Drauzio – Em geral, o melanoma maligno
é um tumor que aparece sobre pintas já existentes e
que apresentam alguns sinais importantes. Quais são eles? 
Ivan de Oliveira Santos – Na imagem 2, aparece uma lesão
pigmentada característica que exige, pelo menos, uma biópsia.
Chama a atenção sua assimetria, ou seja, se cortarmos
a lesão no meio, uma metade não vai se sobrepor sobre
a outra horizontal e verticalmente. Outra característica importante
são as bordas irregulares, semelhantes ao desenho do litoral
num mapa geográfico. Não se trata de uma lesão
redondinha, própria das lesões benignas. A terceira
característica está na multiplicidade de cores. Há
partes róseas, outras mais escuras, outras negras, marrons,
cor de bronze e alaranjadas. As lesões benignas não
são assim. Por fim, chama a atenção o diâmetro
maior do que 6mm, uma medida que corresponde ao tamanho do fundo de
um lápis.
Portanto, a regrinha básica para reconhecer um melanoma maligno
e a do ABCD: A de assimetria, B de bordas irregulares, C de cor e
D de diâmetro. Se a pessoa tiver uma pinta com três dessas
características, deve procurar imediatamente um médico.

Drauzio – Na imagem 3, quais são
as características que devem ser notadas?
Ivan de Oliveira Santos – Essa lesão parece ser grande,
é assimétrica, tem bordas irregulares e cores diferentes.
É negra apenas numa das pontas e de outra cor no restante do
nevo. Na imagem 4, também existe uma multiplicidade de cores
e contornos irregulares. No centro, há uma área despigmentada
que, às vezes, pode indicar uma área de regressão,
isto é, a pinta foi se modificando e perdeu a cor escura que
havia naquele lugar. Já a imagem 5 apresenta um nevo difícil
de ser encontrado. É
provável
que se trate de um nevo displásico e atípico que pode
transformar-se numa lesão maligna. Como é uma lesão
assimétrica, tem bordas irregulares e multiplicidade de cores
precisa ser retirada.
Drauzio – Há uma crença que
pintas com pêlos como essa são sempre nevos benignos.
Isso é verdade?
Ivan de Oliveira Santos – Não é. Principalmente
os nevos congênitos podem ter pêlos e apresentar sinais
de malignidade ou transformar-se numa lesão maligna.
Drauzio – Quais as características
da lesão configurada na imagem 6?
Ivan de Oliveira Santos – É uma lesão um pouco mais
saliente, assimétrica, com bordas irregulares, cores diferentes
e diâmetro maior. Essa lesão vegetante indica um caso
grave de um melanoma em evolução. É evidente
que quanto mais espessa a lesão,
maior
a possibilidade de ter-se aprofundado e dado origem a metástases,
ou raízes.
Drauzio – Quanto mais espessa e alta a
lesão e quanto mais profunda for, pior?
Ivan de Oliveira Santoa - Pior. A imagem 7 mostra um melanoma do tipo
disseminativo e superficial. Possui multiplicidade de cores, assimetria
e bordas irregulares, sinais indicativos de possível malignidade.
Outra característica que pode se manifestar nos melanomas é
a coceira. Se a pessoa diz – “doutor, esta pinta está
coçando” - o médico deve observar bem a lesão.
O prurido indica que a pinta não é estável e
que pode estar crescendo.
Drauzio – Pinta que coça deve sempre
ser retirada?
Ivan de Oliveira Santos – Deve sempre ser observada. Às
vezes, trata-se de uma queratose seborréica, uma lesão
superficial sem complicações. No entanto, isso não
invalida que a lesão seja acompanhada atentamente.
Drauzio – Essa lesão da imagem 8
é irregular, mas bem redondinha. Que outras características
apresenta?
Ivan de Oliveira Santos – Ela apresenta uma pigmentação
diferente na parte inferior, é mais clara no meio e um pouco
mais espessa, mais saliente. É um tipo de lesão que
precisa ser retirada.
Provavelmente, trata-se de um melanoma nodular que nasceu em cima
de uma pinta. Veja que na parte lateral direita parece uma pinta,
mas na borda cresceu um nódulo, isto é, já se
formou um caroço ali.
Nem todos os melanomas nascem em cima de pintas. Eles podem nascer
numa pele normal e irem aumentando de tamanho. Muitas vezes, a primeira
manifestação do melanoma nodular é um caroço
que surge sem apresentar a fase pré-neoplásica.
A imagem 9 mostra um caso mais grave: um melanoma volumoso e já
ulcerado. A ulceração sempre indica um prognóstico
pior.
Drauzio – Pinta que sangra deve ser retirada
sempre, não é mesmo?
Ivan de Oliveira Santos – Tem que retirar sempre. Antigamente,
aprendia-se na escola que o melanoma era um caroço ulcerado
do qual saía sangue e que, muitas vezes, doía. Por isso,
o diagnóstico era feito tardiamente. Hoje, tentamos fazê-lo
cada vez mais cedo, tanto observando as características preconizadas
pela regrinha do ABCD como pela dermatoscopia. Assim, conseguimos
curar muito mais casos de melanoma do que curávamos no passado.
No Hospital do Câncer, por exemplo, a maioria dos pacientes
que recebíamos tinham lesões avançadas. Isso
está mudando. As pessoas estão mais informadas o que
facilita a prevenção secundária, ou seja, a possibilidade
de acompanhar as pintas que nasceram ou estão crescendo e que
apresentam características como assimetria, bordas irregulares
e multiplicidade de cores. Resultado: pegamos lesões iniciais
que podem ser curadas em quase 100% dos casos, dependendo da espessura.
Se a espessura for maior do que 4mm, porém, aumenta a probabilidade
de formação de metástases o que complica o quadro
e dificulta a cura.