Drauzio - Você disse que com a idade aumenta o risco de desenvolver
câncer de cólon e que, além dos já citados, existe um método de prevenção
altamente eficaz que infelizmente a maioria da população não conhece
ou não tem acesso a ele. É a colonoscopia. Em que consiste esse exame?
Angelita H. Gama - Antes de falar na colonoscopia, quero dizer que
cigarro e álcool também promovem aumento de casos de câncer de intestino
como acontece com os demais órgãos, pulmão, bexiga, etc. Em relação
à prevenção do câncer de reto, o diagnóstico é muito simples, porque
pode ser feito pelo exame de toque retal no consultório. Já o diagnóstico
de câncer de cólon exige um exame chamado colonoscopia, cuja descoberta
representou o maior avanço no conhecimento das doenças do aparelho digestivo.
Ele começou a ser realizado na década de 1970 e, por meio da introdução
de um aparelho longo, flexível à semelhança do que se usa para o estômago
permite a identificação não só de processos inflamatórios como até de
pequenos pólipos. Pólipo é uma verruga que começa bem pequena, do tamanho
de uma cabeça de alfinete, sob a mucosa do intestino. Seu crescimento
(e conseqüentemente a elevação da mucosa) é lento e ele leva de 10 a
15 anos para degenerar-se num câncer. Isso o câncer de intestino tem
de vantagem se comparado com os demais que já se instalam como tumor
maligno. É possível reconhecer o fator que o precede, uma vez que começa
como um pólipo que cresce bem devagarinho.
Drauzio - Isso garante uma longa oportunidade de prevenção…
Angelita H. Gama - Por isso sou entusiamadíssima com a prevenção
do câncer de intestino. A colonoscopia é um exame que detecta precocemente
o câncer, quando ele já existe, e também o previne, pois permite a identificação
e a ressecção do pólipo antes que se torne um tumor maligno ou o diagnóstico
precoce da doença. O procedimento é bastante simples. Passa-se uma alça
por dentro do aparelho, abraça-se a cabeça do pólipo, retira-se e manda-se
examinar. Sem pólipo, não haverá mais câncer.
Drauzio - Na verdade, a colonoscopia é um exame para diagnóstico,
tratamento e prevenção de câncer de intestino.
Anagelita H. Gama - Se o governo tomar consciência dessa verdade,
será benéfico para o indivíduo em particular, para a população em geral,
e muito mais econômico para o próprio governo. Do ponto de vista de
gastos em reais, é muito menos custoso promover a prevenção pela colonoscopia
do que tratar o câncer de intestino que requer atendimento especializado,
demorado e que envolve alta tecnologia, porque nem sempre só a cirurgia
resolve o problema. Com freqüência, é preciso recorrer à quimioterapia
e radioterapia. Adultos com os sintomas já citados, em especial adultos
com anemia, devem obrigatoriamente fazer esse exame, já que nessa faixa
etária ela é a causa mais freqüente de câncer do lado direito do intestino,
uma doença com excelente prognóstico quando diagnosticado precocemente.
Para aqueles que não têm sintomas é indicado um exame preventivo
chamado
rastreamento. Se não nada for encontrado, esse exame deverá ser repetido
só cinco anos depois.
Drauzio - Na imagem 1 aparece um pólipo visto pelo colonoscópio
dentro do intestino.
Angelita H. Gama - Quando o pólipo tem um pedículo, ou seja, esse
rabinho parecido com um cogumelo, é mais facilmente retirado pelo aparelho.
Na imagem 2, aparece a pinça que passou por dentro do aparelho e abraçou
o pedículo que foi extraído e mandado para exame microscópico. Diante
do resultado, o cirurgião ou o gastroenterologista definirá se essa
ressecção foi suficiente ou não. No caso de degeneração maligna ter
comprometido o pedículo, é preciso indicar a ressecção de um segmento
do intestino.
Drauzio - Como nessa fase em que é feita a nova cirurgia a
doença é curável em 100% dos casos, o câncer de cólon não precisaria
existir.
