Drauzio – Que tratamento é esse?
MariaThereza Piccolo – Há os tratamentos clínicos
não invasivos baseados na aplicação de malhas
não compressivas, gel de silicone e massagens, às vezes
associadas a cremes com corticóides ou hidratantes, e há
os mais invasivos com injeções de triancinolona e corticóides
tópicos. Em se tratando de cicatrizes pequenas, como as da
acne, pode estar indicada a crioterapia. Como se vê, dependendo
da cicatriz e da fase evolutiva em que se encontra, o tratamento clínico
pode variar muito.
Quando uma cicatriz é hipertrófica, rosada, que coça
e dá fisgadas, o tratamento tem a finalidade de controlar os
sintomas. Existem diferenças histológicas entre uma
cicatriz que já está madura e aquela em fase inicial
de evolução, que serão importantes na escolha
do tratamento.
Drauzio – Quando deve começar o
tratamento depois de uma cirurgia?
Maria Thereza Piccolo – Assim que o cirurgião retirar
os pontos, a cicatriz passa a requerer cuidados. É sempre importante
fazer uma anamnese para avaliar a qualidade de cicatrização
do indivíduo. Se for detectada a tendência para formar
más cicatrizes, é fundamental o início precoce
do tratamento.
Drauzio – Que cuidados uma pessoa deve
tomar logo que a cicatriz se estabelece?
Maria Thereza Piccolo – É preciso hidratar a pele
com creme por causa do prurido provocado pela cicatrização
dos tecidos. Se a coceira for muito intensa, prescrevem-se anti-histamínicos
noturnos por via oral, porque durante o dia a pessoa consegue se policiar
e não se coça, mas à noite a coisa complica.
Se os sintomas forem intensos, acrescenta-se um corticóide
de baixa potência por 10 ou 15 dias no máximo. A superfície
recém-cicatrizada não tolera arranhaduras que podem
inclusive romper os pontos da sutura.
A massagem feita durante a hidratação favorece a ruptura
das traves cicatriciais que poderiam favorecer o surgimento de aderências
num plano irregular na superfície da cicatriz.
Drauzio – Antigamente se dizia que não
valia a pena operar os quelóides porque se formariam outros
no mesmo local. Hoje, há mais recursos de tratamento para eles?
Maria Thereza Piccolo – Quando se chega à conclusão
de que realmente é um quelóide, ou seja, uma cicatriz
com aspecto tumoral, muito protuberante em relação ao
trauma sofrido e se a pessoa apresenta predisposição
relativamente não controlável para formá-los,
a conduta é mais conservadora. Primeiro, porque não
se devem gerar expectativas falsas no paciente. A experiência
mostra que mesmo com infiltração de corticóides
e radiações, a cicatriz queloidiana pode voltar de forma
mais exuberante ainda.
O quelóide verdadeiro, esse que não responde ao tratamento,
é um assunto mal resolvido no campo das cicatrizes, o que não
acontece com a cicatriz hipertrófica que pode chegar ao ponto
de ser completamente retirada, restando apenas o sinal da linha da
sutura.
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Cicatrizes hipertróficas
Drauzio – Há cicatrizes que praticamente
desaparecem enquanto outras ficam hipertróficas. Por que essa
diferença?
Maria Thereza Piccolo – São vários os fatores:
a localização da cicatriz, o tipo de trauma que produziu
a ruptura da pele e a evolução do processo de cicatrização
que passará sempre pelas mesmas fases qualquer que tenha sido
a causa determinante da lesão.
O prolongamento de uma dessas fases, em geral da fase inflamatória
proliferativa, pode deixar uma seqüela no final, embora a tendência
seja o equilíbrio que o indivíduo exerce sobre esse
processo para que tudo ocorra no devido tempo. Por isso, abreviá-lo
aumenta a chance de obter uma cicatriz mais bonita e menos visível.
Drauzio – Existe algum tipo de pele que
favoreça o aparecimento de cicatrizes maiores?
Maria Thereza Piccolo – Pessoas negras têm tendência
a cicatrizar pior, mas não é só o tipo de pele
que pesa. A idade, o tipo de trauma e a fase hormonal também
influem. Por exemplo, a incidência de cicatrizes importantes
é evidente na puberdade ou na gravidez. A queimadura numa mulher
grávida produz cicatriz pior do que numa não grávida.
