Drauzio – Quais são os medicamentos que os idosos tomam com mais freqüência?
Fabiano Rocha – São os psicotrópicos. Nós observamos que quanto mais idoso, mais medicamentos desse tipo são utilizados. Alguns pacientes os tomam para ficar um pouco mais calmos sem que o médico tenha definido exatamente o porquê da agitação que os perturba. Outros, porque têm dificuldade para dormir.
Embora possam ocorrer alterações de sono ao longo do processo de envelhecimento, do ponto de vista fisiológico, esses medicamentos não deveriam ser indicados antes de investigação precisa da causa desse distúrbio, porque ele pode estar relacionado a certas doenças que merecem diagnóstico e tratamento específico.
Drauzio – Uma das alterações mais freqüentes que surgem com a idade são mesmo as de sono. Há pessoas que levantam à noite, ficam agitadas, vão para a cozinha, acendem o fogo e não o apagam antes de voltar para o quarto. A família assustada pede ao médico que prescreva alguma coisa para o idoso dormir. Aí, o médico receita o primeiro remédio, que não funciona direito. Receita o segundo, às vezes faz associações de medicamentos e vai ficando difícil diferenciar o que é propriamente alteração do sono do que é efeito da medicação.
Fabiano Rocha – Numa situação como essa, a primeira medida é suspender toda a medicação para entender o que pode estar acontecendo com o paciente. Enquanto ele estiver sob efeito dos medicamentos, a análise será distorcida. Nunca se deve, porém, a priori considerar essas manifestações adversas como normais dentro do processo de envelhecimento. Eventualmente, podem estar associadas a alterações comportamentais provocadas por uma infecção ou a outras doenças ainda não diagnosticadas, como podem ser decorrentes de uma patologia neurocerebral, por exemplo, a doença de Alzheimer.
Drauzio – É normal a pessoa de idade apresentar alterações de sono?
Fabiano Rocha – Podemos dizer que, durante o processo de envelhecimento, as pessoas vão ficando com o sono mais leve. No entanto, o número de horas que dormem é muito parecido com o que dormiam quando jovens.
Há alguns aspectos da dinâmica do sono dos idosos que a família precisa entender melhor até para conseguir ajudar. É freqüente encontrar pacientes que dormem cedo por pura questão de hábito. Conseqüentemente, acordam muito cedo, lá pelas 4 ou 5 horas da manhã. Mas, se computarmos as horas que dormiram, apesar de terem levantado muito cedo, perceberemos que foi um número bastante adequado.
No entanto, eles podem estar acordando por alguns outros motivos que precisam ser investigados. Nos homens, por exemplo, é muito comum o sono ser interrompido pela necessidade de ir ao banheiro para urinar.