Angelita H. Gama - É uma doença que poderia ser evitada. Não seria
exagero dizer que hoje só terá câncer de intestino quem quiser, pois
se espera que num futuro próximo a população menos favorecida também
tenha acesso aos exames colonoscópicos. 
Drauzio - Dói fazer esse exame?
Angelita H. Gama - Não dói. É um exame rápido, feito sob sedação,
que pode ser realizado no consultório, em ambulatório ou até em hospital.
O único desconforto é que exige uma limpeza do intestino, um preparo
com limonada purgativa que determina uma diarréia intensa.
Drauzio - O intestino precisa estar bem vazio para que se
possa enxergar direito seu aspecto interno.
Angelita H. Gama - Qualquer exame no intestino exige esvaziamento.
Atualmente, já existe a colonoscopia virtual que não requer a passagem
do aparelho. É uma tomografia que registra o diagnóstico. No entanto,
se for detectado um pólipo, temos de recorrer à colonoscopia convencional
para retirá-lo.
-
Sintomas
Drauzio - Hoje se sabe que a incidência de câncer de intestino
é alta, em particular, a de câncer de cólon. Como esse tema deve ser
tratado?
Angelita H. Gama - É importante falar sobre câncer de intestino
porque ele é muito mais freqüente do que se possa imaginar. No Brasil,
a incidência está aumentando cada vez mais, apesar de ser um câncer
que pode ser prevenido e que tem bom prognóstico.
Drauzio - O câncer de intestino, quando se manifesta, que
sintomas provoca?
Angelita H. Gama - O câncer de intestino é traiçoeiro. Quando se
manifesta já é razoavelmente grande porque, na fase inicial, costuma
ser assintomático. Dependendo da localização, os sintomas são diferentes.
Se estiver situado do lado direito do intestino, os principais serão
enfraquecimento, anemia e alteração da freqüência da defecação. Se estiver
do lado esquerdo, há alteração do ritmo intestinal com predominância
de constipação intestinal, ou seja, prisão de ventre. No reto, o principal
sintoma é o sangramento. Sangue e puxo, ou tenesmo, caracterizado pela
vontade periódica de ir ao banheiro e insatisfação provocada pela sensação
de evacuação incompleta são sinais de câncer ou de doença inflamatória
no reto. O câncer de intestino é um câncer traiçoeiro, repito. Qualquer
alteração no ritmo intestinal, constipação, diarréia, anemia, sangue
ou catarro nas fezes e emagrecimento são indícios de que a pessoa pode
estar com a doença.
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Características dos sangramentos
Drauzio - Você falou em sangramento. Eu encontrei pela vida
um número incrível de pessoas com sangramento intestinal por meses,
às vezes anos, que foi atribuído às hemorróidas e só tardiamente ficaram
sabendo que eram portadoras de um tumor maligno. Esse tipo de mal entendido
é freqüente?
Angelita H. Gama - É super comum. Há pacientes que operam as hemorróidas
sem saber que logo acima, no canal anal, existe um tumor de reto. Por
isso, escrevemos um folheto explicativo chamado "Fique de olho" com
o objetivo de informar a população a respeito do assunto e o primeiro
item mencionado é este: "Nem tudo que sangra é hemorróida. Hemorróida
sangra, mas câncer de intestino também". Entretanto, há uma pequena
diferença entre o sangramento da hemorróida, um sangue vivo não misturado
às fezes, e o do câncer que, embora também seja vivo, vem misturado
com elas. Para o paciente leigo é muito difícil estabelecer essa distinção.
Como conseqüência, toda a pessoa que tem sangramento pelo ânus deve
procurar o médico para submeter-se ao exame de toque retal e passar
um aparelho a fim diagnosticar corretamente a doença.
Drauzio - Infelizmente também acontece de a pessoa ser vigilante,
perceber o sangramento, ir ao médico que o atribui erroneamente às hemorróidas
e continuar desenvolvendo câncer de intestino.