Drauzio – No caso de cicatrizes por incisão
cirúrgica, como se pode diferenciar uma cicatriz hipertrófica
de um quelóide?
Maria Thereza Piccolo – Lido com cicatrizes há mais
de 20 anos e acredito que sempre existiu a dificuldade de distinguir
histologicamente uma cicatriz hipertrófica de um quelóide.
Na verdade, o quelóide é uma cicatriz hipertrófica
que não respondeu ao tratamento ao longo de um ano.
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Prurido e exposição solar
Drauzio – Como lidar com os sintomas de
cicatrizes que coçam?
Maria Thereza Piccolo – A coceira, o fisgado, o desconforto
que não deixa esquecer que a cicatriz está presente
são sintomas temporários, porque com tratamento ou sem
tratamento ela vai se estabilizar e os sintomas desaparecerão.
O importante é que a pessoa não coce, não agrida
a cicatriz com arranhaduras. Aqui cabe aquela velha frase –
“comer e coçar é só começar”.
Passar a mão sobre a área cicatrizada é estímulo
suficiente para ampliar a sensação de prurido.
Drauzio - Cicatriz pode tomar sol?
Maria Thereza Piccolo - Grandes queimaduras provocam grandes
cicatrizes. Essas áreas perdem a capacidade de eliminar o calor
através do suor e o controle da temperatura corporal fica comprometido
especialmente em ambientes aquecidos. Por isso, o paciente precisa
saber que não deve se expor ao sol e deve usar filtro solar
para proteger a cicatriz como faria com a pele de qualquer outra parte
do corpo.
Pequenas cicatrizes não representam grande problema. Depois
de uma cirurgia, por exemplo, a pessoa não deve tomar sol no
local enquanto a cor da cicatriz não tiver adquirido a tonalidade
normal da pele.
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Tratamento das cicatrizes
Drauzio – Que tratamento é esse?
MariaThereza Piccolo – Há os tratamentos clínicos
não invasivos baseados na aplicação de malhas
não compressivas, gel de silicone e massagens, às vezes
associadas a cremes com corticóides ou hidratantes, e há
os mais invasivos com injeções de triancinolona e corticóides
tópicos. Em se tratando de cicatrizes pequenas, como as da
acne, pode estar indicada a crioterapia. Como se vê, dependendo
da cicatriz e da fase evolutiva em que se encontra, o tratamento clínico
pode variar muito.
Quando uma cicatriz é hipertrófica, rosada, que coça
e dá fisgadas, o tratamento tem a finalidade de controlar os
sintomas. Existem diferenças histológicas entre uma
cicatriz que já está madura e aquela em fase inicial
de evolução, que serão importantes na escolha
do tratamento.
Drauzio – Quando deve começar o
tratamento depois de uma cirurgia?
Maria Thereza Piccolo – Assim que o cirurgião retirar
os pontos, a cicatriz passa a requerer cuidados. É sempre importante
fazer uma anamnese para avaliar a qualidade de cicatrização
do indivíduo. Se for detectada a tendência para formar
más cicatrizes, é fundamental o início precoce
do tratamento.
Drauzio – Que cuidados uma pessoa deve
tomar logo que a cicatriz se estabelece?
Maria Thereza Piccolo – É preciso hidratar a pele
com creme por causa do prurido provocado pela cicatrização
dos tecidos. Se a coceira for muito intensa, prescrevem-se anti-histamínicos
noturnos por via oral, porque durante o dia a pessoa consegue se policiar
e não se coça, mas à noite a coisa complica.
Se os sintomas forem intensos, acrescenta-se um corticóide
de baixa potência por 10 ou 15 dias no máximo. A superfície
recém-cicatrizada não tolera arranhaduras que podem
inclusive romper os pontos da sutura.
A massagem feita durante a hidratação favorece a ruptura
das traves cicatriciais que poderiam favorecer o surgimento de aderências
num plano irregular na superfície da cicatriz.
