Drauzio – Que tipo
de orientação você dá aos pacientes? Você
lhes diz o que e quanto podem comer por dia?
Alfredo Halpern – Não gosto de dietas muito estruturadas.
Por isso criei o Sistema de Pontos há mais de 30 anos.
Drauzio – Em que consiste esse sistema?
Alfredo Halpern - O Sistema de Pontos é uma filosofia,
não uma dieta. Eu me formei em 1966 e, quando fui trabalhar no
consultório, em 1969, já tinha feito residência
em clínica médica, estava fazendo endocrinologia e aprendia
de tudo, menos como resolver o problema da maioria de meus pacientes:
o excesso de peso. Na verdade, de 70% a 80% da clientela de um endocrinologista
é constituída por gente que quer emagrecer. Diante disso,
pensei: já que o problema é esse, vou tentar resolvê-lo
direito.
Naquela época havia pouco material sobre obesidade. Agora,
há uma enxurrada tão grande que não é
mais possível acompanhar tudo o que se publica a respeito do
tema.
Observando o que acontecia, minha primeira conclusão foi que
todo o mundo fazia uma dieta burra, parecida com a do Dr. Atkins:
carne, verdura, duas colheres de arroz, uma de feijão, salada
e quatro frutas por dia. Conseqüentemente, ninguém agüentava
segui-la por muito tempo. Foi, então, que me surgiu a idéia
de que uma dieta só funcionaria se o indivíduo pudesse
comer de tudo e comecei a catalogar os alimentos atribuindo a cada
um deles uma unidade chamada pontos. Não se trata de nenhuma
novidade porque quem inventou os pontos foi Deus, quando criou as calorias.
Cada ponto vale 3,6 calorias. Atualmente, no meu site www.emagrecendo.com.br
existem mais de 4.000 itens relacionados.
No Sistema de Pontos, a pessoa pode comer de tudo, mas precisa ir
anotando o que comeu para controlar o número de pontos ingeridos
num dia e que não pode ultrapassar uma quantidade previamente
calculada de acordo com seu peso, idade, sexo e atividade física.
Não adianta nada a pessoa conhecer a tabela de pontos se não
houver certa interação com uma nova filosofia que pressupõe
conhecimento do processo e determinação.
Hoje vou comer feijoada, mas amanhã farei refeições
menores para compensar. Nas dietas tradicionais o que acontecia? O
sujeito quebrava o regime e comia feijoada. Pronto! Achava que tinha
estragado tudo e desistia da dieta. No Sistema de Pontos, feijoada
não é um prato proibido desde que no dia seguinte a
pessoa consiga compensar a extravagância ingerindo menos calorias.
-
Herança genética
Drauzio – O que
você acha da expressão “dietas para emagrecer”?
Alfredo Halpern – Detesto. Pior do que ela só
a palavra regime. Sabe por que as detesto? Primeiro, porque são
palavras que indicam restrição. Por isso, todo o mundo
tem antipatia por regime e dieta. Segundo, porque parecem indicar algo
provisório. É uma questão de filosofia. A pessoa
que nasceu para ser gorda, se fizer qualquer coisa provisória,
emagrece um pouco e volta a engordar.
Drauzio – O que você entende por “pessoa
que nasceu para ser gorda”?
Alfredo Halpern – Atualmente está demonstrado
que existem pessoas que nasceram programadas para serem gordas. Descendem
de ancestrais que sobreviveram numa época de penúria,
de falta de alimento, de vida dura porque tinham um sistema genético
aparelhado para estocar energia a fim de usá-la nos períodos
de escassez. Quem são essas pessoas? Somos nós, é
a grande maioria. Indivíduos que não engordam, os que
chamo de “magros de ruindade”, são cada vez mais
uma exceção no mundo de hoje.
No Brasil, 40% das pessoas estão com excesso de peso e, se
continuar nesse ritmo, daqui a 20 anos, vai existir mais gente gorda
do que magra, porque pelo menos 60% da população estará
acima do peso.
Drauzio – Fiquei impressionado com um mapa
dos Estados Unidos em que estavam registrados os índices de obesidade
ou excesso de peso calculados em 1991 e 2001 em vários estados
americanos. Nesses dez anos, o peso da população aumentou
mais de 50%.
Alfredo Halpern – Conheço esses dados. O impressionante
é que o ganho de peso vem ocorrendo com mais nitidez nos últimos
10 ou 15 anos. Nesse período, estourou a prevalência de
obesidade apesar de todas as dietas espalhadas pelas livrarias, bancas
de jornal ou divulgadas pela mídia.