Angelita H. Gama - O paciente precisa também aprender a defender-se.
Quando perde sangue, vai ao médico que classifica o sangramento como
hemorróida sem fazer pelo menos o exame de toque retal, não se deve
dar por satisfeito.
Drauzio - Que exames o médico deve normalmente fazer?
Angelita H. Gama - Primeiro, o exame de toque retal, um exame importantíssimo
que deveria ser considerado de rotina. Além desse, no próprio consultório
de um gastrenterologista ou coloproctologista, é possível fazer um exame
endoscópico que permite atingir e avaliar 20cm da parte terminal do
intestino grosso. Esse aparelho se chama retossigmoidoscópio. Com ele,
se faz uma endoscopia semelhante à do estômago para examinar a região
e colher material para biopsia quando existirem lesões.
Drauzio - Você aconselha que todas as pessoas que têm sangramento,
mesmo as que sabem que têm hemorróidas, procurem um médico para fazer
pelo menos um exame de toque retal?
Angelita H. Gama - No mínimo, um exame de toque retal. Isso é imperativo
porque o câncer de reto é muito freqüente e um simples toque retal permite
examinar, além do ânus e do reto, a próstata nos homens e útero, colo
do útero e vagina nas mulheres. O exame de toque retal precisa deixar
de ser tabu. Os pacientes devem ficar à vontade e não se recusar a fazê-lo,
pois assim estarão evitando complicações que podem ser sérias.
-
Fatores de risco
Drauzio - Quais são as pessoas que correm maior risco de desenvolver
câncer de intestino?
Angelita H. Gama - O câncer de intestino, como todos os outros,
é favorecido na sua incidência pelo fator idade. Quem vive muito tempo
provavelmente terá câncer porque certas anormalidades na divisão celular
vão tornado mais freqüentes mutações erradas que favorecem o aparecimento
do tumor maligno. Além disso, quanto mais idade, maior será a exposição
da pessoa aos fatores de risco ambientais.
Drauzio - Com que idade a pessoa começa a ficar mais vulnerável?
Angelita H. Gama - Começa aos 40 anos e a cada década que passa
dobra a possibilidade de desenvolver um câncer colorretal. Além disso,
se a pessoa tiver parentes próximos - mãe, pai, irmão, tio ou avô -
que faleceram por causa de câncer de intestino, o risco aumenta muito.
Por isso, a partir dos 40 anos, quem tem na família caso de câncer no
intestino deve fazer um exame especializado que se chama colonoscopia.
-
Alimentação ideal
Drauzio - Já citamos a idade e os fatores genéticos nos casos
de câncer de cólon. E a alimentação?
Angelita H. Gama - O câncer de intestino têm fatores de risco genéticos
hereditários e genético-ambientais. Neste último grupo, os fatores
dietéticos são muito importantes. Alimentação rica em gordura animal,
pobre em fibra e rica em corantes favorece a incidência desse tipo de
câncer. Gosto de citar os corantes porque são elementos que poderiam
ser eliminados sem prejuízo, principalmente no Brasil onde existem pigmentos
naturais que colorem os alimentos. Corantes são fator de risco porque
liberam nitrosaminas no intestino, substâncias reconhecidamente carcinogênicas.
Se prestarmos atenção, veremos que atualmente as crianças ingerem uma
quantidade enorme de corantes nos doces, balas, pirulitos. Na verdade,
até o algodão doce não é mais branco. É verde, cor-de-rosa…
Drauzio - Vamos especificar o que é uma dieta rica em gordura
e pobre em fibras?