Drauzio – Antigamente se dizia que não
valia a pena operar os quelóides porque se formariam outros
no mesmo local. Hoje, há mais recursos de tratamento para eles?
Maria Thereza Piccolo – Quando se chega à conclusão
de que realmente é um quelóide, ou seja, uma cicatriz
com aspecto tumoral, muito protuberante em relação ao
trauma sofrido e se a pessoa apresenta predisposição
relativamente não controlável para formá-los,
a conduta é mais conservadora. Primeiro, porque não
se devem gerar expectativas falsas no paciente. A experiência
mostra que mesmo com infiltração de corticóides
e radiações, a cicatriz queloidiana pode voltar de forma
mais exuberante ainda.
O quelóide verdadeiro, esse que não responde ao tratamento,
é um assunto mal resolvido no campo das cicatrizes, o que não
acontece com a cicatriz hipertrófica que pode chegar ao ponto
de ser completamente retirada, restando apenas o sinal da linha da
sutura.
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Primeiros cuidados com a queimadura
Drauzio – No caso das queimaduras, pouca
coisa em medicina o conhecimento popular indica tantas condutas erradas.
Se uma pessoa se queima, logo aparece alguém aconselhando a
passar manteiga, pomadas, pasta de dente ou esfregar a lesão
nos cabelos. Qual o primeiro cuidado que a pessoa deve tomar numa
situação dessas?
Maria Thereza Piccolo – É fundamental que se resfrie a área
queimada e a maneira mais fácil, simples, econômica e
eficaz de fazê-lo é abrir uma torneira e colocar a zona
afetada pela queimadura embaixo da água corrente. Em cinco
ou dez minutos, a sensação de ardor e queimação
vai diminuir. Ao sentir que isso aconteceu, a pessoa deve enxugar
o mais delicadamente possível a área e embrulhá-la
com um pano para protegê-la. Como a pele foi destruída,
é preciso refazer a barreira natural porque o contato com o
ar estimula as terminaçõenervosas e provoca mais dor.
Soprar ou abanar a região comprometida é totalmente
contra-indicado, porque além de aumentar a dor, pode contaminar
a lesão.
Infelizmente, algumas coisas que as pessoas dizem que funcionam nesses
casos, funcionam mesmo, mas devem ser evitadas. Passar pasta de dente
garante certo alívio porque a pasta é úmida,
resfria o local e em contato com o ar forma uma crosta que isola o
ferimento. A grande desvantagem está no fato de que a lesão
pode aumentar de tamanho quando a pasta tiver de ser retirada.
Drauzio – Então, o conselho é
pôr água e mais nada.
Maria Thereza Piccolo – Pôr água e embrulhar
e região. Outra recomendação importante é
manter a calma, porque o estado psicológico pode interferir
negativamente nessa situação.
O alívio da dor vai depender muito do agente que causou a queimadura.
Se for um agente térmico, o alívio é mais rápido,
em 15 ou 20 minutos a dor diminui. Se for químico, levará
uns 30 minutos. Já as bases causam lesões mais profundas
e às vezes é preciso ficar por uma ou duas horas debaixo
da água corrente para neutralizar sua ação.
O grande parâmetro é o alívio da dor. Quando ela
tiver acalmado, chegou o momento de secar e ocluir a lesão.
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Cuidados com as bolhas
Drauzio – Há quem diga que pôr
a mão na água quando se queima ajuda a formar bolhas.
Isso é verdade?
Maria Thereza Piccolo– Não é. A formação
de bolhas (Imagem 2) depende da profundidade da lesão, ou seja,
em que nível a derme foi atingida. Uma queimadura de espessura
parcial, vulgarmente conhecida como queimadura de segundo grau, provoca
a formação de bolhas, enquanto as de espessura total
(queimaduras de terceiro grau), mais profundas e mais graves, não
formam bolhas porque houve morte dos tecidos superficiais.
Drauzio – É importante lembrar que
as bolhas nunca devem ser rompidas.
Maria Thereza Piccolo – No ambiente doméstico, as
bolhas jamais devem ser rompidas. Embora a literatura registre que
a pele sobre a bolha não mais constitui uma barreira e que
teoricamente poderia ocorrer contaminação, acredito
ser melhor não romper a bolha e usar essa pele como curativo
biológico.