-
Variedade de dietas
Drauzio – Há
inúmeras dietas mesmo. Existem aquelas respaldadas em princípios
mais sérios como a do Dr. Atkins, por exemplo, e outras como
a do abacaxi e da Lua sem base científica alguma. Há algum
denominador comum entre elas?
Alfredo Halpern – Acho que sim. Nos livros que escrevi
com o jornalista Claudir Franciatto, “Desta vez eu emagreço!”
e “Magro para sempre!”, está contada a história
real de um sujeito, o Claudir Franciatto, que experimentou todas as
dietas do mundo porque queria emagrecer de qualquer maneira. Ele chegava
a perder peso, mas logo voltava a engordar. Juntos, estabelecemos uma
espécie de filosofia para ajudá-lo a perder peso e a manter-se
magro.
Mesmo tendo conseguido emagrecer 40kg, só escrevemos o livro
“Magro para sempre!” depois que o novo peso foi mantido
por dois anos.
Na minha opinião, a única dieta que funciona é
aquela em que o indivíduo come o que gosta, observando, porém,
certa contenção. Aí, ele faz dieta a vida inteira
e não engorda mais. Já regimes e dietas milagrosas trazem
resultados temporários. O que há de comum entre eles?
Em primeiro lugar, a esmagadora maioria busca sucesso comercial. Seus
autores sabem que é vasto o campo de pessoas interessadas em
emagrecer e dispostas a fazer qualquer coisa para alcançar esse
propósito. Segundo, são dietas sem nenhuma base científica
e que não surtem efeito a longo prazo.
A dieta que proponho nada tem de especial. A pessoa pode comer de tudo.
Simplesmente, são atribuídos pontos aos alimentos para
poder medir, contar o conteúdo energético daquilo que
é ingerido.
Drauzio – A curto prazo, no entanto, essas
dietas fazem perder peso porque se baseiam na restrição
calórica.
Alfredo Halpern – Sempre brinco que a dieta do brigadeiro
é excelente. A pessoa emagrece comendo brigadeiro. Come seis
por dia e mais nada! Houve um tempo, por exemplo, em que uma dieta chamada
Beverly Hills fez muito sucesso. Era mais ou menos assim: você
pode comer o que quiser, desde que seja abacaxi. Desse jeito, qualquer
um emagrece. O segredo é continuar magro. Usei o termo magro,
embora não o considere o mais adequado. Às vezes, o indivíduo
não consegue tornar-se magro, mas emagrece bastante e mantém
o novo peso para o resto da vida.
-
Densidade energética dos alimentos
Drauzio – O excesso
de peso tem duas vertentes. Uma é a ingestão de alimentos
altamente calóricos. Você pode comer um queijo que tenha
50% menos calorias do que outro. A outra é a quantidade do que
se come. Como você orienta as pessoas nesse sentido?
Alfredo Halpern – O que está assumindo importância
agora é o que se chama de densidade energética, ou seja,
quantas calorias existem em determinada porção de alimentos.
Por exemplo, o queijo tem alta densidade energética porque um
pedaço pequeno contém muitas calorias. Alface, couve,
verduras (em geral o menos gostoso) têm poucas calorias em grandes
volumes. O ideal é comer um volume maior de alimentos com poucas
calorias para satisfazer o estômago. Isso não quer dizer
que não se possa comer queijo, feijoada e churrasco. A questão
é ter bom senso para equilibrar as refeições.
Drauzio – Você vai a um jantar e servem
uma salada. Você está morrendo de fome e come um bom prato.
Depois servem a carne e só de olhar a boca enche de água.
Você não acha que existe uma motivação interna
selecionada evolutivamente que nos leva a preferir alimentos altamente
calóricos?
Halpern – Disso eu tenho certeza. O estudo da
obesidade está evoluindo de tal maneira que já não
se discute mais a existência de neurônios no cérebro
que reagem à visão da carne ou de um doce e despertam
o desejo de comer esses alimentos. Por isso, não acredito e não
gosto quando dizem que o gordo é sem-vergonha porque come muito.
Ele come porque tem fome ou apetite. A necessidade de comer doce, por
exemplo, é comuníssima principalmente nas mulheres. Ela
é provocada pela diminuição das concentrações
cerebrais de uma substância chamada serotonina.
