DrauzioVarella.com.br

Drauzio Varella.com.br

[ minha área ] [ entre ]
adicione

plugin de busca

buscar
  • estação saúde
  • entrevistas
  • artigos
  • espaço médico
  • interativo
    • infográficos
    • aplicativos
    • testes
  • enciclopedia
  • espaço cultural
    • conversas
    • livros
    • filmes
    • blog
Carregando...

Titulo

Mensagem

ok
  • Artigos >
  • drogas

Maconheiro velho

 
reduzir / aumentar

Todo maconheiro velho reclama da qualidade da maconha atual. Perto da maconha daquele tempo, dizem, a de agora é uma palha sem graça.

A observação é paradoxal, porque a maconha de hoje tem concentrações muito mais altas de THC, o componente psicoativo da planta, do que as contidas nos baseados de 20 anos atrás.

A queixa procede, no entanto. O THC inalado, ao chegar ao cérebro, libera quantidades suprafisiológicas de neurotransmissores - como a dopamina - associados às sensações de prazer e de recompensa. Como tentativa de adaptação à agressão química representada pela repetição do estímulo, os circuitos de neurônios envolvidos na resposta, sobrecarregados, perdem gradativamente a sensibilidade à droga, produzindo concentrações cada vez mais baixas dos referidos neurotransmissores. Nessa fase, a nostalgia toma conta do espírito do usuário.

É por causa desse mecanismo de tolerância ou dessensibilização que o prazer induzido não apenas pelo THC, mas por qualquer droga psicoativa diminui de intensidade com a administração prolongada. Se é assim, por que o usuário crônico insiste na busca de uma recompensa que não mais encontrará? Por que fraqueja depois de ter jurado parar? Por que alguém cheira cocaína mesmo quando vive o terror das alucinações persecutórias toda vez que o faz?

A resposta está nos circuitos de neurônios responsáveis pela motivação, memória e aprendizado.

Estudos recentes mostram que a memória e o processo de aprendizado, bem como a exposição do cérebro a drogas psicoativas, modificam a arquitetura das sinapses (o espaço existente entre dois neurônios através do qual o estímulo é modulado ao passar), dando início a uma cadeia de eventos moleculares capazes de alterar o comportamento individual por muito tempo.

Esse mecanismo comum permite entender por que a "fissura" associada à abstinência costuma ser disparada por memórias ligadas ao consumo da droga. Conscientemente, o usuário pode decidir tomar outra dose ao recordar a euforia ou a felicidade sentida anteriormente. Outros estímulos podem causar efeito semelhante: a visão do cachimbo de crack, o tilintar do gelo no copo, o esconderijo para fumar maconha. Mas existem lembranças mais abstratas (um cheiro, uma música, um fato, uma luminosidade) que podem induzir à procura da droga mesmo na ausência de percepção consciente.

Não faz sentido falar generalizadamente em "efeito das drogas", visto que cada uma age segundo mecanismos farmacológicos específicos. Mas, se existe um efeito comum a todas elas, é a estimulação dos circuitos cerebrais de recompensa mediada pela liberação de dopamina, através da interação da droga com receptores localizados na superfície dos neurônios.

Está fartamente documentado que o bombardeio incessante desses neurônios reduz progressivamente o número de receptores que respondem à dopamina. À medida que o cérebro fica menos sensível à dopamina, o usuário começa a perder a sensibilidade às alegrias cotidianas: namorar, assistir a um filme, ler um livro. O único estímulo ainda suficientemente intenso para ativar-lhe os circuitos da motivação e do prazer é o impacto da droga nos neurônios.

Essa inversão de prioridades motivacionais torna seus atos incompreensíveis. Não é verdade que o adolescente rouba o salário da mãe para comprar crack porque não tem amor por ela; ele o faz simplesmente porque gosta mais do crack.

A maioria dos ex-usuários que se libertaram da dependência de uma droga se queixa de que é preciso lutar pelo resto da vida contra a tentação de recair. Não conhecemos com exatidão os passos pelos quais as drogas psicoativas induzem alterações permanentes no cérebro. Mas os especialistas suspeitam que a resposta esteja nas distorções que elas provocam na estrutura das sinapses.

Nos últimos anos, foi demonstrado que, durante o processo de memorização, surgem novas ramificações nos neurônios. E que esses novos prolongamentos vão estabelecer sinapses duradouras com neurônios da vizinhança, aumentando a complexidade e a versatilidade da circuitaria nas áreas do cérebro que coordenam a memória.

Quando sensibilizamos camundongos à cocaína, ocorre fenômeno semelhante: surgem novas ramificações e novas sinapses, mas nos neurônios situados nas áreas que controlam os sistemas de recompensa e de tomada de decisões.

Os circuitos envolvidos no aprendizado e na memória estão sendo vasculhados pelos que estudam a neurobiologia da adição. A partir deles, talvez possamos entender por que alguns experimentam drogas para viver uma experiência agradável e não se tornam dependentes, enquanto outros transformam seu uso em compulsão destruidora.

