Sarah Moore e Kenneth Wilson, da Universidade
de Stirling, na Inglaterra, acabam de publicar um estudo na revista
"Science" que acende outras luzes sobre o tema.
Depois de estudar a incidência de infestações por
insetos, parasitas e doenças infecciosas em diversas espécies
de mamíferos, os autores concluíram que, nos animais estudados,
os machos apresentam maior suscetibilidade a doenças infecciosas
e parasitárias do que as fêmeas. E mais: que tal suscetibilidade
é conseqüência do dimorfismo sexual, isto é,
do tamanho avantajado que os machos costumam atingir em relação
às fêmeas na maioria das espécies dos animais que,
como nós, mamam quando filhotes.
Na evolução das espécies, o dimorfismo sexual existente
entre machos grandes e fêmeas de tamanho menor é indicativo
de intensa disputa masculina pelo privilégio do acasalamento
no passado. A explicação é simples: nos combates
intra-sexuais, para atrair a atenção feminina, os machos
mais fortes levaram vantagem seletiva e transmitiram a seus filhos genes
que lhes garantiram portes avantajados. As fêmeas, por sua vez,
sempre interessadas nos machos mais poderosos, capazes de lhes garantir
a sobrevivência da prole, contribuíram decisivamente para
a perpetuação dessa característica masculina.
Os dados obtidos por Moore e Wilson demonstraram que a maior fragilidade
dos machos diante dos parasitas é regra geral entre os mamíferos
e que ela adquire proporções extremas nas espécies
em que a competição intra-sexual na disputa pelas fêmeas
é mais feroz.
Os dados demográficos humanos dão suporte às conclusões
dos pesquisadores ingleses. No Japão, na Inglaterra e nos Estados
Unidos, a vulnerabilidade dos homens à morte, causada por doenças
parasitárias, é o dobro daquela encontrada nas mulheres.
Um estudo conduzido no Cazaquistão e no Azerbaijão mostrou
que, nesses países, essa proporção aumenta para
quatro vezes.