Drauzio – Quando você recebe alguém e suspeita que seja um caso de câncer de pulmão, que conduta adota?
Riad Younes – Inicialmente, fazemos exames rápidos para auxiliar o diagnóstico. Um simples raios X de pulmão pode revelar a existência de tumores pequenos, com 1cm/1,5cm. Se o exame físico do doente ou a radiografia sugerirem alguma alteração, pedimos uma
tomografia, exame que oferece imagens mais detalhadas da área sob suspeita. A seguir, é fundamental fazer uma broncoscopia, exame semelhante à endoscopia gástrica. O médico introduz um tubo bem fino para olhar se há alguma lesão que lembre câncer na traquéia ou nos brônquios do paciente.
Drauzio – Embora a imagem 2 esteja pouco nítida, dá para perceber uma elevação na parede do brônquio.
Riad Younes – Essa é a imagem de um tumor que está ocupando a parte interna do brônquio, como se uma verruga tivesse crescido dentro dele. Introduzindo o broncoscópio, o médico retira um fragmento desse tecido que cresceu e manda examinar.
Não há como diagnosticar câncer sem biopsia. Mesmo que o paciente seja fumante, a radiografia e a tomografia indiquem alterações com cara de câncer, sem biópsia ninguém está autorizado a dizer para o paciente que ele tem câncer.
Drauzio – O que deve ser observado na imagem 3?
Riad Younes – Nessa imagem aparece um tumor que ocupa parte da entrada de um brônquio. Se essa tumoração crescer um pouco mais, vai bloquear a passagem de ar e uma área do pulmão deixará de recebê-lo. Como conseqüência, o doente respira com mais dificuldade e tem falta de ar. 
A mancha preta que se pode ver na tomografia apresentada na imagem 4 é resultado do ar contido nos dois pulmões. No pulmão direito, a bola grande e irregular que cresce em todas as direções é um tumor que lembra um câncer, mas sem biópsia isso não passa de mera suposição.
Drauzio – Os pulmões têm uma superfície de ventilação muito grande. Se fossem esticados, cobririam uma quadra de tênis. Por isso, um tumor pequeno não interfere no funcionamento pulmonar. Quando o fumante tem a sorte de eliminar sangue na secreção porque um vaso foi rompido por esse tumor, se assusta e vai ao médico. Caso contrário,o tumor pode crescer silenciosamente durante anos sem apresentar um único sintoma, não é?
Riad Younes – O tumor que aparece na tomografia está no paciente há no mínimo 5 ou 6 anos e é óbvio que ele não sentiu nada durante esse período, se não teria procurado um médico. Esse é um dos grandes problemas do câncer do pulmão. O primeiro sintoma demora muito para se manifestar e às vezes quando o faz já espalhou metástases.
Drauzio – Você poderia explicar a imagem 5?
Riad Younes – É o pulmão preto de um fumante que infelizmente precisou ser retirado inteiro para extirpar o câncer com segurança. A mancha esbranquiçada indica que se trata de um tumor grande, pois além de ocupar espaço no pulmão, está invadindo os brônquios e o pulmão normal a ponto de atrapalhar a função pulmonar.
Drauzio – A pessoa vive bem sem um dos pulmões?
Riad Younes – Depende do estrago que o cigarro provocou. Se formos obrigados a retirar um pulmão daqueles 10% de não-fumantes que podem contrair a doença, verificaremos que eles retomam as atividades normais com algumas pequenas limitações. Está claro que não serão atletas olímpicos, mas voltarão a nadar, andar, correr, etc. No dia-a-dia, é quase imperceptível a perda de um pulmão se o outro estiver saudável.

O grande problema ocorre com fumantes que perdem um pulmão. Em geral, o que sobrou também está afetado pelos danos do cigarro e a oxigenação fica seriamente comprometida.
Drauzio – A imagem 6 é de um caso bastante avançado. Quase a metade do pulmão está tomada pelo tumor, não é?
Riad Younes – É um caso grave. O tumor já atravessou o pulmão e penetrou na musculatura. A faixa amarela na parte superior indica que um pedaço de músculo aderiu ao tumor e isso dói bastante. A cirurgia não pôde limitar-se em retirar o tumor. Para maior segurança, foi necessário tirar também um pedaço das costelas e dos músculos ao redor do pulmão doente.