possa ter. O problema aparece quando ele não atinge a concentração ideal de DEET, porque irá repelir os insetos por períodos de tempo muito mais curtos.
Como a grande maioria dos repelentes disponíveis no mercado brasileiro não indica no rótulo a concentração de DEET, é necessário renovar sua aplicação pelo menos a cada quatro horas. Entretanto, em locais muito úmidos, por causa da transpiração mais intensa, a aplicação deve ser repetida a cada duas horas, mesmo que a concentração da substância ativa seja adequada. Além disso, cada vez que entrar na água ou molhar o corpo, esse produto precisa ser passado novamente na pele.
Vale lembrar, ainda, um detalhe importante: para ser eficaz contra a picada de insetos, é indispensável que o repelente esteja em contato direto com o meio externo. Por isso, se a pessoa necessita também de filtro solar – o que é comum nas regiões muito quentes -, deve aplicar primeiro o filtro e, por cima, o repelente.
Drauzio – O repelente pode ser passado no rosto?
Jessé Alves - Não se deve passar o repelente apenas na área dos olhos e da boca. Fora isso, é importante que seja aplicado na maior parte possível do corpo, inclusive na nuca e nas orelhas, áreas que, geralmente, costumam ser esquecidas.
Drauzio – A única alternativa para evitar a malária, doença para a qual não existe vacina, é o uso do repelente?
Jessé Alves – Não é. Avaliando o risco a que o indivíduo será exposto nas regiões em que existe a malária, é possível prescrever algumas medicações que evitam a aquisição da doença ou, mesmo que não a evitem, fazem com que se manifeste de forma menos grave. Essas drogas, porém, só devem ser tomadas com a orientação expressa de um especialista.
Drauzio – Que drogas são essas?
Jessé Alves – Os antibióticos usados normalmente no tratamento da malária podem ser prescritos também como prevenção da doença. No Brasil, essa prática ainda não é muito adotada, porque usar essas drogas de modo abrangente pressupõe o risco de que o parasita adquira resistência nas regiões onde é mais comum. Por isso, elas devem ser indicadas com muito critério por um especialista na área.