-
Resistência ao apelo da fome
Drauzio – Parece
que o ser humano resiste menos à fome do que à dor. Muita
gente com dor na coluna toca a vida normalmente. Com fome, fica difícil
fazer alguma coisa.
Alfredo Halpern – Se não comer, a pessoa morre,
o que na maioria das vezes não acontece se ela sentir dor. Esse
é o grande problema. Comparar, por exemplo, comer com fumar é
outro erro. Não existe necessidade biológica para fumar,
mas para comer existe. Se a pessoa consegue deixar de fumar, sua vida
melhora muito. Se pára de comer, definha e morre. A alimentação
é indispensável para sobrevivência do indivíduo.
Além disso, estamos cada vez mais aparelhados para engordar não
só pela fartura de comida como pela fartura de conforto. Hoje,
tudo tende a economizar o gasto de energia. Os carros têm direção
hidráulica, são hidramáticos e os vidros sobem
e descem com um simples apertar de botões. Já foi calculado,
por exemplo, que uma única extensão telefônica numa
residência representa um ganho de peso de 1,1 kg por ano. Antigamente,
só existia um aparelho telefônico em cada casa. Alguém
chamava – fulano, telefone para você - e a pessoa tinha
que se movimentar até o lugar onde estava o telefone. Andava,
subia ou descia escadas, atendia o chamado e percorria o caminho de
volta.
Agora o celular está ao alcance da mão. Não é
preciso dar um passo para atendê-lo. Se não houver uma
profunda reformulação no estilo de vida, todo o mundo
vai ser gordo em poucos anos.
-
Dieta do Dr. Atkins
Drauzio – O que
você pensa a respeito da dieta do Dr. Atkins? Eu mesmo já
vi pessoas perderem peso com ela?
Alfredo Halpern - Certa feita fui convidado para falar num
congresso sobre diabetes. O tema proposto era a dieta do Dr. Atkins
analisada sob critério científico. Minha primeira reação
foi recusar o convite – não vou falar a respeito de charlatanices.
Depois, decidi pesquisar intensamente o assunto e fui a um congresso
que redundou num artigo publicado no The New Engandd Journal of Medicine.
Conclusão: a dieta do Dr. Atkins funciona, faz perder peso. A
curto prazo faz perder mais peso do que as outras dietas. A longo prazo,
porém, o resultado não é diferente. As pessoas
voltam a engordar porque ninguém agüenta comer o mesmo tipo
de alimento indefinidamente. Só funciona a dieta que permite
comer de tudo, mas com parcimônia.
Além disso, a longo prazo, dietas ricas em gordura como a do
Dr. Atkins predispõem a doenças cardiovasculares e ao
diabetes, porque acabam comprometendo as funções do pâncreas,
órgão que produz insulina.
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Sistema de Pontos
Drauzio – Que tipo
de orientação você dá aos pacientes? Você
lhes diz o que e quanto podem comer por dia?
Alfredo Halpern – Não gosto de dietas muito estruturadas.
Por isso criei o Sistema de Pontos há mais de 30 anos.
Drauzio – Em que consiste esse sistema?
Alfredo Halpern - O Sistema de Pontos é uma filosofia,
não uma dieta. Eu me formei em 1966 e, quando fui trabalhar no
consultório, em 1969, já tinha feito residência
em clínica médica, estava fazendo endocrinologia e aprendia
de tudo, menos como resolver o problema da maioria de meus pacientes:
o excesso de peso. Na verdade, de 70% a 80% da clientela de um endocrinologista
é constituída por gente que quer emagrecer. Diante disso,
pensei: já que o problema é esse, vou tentar resolvê-lo
direito.
Naquela época havia pouco material sobre obesidade. Agora,
há uma enxurrada tão grande que não é
mais possível acompanhar tudo o que se publica a respeito do
tema.
Observando o que acontecia, minha primeira conclusão foi que
todo o mundo fazia uma dieta burra, parecida com a do Dr. Atkins:
carne, verdura, duas colheres de arroz, uma de feijão, salada
e quatro frutas por dia. Conseqüentemente, ninguém agüentava
segui-la por muito tempo. Foi, então, que me surgiu a idéia
de que uma dieta só funcionaria se o indivíduo pudesse
comer de tudo e comecei a catalogar os alimentos atribuindo a cada
um deles uma unidade chamada pontos. Não se trata de nenhuma
novidade porque quem inventou os pontos foi Deus, quando criou as calorias.
Cada ponto vale 3,6 calorias. Atualmente, no meu site www.emagrecendo.com.br
existem mais de 4.000 itens relacionados.