    • incorporar
      fechar
    • fechar
    • imprimir
    • compartilhar
      fechar facebook del.icio.us twitter myspace yahoo! bookmarks google bookmarks windows live digg
    • indicar erro
      fechar
      enviar
    • enviar para um amigo
      fechar
      enviar
  • Pesquisar sobre Maconheiro velho

    Veja mais resultados de Maconheiro velho

    • artigos

      Maconheiro velho

      Todo maconheiro velho reclama da qualidade da maconha atual. Perto da maconha daquele tempo, dizem, a de agora é uma palha sem graça. A observação é paradoxal, porque a maconha de hoje ...
    • entrevistas

      O cérebro IV: memória

      Drauzio – Conseguimos lembrar o que aprendemos aos dois anos de idade, mas muitas vezes nos esquecemos do que almoçamos no dia anterior. Como funciona a memória? Daniele Riva – A memóri...
    • entrevistas

      O cérebro III: preservação do conhecimento

      Drauzio – Seria exagero afirmar que, teoricamente, quanto mais conhecimento a pessoa adquire, mais inteligente fica, pois quanto mais estímulos recebe, mais conexões estabelece? Daniele...
    • artigos

      Homens que são mulheres

      De todas as discriminações sociais, a mais pérfida é a dirigida contra os travestis. Se fosse possível juntar os preconceitos manifestados contra negros, índios, pobres, homossexuais, g...
    • artigos

      Teste para avaliar o uso de álcool

      O alcoolismo é doença democrática, atinge mulheres e homens, velhos e moços, pobres e ricos, intelectuais e iletrados. Existem diversos testes para identificar o uso abusivo de álcool. ...
    • artigos

      Noite inesquecível

      Penso duas vezes antes de receitar um remédio para dormir. Não que tenha sido contaminado pela filosofia dos que se consideram naturalistas modernos, portanto inimigos de soluções quími...
    • artigos

      As especulações sobre a longevidade

      A expectativa de vida durante o século 20 experimentou um salto quantitativo jamais vivido nos 5 milhões de anos da espécie humana. Em 1900, para quem nascia na Europa mais desenvolvida...
    • entrevistas

      Prevenção do infarto

      Drauzio - Sem falar nos homens primitivos que lutavam para encontrar o que comer, num passado relativamente próximo, o homem era obrigado a locomover-se mais. Hoje, ele desce pelo eleva...
    • entrevistas

      Reabilitação dos amputados

      Drauzio - Marco, você é um esportista que perdeu a perna, mas continuou praticando esportes. Hoje, as próteses permitem que isso aconteça, mesmo quando a perda foi bilateral. Você conhe...
    • entrevistas

      Hérnia de disco

      Drauzio – Marcos teve duas hérnias de disco: uma na coluna lombar que resolveu clinicamente e a outra na região cervical que precisou de intervenção cirúrgica. Você, como médico, distin...
  • velhice
  • Gripe
  • Aids
  • Dor
  • Asma
  • Saúde
  • Hipertensão
  • sexo
  • Vídeos
  • Carandiru
  • Gravidez
  • H1N1
  • infográficos
  • IMC
  • obesidade
  • Cancer
  • Conjuntivite
  • Vacina
  • Dengue

Relacionados:

 
Alcoolismo
 
tv: Alcoolismo
 
Àlcool
 
rádio: Àlcool
Àlcool
 
rádio: Àlcool
Àlcool
 
rádio: Àlcool
Alc e outras drogas
 
rádio: Alc e outras drogas
Alc e outras drogas
 
rádio: Alc e outras drogas
A crise de abstinência de... Tinha até esquecido o quanto sofre o fumante para largar do cigarro. P...
artigos
A epidemia do fumo Cada vez menos gente fuma no Brasil. É o que comprova o resultado da p...
artigos
A febre de sábado à noite O consumo de ecstasy nas festas virou moda juvenil. A droga é comprada...
artigos
A febre de sábado à noite O consumo de ecstasy nas festas virou moda juvenil. A droga é comprada...
artigos
A memória do prazer A dependência de drogas ou de comportamentos compulsivos envolve mecan...
artigos
  • TERMOS MAIS PROCURADOS:
  • Anemia
  • Asma
  • Câncer
  • Conjuntivite
  • Gravidez
  • Gripe
  • H1N1
  • IMC
  • Malária
  • Pneumonia
  • Sinusite
  • sobre
  • sugestões
  • anuncie
  • biografia
  • serviços
  • créditos
  • prêmios
  • política de privacidade
  • termo de uso
enviar

Por determinação do Conselho Regional de Medicina estamos impossibilitados de emitir opiniões ou pareceres médicos pela Internet.
Utilize este espaço para sugestões, críticas e opiniões sobre nosso trabalho.

Atenciosamente,

EQUIPE SITE DRAUZIO VARELLA

fechar

  • apoio:
  • Siga o Dr. Drauzio Varella no Twitter
  • Prêmio IBest