Aqui vale ressaltar que o conceito de sexo
frágil atribuído às mulheres não encontra
justificativa biológica. O organismo feminino foi desenhado para
durar mais: em todos os países, a vida média dos homens
é pelo menos dois ou três anos inferior à das mulheres.
Nós, do chamado sexo forte, morremos bem mais cedo do que elas.
A explicação tradicional para essa constatação
demográfica tem sido a de que levamos vidas mais atribuladas
e cheias de riscos. Afinal, em nossa história evolutiva, nós
é que saíamos atrás da caça e declarávamos
guerra aos inimigos para roubar-lhes os pertences e o território,
enquanto elas permaneciam no aconchego das cavernas tomando conta dos
filhos que trazíamos ao mundo.
O maior apego feminino à prole também costuma ser usado
como justificativa evolucionista para o ganho de longevidade delas.
No passado, levaram vantagem na seleção natural não
apenas as mães que cuidaram bem de seus filhos, mas especialmente
as que viveram mais tempo, entraram em menopausa e puderam ajudar na
criação dos netos. Essas mulheres de vida mais longa teriam
deixado mais descendentes, garantindo maior penetração
de seus genes no “pool” genético das gerações
futuras.
Embora avós carinhosas aumentem as chances de sobrevivência
dos netos e os dados estatísticos mostrem que os homens têm
maior probabilidade de morrer em desastres automobilísticos,
em homicídios e em acidentes com armas de fogo, esses eventos
não constituem explicação definitiva para a diferença
de longevidade entre os dois sexos.
A freqüência de homicídios e de acidentes fatais começa
a aumentar significativamente entre os homens a partir da puberdade,
de fato, mas diminui a partir dos 30 ou 40 anos para tornar-se praticamente
igual à das mulheres depois dos 60 anos. Mesmo depois dessa idade,
entretanto, continuamos a morrer mais cedo do que elas.