Maria Thereza Piccolo é médica, diretora do Pronto-Socorro para Queimaduras em Goiânia, Estado de Goiás.
Drauzio – Quais os cuidados básicos para impedir que se formem cicatrizes deformantes em pessoas com queimaduras extensas que requerem internação hospitalar?
Maria Thereza Piccolo – O processo de atendimento tem de ocorrer no menor período de tempo possível. Quando se avalia o grande queimado, deve-se levar em consideração a síndrome da resposta inflamatória sistêmica. Essa resposta é uma defesa natural do organismo, mas se houver um desgoverno, ou seja, se o estímulo for maior do que o organismo consegue controlar, o que era bom passa a lesar os tecidos que deveriam permanecer íntegros e perde-se o controle da condução do caso.
Por isso, hoje a conduta é retirar a área queimada que seria o foco do estímulo inflamatório e cobrir rapidamente a região. Há uma gama enorme de produtos que se prestam para isso. A pele de porco, há muito disponível no mercado, por questões econômicas nem sempre é viável, pois os queimados necessitam de longos tratamentos. Assim, na década de 1980, desenvolvemos em nosso serviço um curativo biológico muito eficaz com pele de rã que não era usada pelo ranário. Hoje, ela é vendida ao Pronto-Socorro para Queimaduras para ser preparada como curativo biológico para cobrir as lesões. Em relação à pele do porco e considerando o benefício que traz, o custo da pele de rã é baixo e justifica plenamente o gasto e o esforço dispendidos na sua preparação.