A explicação mais imediata para
a fragilidade do sexo forte em relação aos agentes parasitários
e infecciosos é a de que a testosterona, o hormônio sexual
masculino, provoca depressão imunológica. Um trabalho
clássico, publicado há mais de 30 anos, mostrou que os
homens castrados vivem em média 15 anos mais do que os não
castrados e que, quanto mais precocemente sofrerem a castração,
maior será sua longevidade.
O mecanismo pelo qual a testosterona deprime a imunidade é mal
conhecido. Talvez por gastarem energia em excesso para construir e manter
um sistema musculoesquelético que imponha respeito aos rivais,
os machos sejam obrigados a desviar a energia que seria utilizada por
outros sistemas orgânicos. Com seus bilhões de células
que exigem alta demanda energética para trabalhar orquestradamente,
o sistema imunológico pode ressentir-se dessa oferta diminuída
e da disponibilidade de micronutrientes essenciais.
A espécie humana apresenta evidente dimorfismo sexual. A testosterona
que começou a jorrar na circulação de nossos ancestrais
à época da puberdade deles tornou-os mais fortes e violentos
para competir pelo interesse feminino, sempre voltado à preservação
da prole. A energia consumida pelo organismo para torná-los maiores
e assegurar a transmissão de seus genes às gerações
que os sucederam faz falta até hoje para enfrentarmos míseros
parasitas microscópicos.
Por ironia das forças naturais que selecionaram os genes de nossos
antepassados, continuamos maiores e fadados a morrer mais cedo do que
nossas mulheres, mesmo agora, quando a maioria delas já perdeu
o interesse pela força bruta.