Angelita H. Gama - Na dieta rica em gordura predominam as carnes
gordas. A carne em si não é um fator muito agressivo, mas a gordura
que a acompanha é bastante. Especialmente quando a carne levada à brasa
é muito ruim. O problema é que o carnívoro, em geral, não come verduras,
frutas e cereais. Come carne. Os defumados, assim como os corantes,
contêm substâncias carcinogenéticas. Embora possamos usar azeite, as
frituras devem ser evitadas porque a gordura se decompõe quando vai
ao fogo. Digo evitar e não abolir, pois a alimentação deve ser agradável
ao paladar e variada. Se a pessoa gosta de gordura animal, por exemplo,
não deve privar-se de saboreá-la, mas deve aumentar a quantidade de
cereais ingeridos. Cereais são ricos em fibras que realmente protegem
o intestino porque facilitam a evacuação, uma vez que aumentam o bolo
fecal, aceleram o trânsito intestinal e diminuem o tempo de contato
das substâncias cancerígenas com a parede do intestino.
-
Hábitos intestinais
Drauzio - Para a mucosa intestinal é sempre mais interessante
que o bolo fecal seja grande e passe rapidamente?
Angelita H. Gama - A evacuação ideal deve ser diária e se caracteriza
pelo bolo fecal consistente sem ser duro ou pétreo nem líquido, uma
vez que a evacuação diarréica é ruim para a nutrição da mucosa intestinal.
Drauzio - Os hábitos de evacuação, às vezes, se transformam
num verdadeiro martírio para as pessoas que têm dificuldade para usar
o banheiro e estabelecer horários para o intestino funcionar. Parece
que é ele que comanda a pessoa e não ao contrário como se espera.
Angelita H. Gama - Eu diria que a cabeça comanda o intestino, porque
na realidade é ela que comanda tudo. Quem tem intestino ressecado geralmente
come mal. As pessoas pensam que se alimentam bem, mas uma folhinha de
alface no prato é o suficiente para acharem que comeram salada. É preciso
comer um prato enorme de salada para ingerir os ideais 20 ou 30 gramas
de fibras. Quem não consegue fazer isso, deve complementar com duas
colheres de farelo de trigo ou de outro produto que contenha fibras.
Há vários no mercado que devem ser ingeridos preferencialmente de manhã
adicionados ao leite ou ao suco de laranja, por exemplo. Outra coisa
a ressaltar é que as pessoas, sobretudo as mulheres, comem fibras, mas
não tomam o líquido necessário para a formação do bolo fecal. Mulher
é avessa a tomar líquido, embora devesse tomar pelos menos dez copos
por dia.
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Obstipação nas mulheres
Drauzio - Sua experiência mostra que as mulheres são mais
obstipadas que os homens?
Angelita H. Gama - Tenho certeza disso. São mais obstipadas porque
se alimentam pior. Gostam de docinhos, ricos em hidrato de carbono e,
como têm a preocupação de não engordar, ingerem uma quantidade menor
de alimentos. E também não bebem água. Além disso, são exigentes e não
usam qualquer toalete. Às vezes, têm vontade de ir ao banheiro, mas
não vão. O mecanismo reflexo da evacuação é muito interessante. Se elas
deixam escapar aquele momento, o reflexo só reaparece no dia seguinte,
quando as fezes já estão endurecidas porque houve absorção da água que
continham. Fezes duras, ou fecalitos, são difíceis de eliminar e vêm
a dor, a fissura, as hemorróidas. Progressivamente, para se defenderem,
começam a tomar laxantes e instala-se um círculo vicioso. O intestino
se acostuma, perde o reflexo, e elas são obrigadas a tomar quantidades
crescentes desses remédios. Esse é um problema que se vê todos os dias
no Hospital Universitário, nos hospitais públicos e no consultório.
Drauzio - Existe um número ideal de evacuações diárias?
Angelita H. Gama - É variável. O tamanho do intestino difere de
uma pessoa para outra. As que têm intestino mais longo necessitam de
quantidade maior de fibras e evacuam menos. No entanto, não é o número
de evacuações diárias que importa. O que importa é ir ao banheiro uma
vez ou duas por dia, ou dia sim, dia não, mas sem fazer força para evacuar.
A consistência do bolo fecal deve proporcionar fácil eliminação. Não
pode ser um fecalito duro como pedra, nem diarréia promovida por excesso
de laxantes.
