Drauzio – Existem medicamentos para tratar miomas?
Nilo Bozzini – Existem. Com raras exceções, o tratamento medicamentoso é o único indicado para a mulher que se aproxima da menopausa, porque se sabe teoricamente que depois desse evento regride o tamanho do útero e conseqüentemente o dos miomas.
Nesse sentido, são utilizados os análogos do GnRH que levam a mulher a um quadro de menopausa transitória, ou seja, uma menopausa provocada quimicamente. No entanto, tal tratamento não é rotina.
Drauzio – Quer dizer que é possível induzir menopausa transitória como estratégia de tratamento?
Nilo Bozzini – É possível. A mulher apresenta os sintomas próprios da menopausa e tem uma regressão do conjunto formado pelo útero e o mioma.
Para aquelas que estão na idade fértil e desejam um tratamento conservador porque querem engravidar ou manter, pelo menos, a função menstrual, ou apresentam um quadro anêmico provocado por sangramento excessivo, o análogo do GnRH provoca uma menopausa transitória que facilita o procedimento cirúrgico necessário para a retirada dos miomas.
Drauzio – Por que se trata de um tratamento transitório?
Nilo Bozzini – Porque os miomas voltam a crescer de três a quatro vezes mais depressa do que vinham crescendo antes da indução da menopausa transitória. É má conduta a pessoa iludir-se com a regressão do tumor. Os sintomas melhoram e ela foge dos médicos. Em quatro ou seis meses, porém, o tumor aumenta de tamanho numa velocidade assustadora e agrava o quadro.
No entanto, induzir a redução do mioma é sempre útil como preparo para o procedimento cirúrgico e para melhorar as condições clínicas da paciente que muitas vezes estava anêmica e sentindo muita dor.
Drauzio - Como os miomas estão menores, a cirurgia pode ser mais econômica.
Nilo Bozzini – Exatamente. A cirurgia pode ser feita por via histeroscópica, isto é, por baixo, por via laparoscópica ou, dependendo do volume do mioma, deve ser feita abrindo a cavidade abdominal.
Drauzio – Quando se emprega a técnica histeroscópica?
Nilo Bozzini – A técnica histeroscópica permite retirar tumores submucosos que estão na cavidade do útero por via baixa, isto é, pela vagina. Às vezes, para esse procedimento ficar mais fácil, o mioma é previamente reduzido com tratamento medicamentoso.
Drauzio – Como você orienta a indicação das outras técnicas?
Nilo Bozzini – Tudo depende da variação dos sintomas e do que a paciente pretende no momento. Se ela tem 40 anos e quer preservar a função menstrual, pode-se indicar uma miomectomia, ou seja, a retirada dos miomas pela técnica convencional, quer dizer, abrindo a cavidade abdominal (imagem 5) e o útero. Esse procedimento não impede gravidez futura se a paciente estiver na idade de ter filhos, mas seu parto deverá ser feito por cesariana.
A retirada dos miomas pode ser feita, ainda, por via laparoscópica quando eles estiverem localizados na periferia do útero.
Drauzio – Você mencionou que as técnicas cirúrgicas vão desde a retirada apenas dos miomas até a histerectomia, que é a retirada total do útero. Existem ainda técnicas mais conservadoras como a embolização. Você poderia explicá-la sumariamente?
Nilo Bozzini – A embolização é uma técnica nova realizada pelo radiologista intervencionista, mas indicada pelo ginecologista, que acompanha o caso depois.
Através da artéria femural, são injetadas partículas impactantes (imagem 7) que vão ser levadas até o útero, especificamente até as artérias que nutrem o mioma uterino intramural, para interromper o fluxo de sangue.
Drauzio - A imagem 8 deixa ver o colo do útero, a cavidade uterina, o mioma intramural e as pequenas esferas que irão entupir as artérias. A falta de nutrição faz com que o mioma morra?
Nilo Bozzini – Ele vai sofrendo uma degeneração e os sintomasregridem. Essa técnica é indicada para mulheres com muitas dores e sangramentos e representa mais um recurso para o tratamento dos miomas uterinos.
Drauzio – Costumam ser bons os resultados da embolização?
Nilo Bozzini – Têm sido muito bons. No entanto, mulheres jovens que apresentam alguma anomalia anatômica, às vezes ovariana, pode ocorrer como complicação um quadro de menopausa precoce. Embora sejam casos raros, essa hipótese deve ser levantada a fim de verificar se o procedimento é adequado para aquele caso em particular e evitar o dissabor de um efeito indesejado.
Drauzio – Podemos concluir, então, que não há razão para as mulheres se assustarem tanto quando recebem o diagnóstico de miomas?
Nilo Bozzini – Já está na hora de acabar com esse terrorismo de que as mulheres com mioma não conseguirão engravidar ou terão provavelmente uma doença maligna. É bom repetir sempre que mioma nasce benigno e morre benigno. Além disso, há técnicas que podem assegurar bons resultados no tratamento dos miomas com o mínimo de agressividade.
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