O mecanismo, conhecido como neuroadaptação, é arcaico.
Quando a abelha penetra uma flor e sente o prazer de encontrar o alimento
desejado, é liberado, em seu cérebro, um neurotransmissor
chamado octopamina. Quando um adolescente fuma maconha ou cheira cocaína,
ocorre, nas terminações nervosas de certas áreas
cerebrais, aumento na concentração de dopamina. A semelhança
de nomes entre ambos os neurotransmissores traduz a proximidade da estrutura
química existente entre as duas moléculas. Apesar de as
abelhas terem divergido da linhagem que nos deu origem há mais
de 300 milhões de anos, os mediadores da sensação
de prazer são quase os mesmos nas duas espécies.
Na seleção natural das espécies, levaram vantagem
reprodutiva aquelas que desenvolveram mecanismos de recompensa ao prazer
com a finalidade de criar a necessidade de buscar sua repetição.
Para o organismo, em princípio, tudo o que traz bem-estar é
bom e deve ser repetido. Se não fosse assim, nós nos esqueceríamos
de nos alimentar, de fazer sexo ou de procurar a temperatura mais agradável
na hora de dormir.
Os estudos para entender o mecanismo de neuroadaptação em
resposta aos estímulos repetitivos de prazer levam a crer que os
neurônios se organizem em circuitos que convergem para estações
cerebrais situadas nas proximidades dos centros que coordenam memórias
e emoções. Neurônios situados nessas estações
ligadas à recompensa estabelecem conexões com outros que
convergem para o chamado centro da busca. Estes, quando ativados, interferem
no comportamento, criando forte sensação de ansiedade para
induzir o corpo a buscar a repetição do prazer. Por isso
o fumante sai da cama atrás de um bar para comprar cigarro, o alcoólico
bebe no horário de trabalho e o craqueiro pede esmola para comprar
a droga.