Drauzio - Vida sedentária interfere nos hábitos intestinais?
Angelita H. Gama - Interfere, mas quero mencionar outro fator que
favorece a constipação intestinal nas mulheres. A gravidez deixa o abdômen
mais flácido e o períneo, ou seja, a musculatura entre o reto e vagina,
também mais flácido. Para que as fezes cheguem ao reto é necessário
fazer um movimento de contração abdominal e perineal e é obvio que musculatura
flácida torna mais difícil a eliminação do bolo fecal.
-
Colonoscopia
Drauzio - Você disse que com a idade aumenta o risco de desenvolver
câncer de cólon e que, além dos já citados, existe um método de prevenção
altamente eficaz que infelizmente a maioria da população não conhece
ou não tem acesso a ele. É a colonoscopia. Em que consiste esse exame?
Angelita H. Gama - Antes de falar na colonoscopia, quero dizer que
cigarro e álcool também promovem aumento de casos de câncer de intestino
como acontece com os demais órgãos, pulmão, bexiga, etc. Em relação
à prevenção do câncer de reto, o diagnóstico é muito simples, porque
pode ser feito pelo exame de toque retal no consultório. Já o diagnóstico
de câncer de cólon exige um exame chamado colonoscopia, cuja descoberta
representou o maior avanço no conhecimento das doenças do aparelho digestivo.
Ele começou a ser realizado na década de 1970 e, por meio da introdução
de um aparelho longo, flexível à semelhança do que se usa para o estômago
permite a identificação não só de processos inflamatórios como até de
pequenos pólipos. Pólipo é uma verruga que começa bem pequena, do tamanho
de uma cabeça de alfinete, sob a mucosa do intestino. Seu crescimento
(e conseqüentemente a elevação da mucosa) é lento e ele leva de 10 a
15 anos para degenerar-se num câncer. Isso o câncer de intestino tem
de vantagem se comparado com os demais que já se instalam como tumor
maligno. É possível reconhecer o fator que o precede, uma vez que começa
como um pólipo que cresce bem devagarinho.
Drauzio - Isso garante uma longa oportunidade de prevenção…
Angelita H. Gama - Por isso sou entusiamadíssima com a prevenção
do câncer de intestino. A colonoscopia é um exame que detecta precocemente
o câncer, quando ele já existe, e também o previne, pois permite a identificação
e a ressecção do pólipo antes que se torne um tumor maligno ou o diagnóstico
precoce da doença. O procedimento é bastante simples. Passa-se uma alça
por dentro do aparelho, abraça-se a cabeça do pólipo, retira-se e manda-se
examinar. Sem pólipo, não haverá mais câncer.
Drauzio - Na verdade, a colonoscopia é um exame para diagnóstico,
tratamento e prevenção de câncer de intestino.
Anagelita H. Gama - Se o governo tomar consciência dessa verdade,
será benéfico para o indivíduo em particular, para a população em geral,
e muito mais econômico para o próprio governo. Do ponto de vista de
gastos em reais, é muito menos custoso promover a prevenção pela colonoscopia
do que tratar o câncer de intestino que requer atendimento especializado,
demorado e que envolve alta tecnologia, porque nem sempre só a cirurgia
resolve o problema. Com freqüência, é preciso recorrer à quimioterapia
e radioterapia. Adultos com os sintomas já citados, em especial adultos
com anemia, devem obrigatoriamente fazer esse exame, já que nessa faixa
etária ela é a causa mais freqüente de câncer do lado direito do intestino,
uma doença com excelente prognóstico quando diagnosticado precocemente.
Para aqueles que não têm sintomas é indicado um exame preventivo
chamado
rastreamento. Se não nada for encontrado, esse exame deverá ser repetido
só cinco anos depois.
Drauzio - Na imagem 1 aparece um pólipo visto pelo colonoscópio
dentro do intestino.
