Esse aumento espetacular da expectativa de
vida fez surgirem as mais variadas especulações a respeito
do que acontecerá no século XXI. Extrapolando os dados
dos últimos cem anos, muitos imaginam que as crianças
nascidas nas próximas décadas viverão 150 anos.
Três autores, S. Olshansky, B. Carnes e A. Désesquelles,
acabam de publicar um estudo na revista "Science" que joga
um balde de água fria em nossas pretensões de longevidade
ilimitada.
Os autores compararam os dados demográficos de três países
(Estados Unidos, França e Japão) no período de
1985 a 1995 e chegaram às seguintes conclusões:
1) nos três países, de fato, a expectativa
de vida aumentou nesse período;
2) quando a média de duração da
vida de uma população se aproxima de 80 anos, os ganhos
futuros em longevidade caminham em passos cada vez mais lentos;
3) nas próximas décadas, para que a expectativa
de vida alcance 85 anos, deverão ocorrer reduções
muito drásticas nos índices de mortalidade em todas as
faixas etárias. Para atingir esse objetivo entre as mulheres
japonesas, o subgrupo que está mais próximo dele, a mortalidade
geral deverá cair 20%; no caso das francesas, 26% e, no das americanas,
mais do que 50%;
4) projetando os números obtidos no período
de 1985 a 1995, a expectativa de vida dos franceses (homens e mulheres)
só chegará aos 85 anos em 2033, a dos japoneses, em 2035
e a dos americanos, em 2182;
5) para a expectativa de vida ultrapassar 100 anos,
mesmo em países com populações de grande longevidade,
como França e Japão, será preciso eliminar todos
os riscos de morte antes dos 85 anos.