No Sistema de Pontos, a pessoa pode comer de tudo, mas precisa ir
anotando o que comeu para controlar o número de pontos ingeridos
num dia e que não pode ultrapassar uma quantidade previamente
calculada de acordo com seu peso, idade, sexo e atividade física.
Não adianta nada a pessoa conhecer a tabela de pontos se não
houver certa interação com uma nova filosofia que pressupõe
conhecimento do processo e determinação.
Hoje vou comer feijoada, mas amanhã farei refeições
menores para compensar. Nas dietas tradicionais o que acontecia? O
sujeito quebrava o regime e comia feijoada. Pronto! Achava que tinha
estragado tudo e desistia da dieta. No Sistema de Pontos, feijoada
não é um prato proibido desde que no dia seguinte a
pessoa consiga compensar a extravagância ingerindo menos calorias.
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Quota pessoal de pontos
Drauzio – Sou médico
formado há mais de 30 anos e quando alguém me pergunta
quantas calorias pode ingerir por dia não sei responder.
Alfredo Halpern – Estabelecer esse dado é complicado
e depende do peso, altura, sexo, atividade física e de quantos
quilos a pessoa quer perder. A regra básica é que homens
devem comer mais ou menos 30 calorias por quilo de peso. Se pesam 80kg,
portanto, devem ingerir 2.400 calorias. Saber isso não adianta
praticamente nada se a pessoa não souber quantas calorias cada
alimento contém.
A imprensa vira-e-mexe pergunta: “Dr., o que a pessoa precisa
fazer quando quer emagrecer?” E eu sempre respondo: Olhe, se fosse
fácil, o Brasil inteiro seria um país de gente magra.
É difícil encontrar uma pessoa que não saiba que
alimentos ricos em gordura e açúcar ajudam a engordar.
No entanto, é preciso aprender a enfrentar esse inimigo para
vencer a batalha, porque em algum momento ele vai aparecer na nossa
frente.
Drauzio – Hoje o mercado de alimentos está
inundado de alimentos diet e light. Esses alimentos podem ser ingeridos
à vontade?
Alfredo Halpern – Existe um estudo mostrando que o consumo
de alimentos light e diet corre paralelo ao ganho de peso dos indivíduos.
Claro que se trata de um viés na análise. O fato é
que quem se preocupa com excesso de peso, isto é, 80% a 90% da
humanidade, tende a escolher esse tipo de alimentos o que não
quer dizer, porém, que possa comê-los ou bebê-los
à vontade. Nada tenho contra eles, mas alguma coisa está
errada. A oferta de produtos novos que se encaixam nessa categoria aumenta
a cada dia, embora os casos de obesidade estejam crescendo assustadoramente.
Como médico, às vezes, me sinto frustrado. Há
anos vou aos meios de comunicação, explico o que está
acontecendo e alerto a população sobre os riscos dessa
doença que é a obesidade. No entanto, me parece que
as pessoas recebem uma informação diferente daquela
que os médicos tentam transmitir.
Os laboratórios Roche e Abott, interessados no assunto porque
produzem medicamentos para controle da obesidade, fizeram uma pesquisa
para saber o que as pessoas pensavam a respeito do excesso de peso
e por que queriam emagrecer. Descobriram que o motivo primordial não
é a saúde. É a auto-estima. Elas querem sentir-se
bem. Não pensam que podem morrer por causa da obesidade. Acham
que isso não vai acontecer com nenhuma delas. Algumas chegam
às minhas mãos em péssimas condições.
Olho para elas e tenho a impressão de que não vão
viver um ano. Estão com diabetes, pressão alta, colesterol
elevado, respiram mal. Quando lhes pergunto como se sentem, invariavelmente
respondem: “estou bem, doutor”. Não tenho dúvida,
porém, de que se conseguirem emagrecer, o quadro clínico
melhorará muito e sua qualidade de vida também.
Drauzio – Sou corredor de maratona. Às
vezes, fica difícil acreditar como certas pessoas com excesso
de peso conseguem correr 42km sem parar. Essas pessoas precisam emagrecer?
Alfredo Halpern – Essas pessoas diminuíram um
fator de risco que é o sedentarismo, mas continuam expostas a
outro fator de risco importante: a obesidade. De qualquer forma, se
compararmos duas pessoas com os mesmos quilos a mais, a que não
corre tem maior probabilidade de sofrer infarto ou derrame cerebral.