Angelita H. Gama - Quando o pólipo tem um pedículo, ou seja, esse
rabinho parecido com um cogumelo, é mais facilmente retirado pelo aparelho.
Na imagem 2, aparece a pinça que passou por dentro do aparelho e abraçou
o pedículo que foi extraído e mandado para exame microscópico. Diante
do resultado, o cirurgião ou o gastroenterologista definirá se essa
ressecção foi suficiente ou não. No caso de degeneração maligna ter
comprometido o pedículo, é preciso indicar a ressecção de um segmento
do intestino.
Drauzio - Como nessa fase em que é feita a nova cirurgia a
doença é curável em 100% dos casos, o câncer de cólon não precisaria
existir.
Angelita H. Gama - É uma doença que poderia ser evitada. Não seria
exagero dizer que hoje só terá câncer de intestino quem quiser, pois
se espera que num futuro próximo a população menos favorecida também
tenha acesso aos exames colonoscópicos. 
Drauzio - Dói fazer esse exame?
Angelita H. Gama - Não dói. É um exame rápido, feito sob sedação,
que pode ser realizado no consultório, em ambulatório ou até em hospital.
O único desconforto é que exige uma limpeza do intestino, um preparo
com limonada purgativa que determina uma diarréia intensa.
Drauzio - O intestino precisa estar bem vazio para que se
possa enxergar direito seu aspecto interno.
Angelita H. Gama - Qualquer exame no intestino exige esvaziamento.
Atualmente, já existe a colonoscopia virtual que não requer a passagem
do aparelho. É uma tomografia que registra o diagnóstico. No entanto,
se for detectado um pólipo, temos de recorrer à colonoscopia convencional
para retirá-lo.
-
Recomendações
Drauzio - Quais são as recomendações para as pessoas que têm
acesso à colonoscopia? Homens e mulheres devem fazer esse exame preventivo?
Com que idade?
Angelita H. Gama - O câncer de intestino incide igualmente em homens
e mulheres. Quem tem casos da doença em familiares de primeiro grau
deve começar a fazer esse exame aos 40 anos. Quem não tem, aos 50, no
máximo aos 60 anos. No folheto que escrevemos para alertar a população,
falamos 60 anos, mas essa idade foi antecipada, nos Estados Unidos,
para 50 anos, porque cada vez mais operamos jovens, porque eles seguramente
estão se alimentando pior. Fast foods, corantes, excesso de álcool e
de cigarros são fatores que promovem o câncer de intestino. Por isso,
seria excelente que todas as pessoas pudessem fazer uma colonoscopia
preventiva por volta dos 50, 60 anos. No entanto, aqueles que apresentam
algum sintoma não têm escolha. Devem obrigatoriamente fazer esse exame
assim que os sintomas aparecerem.
Drauzio - Com que freqüência esse exame deve ser repetido?
Angelita H. Gama - Quando dá negativo, o período mínimo de intervalo
entre um exame e outro é de três anos. Nos Estados Unidos, a recomendação
é repetir a cada cinco anos. No entanto, quem já extraiu um pólipo deve
fazer o exame a cada três anos, no máximo, porque pode ter tendência
a apresentar esses crescimentos anômalos.
Drauzio - Existe alguma indicação específica para a colonoscopia
antes dos 40 anos?
Angelita H. Gama - Só se existirem sintomas como alteração do risco
intestinal, anemia, perda de sangue, dor abdominal, emagrecimento, a
colonoscopia é indicada para pessoas com menos de 40 anos.
Drauzio - Você se referiu várias vezes a alterações do hábito
intestinal. Seria possível caracterizá-lo melhor?
Angelita H. Gama - É o caso do indivíduo que evacuava uma vez por
dia todos os dias e de repente passa três ou quatro dias sem evacuar
ou a evacuar quatro vezes no mesmo dia. Ele mudou a freqüência, mudou
o ritmo intestinal. Se não houve alteração alimentar, essa mudança por
si só é sinal de que deve procurar um médico para avaliação do quadro.