Drauzio – Você falou em estresse. Que outros fatores do estilo de vida interferem na sucessão das crises?
Antonio Douglas Menon – A parte psíquica e emocional é muito importante assim como certos fatores alimentares. Geralmente, em indivíduos pré-diabéticos, o excesso de açúcar está relacionado com crises sub-entrantes por causa da hipoglicemia. Bebidas gasosas que contenham quinino também podem desencadear zumbido no ouvido, por exemplo. Na verdade, cada organismo reage de uma maneira diversa diante do estímulo a que está sendo submetido.
Drauzio – As crises podem ter alguma relação com a prática de exercícios físicos?
Antonio Douglas Menon – O exercício físico provoca um desgaste, pois queima muitas calorias. Se a pessoa fizer exercício sem um preparo prévio adequado, por exemplo, sem ingerir alimentos que mantenham a taxa de glicose no sangue em bom nível, em decorrência da hipoglicemia pode ter queda de pressão, alterações no sistema vestibular, tontura, mal-estar e desequilíbrio.
Drauzio – Quando aparece um doente em plena crise, além de prescrever os medicamentos adequados, você recomenda que permaneça numa posição específica?
Antonio Douglas Menon – Recomendo que ele fique na posição em que se sentir melhor, não importa qual seja ela, sentado, deitado de costas ou de lado. Em geral, esses pacientes sabem muito bem como se posicionar durante a crise.
Drauzio – Na sua experiência, qual a posição que eles preferem?
Antonio Douglas Menon - Há quem goste de ficar sentado, mas a maioria prefere ficar em decúbito dorsal lateral com a cabeça um pouco levantada.
Drauzio – E em relação à alimentação, o que você recomenda?
Antonio Douglas Menon – Recomendo uma dieta extremamente leve constituída por alimentos fáceis de digerir e líquidos à vontade. Prescrevo também medicamentos para controlar náuseas e vômitos para que o indivíduo consiga alimentar-se. Às vezes, ele precisa ser hospitalizado para receber medicação parenteral, ou seja, soro na veia com glicose, soro fisiológico, cloreto de sódio, visando à sua hidratação. Existem, ainda, medicações atuantes, muito usadas em anestesias, que melhoram a crise vertiginosa rapidamente. Esse tratamento, porém, só deve ser feito no hospital por causa dos efeitos colaterais que essas drogas apresentam.
Drauzio – Qual a conduta mais indicada para as pessoas que periodicamente apresentam crises de labirintite?
Antonio Douglas Menon – É preciso fazer um tratamento de base, no sentido de prevenir as crises, se possível respaldado pelo diagnóstico etiológico da doença. Conhecer sua causa permite tratar melhor o paciente. Em sua grande maioria, os tratamentos são sintomáticos, com drogas que deprimem o labirinto e evitam as crises de tontura.
Drauzio – Quanto ao estilo de vida, o que você aconselha? As pessoas podem dirigir automóvel, por exemplo?
Menon – Durante a crise, nunca, porque poderão ocasionar acidentes graves. Fora dela, dependendo do remédio, as pessoas podem levar vida normal. Hoje, a grande maioria das drogas de manutenção não restringe as atividades dos pacientes. Por outro lado, em geral eles sabem o que costuma desencadear as crises, se é virar muito a cabeça ou ouvir ruídos muito fortes, e se previnem contra esse tipo de agressão.
Drauzio – A pessoa que tem crises com determinada freqüência, além de tomar remédios, o que deve fazer para evitá-las?
Menon – Geralmente a pessoa sabe quais são os fatores que desencadeiam suas crises. Ela se mantém em equilíbrio por informações que partem do labirinto e vão para o cérebro. São informações visuais, táteis ou que partem de seus músculos e articulações. Quando ocorre uma informação errada no cérebro, o indivíduo tem tontura, tem vertigem. Às vezes, são fatores visuais. Há pacientes que não podem ver objetos em movimento, nem mesmo a movimentação das imagens na televisão ou na tela do computador.
Drauzio – A influência da visão é nítida. Pessoa de olhos fechados se desequilibra facilmente.
Menon - Pessoas privadas da visão baseiam-se muito na informação tátil. Elas tocam as coisas e enviam ao cérebro informações sobre seu posicionamento no espaço naquele momento.