Drauzio – Essa preocupação
com o emagrecimento pode virar uma neurose. O indivíduo passa
a vida perseguindo um peso ideal que nada tem a ver com suas características
orgânicas.
Alfredo Helpern – Em geral, é um peso inatingível.
Existem pesquisas, e minha experiência não é outra,
mostrando que as pessoas estabelecem como meta a atingir um peso impossível.
Vamos citar um exemplo. O indivíduo pesava 100kg, emagreceu,
chegou aos 80kg, mas quer pesar 65kg. Não está satisfeito
apesar de ter perdido 20% do peso, o que lhe trará benefício
enorme segundo todos os estudos a respeito do assunto. Se mantiver esse
novo peso para sempre, seu caso foi um sucesso, mas ele se sente fracassado
porque não conseguiu pesar o que havia previamente imaginado.
-
Obesidade: doença crônica
Drauzio – Além
de estar atenta aos hábitos alimentares, o que a pessoa deve
fazer para manter o novo peso?
Alfredo Halpern – A pessoa precisa saber que tem uma
doença crônica, de caráter orgânico, chamada
obesidade. Ela pode não estar doente naquele momento já
que conseguiu perder peso, mas é doente porque seus genes estão
aparelhados de tal forma que ela será obesa se não tomar
cuidado. Depois, precisa aprender a enfrentar as “forças
engordativas”, termo que criei para designar inimigos que estarão
presentes durante toda a sua vida. Se a pessoa que emagreceu, conseguir
manter o novo peso por um bom tempo, as forças engordativas ficarão
mais débeis. Caso contrário, se fortalecem. O organismo
fica impaciente e quer recuperar o que foi perdido. É o famoso
ioiô ou efeito sanfona - engorda, emagrece; engorda, emagrece
– que acontece com muita gente. Pelo que se sabe hoje, é
melhor a pessoa continuar gorda do que se expor a essa perda e ganho
de peso, pois o efeito sanfona é causa de inúmeras doenças.
Drauzio – Não se pode esquecer de
que, quando ocorre perda de peso, o cérebro tende a fazer o organismo
voltar ao peso inicial.
Halpern – Se a pessoa que pesava 120kg chega
aos 80kg e consegue manter esse peso por dois anos, a tendência
para voltar ao peso antigo é menor. Durante o processo de emagrecimento
vão ocorrendo platôs. O inverso é verdadeiro quando
engordamos. Aos 20 anos, o indivíduo pesa 70kg. Com 30, 75kg.
Aos 40, 85kg, porque o organismo vai tendo memória dos novos
pesos. Quando ele chega aos 100kg, é preciso perder peso e ajustar
de novo a sintonia. Isso exige prática. Leva tempo. O Claudir
Franciatto descreve esse processo no livro que escrevemos. Se baixar
a guarda, qualquer um recupera o peso num instante.
Drauzio – Você acha que as mães
têm um pouco de responsabilidade nesse processo de ganho de peso,
já que insistem para os filhos pequenos comerem tudo. “Olhe,
menino, se não raspar o prato, hoje não tem sobremesa”.
Halpern – Embora os casos de obesidade infantil
estejam aumentando, não acho que o problema seja só de
responsabilidade dos pais. Na verdade, o comportamento deles está
mudando. Mesmo assim, como dizia Freud, as mães são sempre
culpadas.
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Estresse também engorda
Drauzio – Os adolescentes
comem muito e não engordam. Aos 50 anos, querem manter o padrão
alimentar dos 20 anos e obviamente ganham peso.
Alfredo Helpern – É uma pena, mas isso acontece.
Eu, por exemplo, comia mais antes do que agora e venho engordando. Sabe
por quê? Porque à medida que o tempo passa, gastamos menos
calorias e, infelizmente, nosso organismo vai transformando músculo
em gordura. Além disso, a cada dia surgem mais evidências
de que o estresse é um fator engordativo. A elevação
dos níveis de cortisol está diretamente ligada à
carga de estresse e ao aumento de peso.
Drauzio – O estresse faz engordar porque
provoca alterações no metabolismo ou porque as pessoas
estressadas comem mais?
Alfredo Halpern – As duas coisas. As pessoas pensam que
estresse engorda porque elas comem mais. Não é só
por isso. Estresse engorda porque provoca alterações metabólicas.
Infelizmente, nossa geração e as que estão vindo
depois de nós têm que aprender a lutar contra mais essa
força engordativa que o estresse representa.