Faço parte de um serviço que considera a queimadura
um abscesso plano que deve ser limpo num ambiente cirúrgico
controlado, com equipamento estéril e a pessoa devidamente
anestesiada, se necessário, para suportar a dor.
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Cicatrizes em queimados
Drauzio – Quais os cuidados básicos
para impedir que se formem cicatrizes deformantes em pessoas com queimaduras
extensas que requerem internação hospitalar?
Maria Thereza Piccolo – O processo de atendimento tem de
ocorrer no menor período de tempo possível. Quando se
avalia o grande queimado, deve-se levar em consideração
a síndrome da resposta inflamatória sistêmica.
Essa resposta é uma defesa natural do organismo, mas se houver
um desgoverno, ou seja, se o estímulo for maior do que o organismo
consegue controlar, o que era bom passa a lesar os tecidos que deveriam
permanecer íntegros e perde-se o controle da condução
do caso.
Por isso, hoje a conduta é retirar a área queimada que
seria o foco do estímulo inflamatório e cobrir rapidamente
a região. Há uma gama enorme de produtos que se prestam
para isso. A pele de porco, há muito disponível no mercado,
por questões econômicas nem sempre é viável,
pois os queimados necessitam de longos tratamentos. Assim, na década
de 1980, desenvolvemos em nosso serviço um curativo biológico
muito eficaz com pele de rã que não era usada pelo ranário.
Hoje, ela é vendida ao Pronto-Socorro para Queimaduras para
ser preparada como curativo biológico para cobrir as lesões.
Em relação à pele do porco e considerando o benefício
que traz, o custo da pele de rã é baixo e justifica
plenamente o gasto e o esforço dispendidos na sua preparação.
-
Curativos com pele de rã
Drauzio – Como a pele de rã é
preparada?
Maria Thereza Piccolo – Para preparar adequadamente a pele
de rã, contamos com a assessoria de um microbiologista. A pele
é lavada exaustivamente e realizada uma cultura em cada etapa
do processo. Depois é recortada, enrolada e posta numa solução
de antibiótico onde é estocada por muito pouco tempo
porque logo é utilizada e nunca tivemos complicações
infecciosas.
Drauzio – Como funciona a pele de rã
nas queimaduras?
Maria Thereza Piccolo - Colocada diretamente sobre a área
queimada, funciona como se fosse a própria pele do paciente.
Como os queimados são imunodeprimidos, demoram para perceber
que aquela pele não é a sua, e a rejeição
é mais tardia.
A pele de rã adere completamente e dá ao paciente enorme
conforto. Um dos grandes problemas das queimaduras é a intensidade
da dor. A pele de rã alivia a dor e ajuda no tratamento fisioterápico
e na movimentação. Se porventura aparece debaixo dela
algo que exija o uso tópico de um antibiótico mais agressivo,
o paciente pede, pelo amor de Deus, que a pele seja colocada novamente.
Drauzio – A pele da rã é
tão pequenininha. Existe material suficiente para atender todos
os casos?
Maria Thereza Piccolo – A rã que dá a pele
é relativamente grande. Nós conseguimos lâminas
de pele com mais ou menos 15cm/18cm por 8cm/10cm. Um braço
usa muita pele, sem dúvida, mas contamos com fornecedores de
um produto que não era aproveitado nos ranários.
-
Importância do tratamento precoce
Drauzio – O cuidado com pessoas que sofreram
queimaduras mais extensas é bastante prolongado e envolve a
minimização das seqüelas cicatriciais. Que cuidados
são esses a médio e longo prazo?
Maria Thereza Piccolo – Conviver com cicatrizes é
difícil e estigmatizante. A sociedade cobra dos portadores
um preço muito alto. Por isso, as pessoas precisam ser tratadas
logo porque a formação da cicatriz hipertrófica
é previsível antes mesmo da regeneração
total do tecidos.
A área queimada não se regenera, não se reepiteliza
por igual e ao mesmo tempo. Por isso, o tratamento deve começar
pelas partes que já cicatrizaram. Em geral, é um tratamento
clínico não invasivo que se baseia no uso da malha compressiva,
na massagem e no gel de silicone.
