Os números mostram que, à medida
que aumenta, a expectativa de vida fica menos sensível à
queda dos índices de mortalidade. Esse fenômeno, conhecido
como entropia das tabelas demográficas, pode ser ilustrado com
as mulheres francesas que, em 1900, tinham expectativa de vida ao redor
de 50 anos. Nessa época, bastava uma redução de
4,1% na mortalidade para que a expectativa aumentasse um ano. Nos dias
atuais, para aumentá-la de 80 para 81 anos, a mortalidade na
França precisa cair 9,1% em todas as faixas etárias.
Nos países industrializados, o impacto da redução
da mortalidade ocorrida no século XX dificilmente será
repetido nos próximos cem anos porque foi conseqüência
do controle das doenças infecciosas. No futuro, só haverá
aumento significativo da expectativa de vida nesses países se
ocorrer redução expressiva dos índices de mortalidade
da população acima dos 50 anos, portadora de doenças
degenerativas.
Os autores concluem que as análises demográficas do período
estudado deixam claro que os próximos aumentos da expectativa
de vida serão contados em dias ou meses, não em anos.
Para saltos numéricos comparáveis aos do século
passado, será necessário acrescentar décadas de
vida aos que já viveram mais de 70 anos. Isso só será
possível quando a ciência desenvolver métodos eficazes
para retardar o envelhecimento do corpo humano.