Dr. Alois Bianchi, médico pediatra, introduziu o tratamento especializado em câncer infantil no Brasil, em 1964. Diretor do Departamento de Pediatria Oncológica do Hospital AC Camargo, o Hospital do Câncer de São Paulo, é um dos autores do livro “A criança com câncer – O que devemos saber?” (Saúde –Comunique Editorial), organizado pela equipe do Departamento de Pediatria do Hospital do Câncer.
Drauzio – Nos casos mais graves, infelizmente fatais, como a criança lida com a perspectiva da limitação progressiva? Ela chega a perceber que vai morrer?
Alois Bianchi – Nas faixas de idade mais baixas, a criança sente que está muito doentinha, muito desconfortada, mas não tem claro o que isso possa significar. A partir dos dez anos, é nítida sua percepção de que pode estar chegando ao final.
Hoje, felizmente, nosso departamento possui uma UTI pediátrica oncológica para onde as crianças são encaminhadas precocemente com o acompanhante, porque podemos prever quando ela vai passar por uma fase difícil provocada pela quimioterapia, pela baixa de resistência ou pela cirurgia e esse encaminhamento precoce faz com que em torno de 70% delas recebam alta da UTI.
Apesar de todos os cuidados, porém, algumas crianças vão morrer. Essas vão perdendo a noção de como está evoluindo a doença. Ficam mais apáticas, dormem mais. De qualquer forma, o desconforto que poderiam sentir nessa fase terminal é muito menor porque temos a capacidade de sedá-las convenientemente.