Drauzio – Em que consiste cada um desses
elementos?
Maria Thereza Piccolo – A área da cicatriz deve
ser bem lavada antes de ser hidratada, pois a hidratação
é fundamental para aliviar a coceira. Em seguida, coloca-se
a malha compressiva que deve ser usada as 24 horas do dia e retirada
apenas para limpeza e higienização.
O gel de silicone, que não é melado e parece uma borrachinha,
deve ser aplicado sobre a cicatriz no mínimo durante doze horas.
Ele é muito eficaz para estabilizá-la. Como em todas
as cicatrizes surge inchaço que retém as substâncias
liberadas, o gel de silicone ajuda a eliminar água e controlar
o inchaço. Associado à malha compressiva, contribui
para diminuir significativamente o prurido.
A massagem é feita sempre antes do uso da malha que deve ser
retirada para higiene pela manhã e à noite. Geralmente
se recomenda que o gel seja usado à noite para evitar que a
sudorese provocada pelo calor ou pela atividade do dia-a-dia provoque
um tipo de brotoeja que pode ser confundida com alergia ao silicone.
-
Resposta ao tratamento


Drauzio
– Vamos mostrar um exemplo do tratamento clínico
que deve ser contínuo e diário. (imagem 3)
Maria Thereza Piccolo - Além disso, deve ser mantido
pelo tempo que for necessário. As pessoas sempre ficam ansiosas
para saber qual a duração do tratamento. Isso é
muito difícil de responder porque depende de um processo evolutivo.
Na maioria dos casos, leva de oito meses a um ano, mas em crianças
pode estender-se por até três anos.
Para exemplificar, vamos observar imagens seqüenciais de uma
cicatriz. Provavelmente,
a criança se queimou com líquido aquecido porque há
lesões no couro cabeludo, na face e no ombro. Esse é
um acidente típico na infância, e 70% dos casos ocorrem
com crianças de zero a quatro anos. Por isso, fica aqui um
alerta. Crianças não devem entrar na cozinha durante
o preparo das refeições. É melhor deixá-la
chorando do lado fora do que chorando do lado de dentro por ter sido
vítima de um acidente que sem querer provocou.
A imagem 3 mostra o estágio inicial da cicatrização.
Está se formando uma cicatriz hipertrófica avermelhada
e alta que provoca intenso desconforto. A imagem 4 deixa ver que a
parte superior ficou menos evidente com o uso da malha e do silicone,
com a massagem e a hidratação. Já na imagem 5,
pode-se
notar que houve normalização da cor, textura e altura
dessa cicatriz. Com isso, a criança passou a levar vida relativamente
normal, sem o incômodo de chamar muita atenção
por onde andava.
Drauzio – É impressionante como
são estigmatizadas essas crianças pelos colegas na escola,
porque criança quando quer ser cruel, sempre consegue.
Maria Thereza Piccolo – A medicina evolui muito nesse aspecto
e chegamos a um ponto que é possível retirar as cicatrizes.
Sempre digo a meus pacientes que eles devem ser tratados enquanto
se sentirem incomodados. A sociedade realmente estigmatiza essas pessoas
que contam hoje com a possibilidade da retirada completa da cicatriz
pela expansão dos tecidos.
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Expansão dos tecidos
Drauzio – Como é feita a expansão
de tecidos?
Maria Thereza Piccolo – A expansão de tecidos é
feita por meio de uma bolha de silicone que é implantada numa
área de pele sã ao lado da cicatriz indesejada. Conectada
a uma válvula, a bolha vai sendo expandida, em geral, durante
três a seis meses. Quando a capacidade do expansor é
atingida, ele é retirado e o retalho de pele que se formou
pode ser usado para substituir uma parte da cicatriz. Depois de três
meses a operação pode ser repetida e no final sobra
apenas o sinal da linha de sutura. É algo semelhante ao que
acontece durante a gravidez. A pele da barriga se expande e depois
do parto volta ao normal. No caso das cicatrizes, essa pele é
aproveitada para recompor o que foi lesado pela queimadura.