DrauzioVarella.com.br

Drauzio Varella.com.br

[ minha área ] [ entre ]
adicione

plugin de busca

buscar
  • estação saúde
  • entrevistas
  • artigos
  • espaço médico
  • interativo
    • infográficos
    • aplicativos
    • testes
  • enciclopedia
  • espaço cultural
    • conversas
    • livros
    • filmes
    • blog
Carregando...

Titulo

Mensagem

ok
  • Artigos >
  • tabagismo

A crise de abstinência de nicotina

Tabagismo

 
reduzir / aumentar

Tinha até esquecido o quanto sofre o fumante para largar do cigarro. Parei há 23 anos e já não me lembrava das agruras pelas quais passei até ficar livre da dependência de nicotina que me escravizou durante 19 anos. Ao gravar uma série para a TV com seis personagens que pararam de fumar num mesmo dia, no entanto, revivi meu sofrimento e pude observar as dificuldades dos dependentes diante da crise de abstinência de nicotina.

O cigarro nada mais é do que um dispositivo para administrar droga. A nicotina inalada com a fumaça é rapidamente absorvida pelos alvéolos pulmonares, cai na circulação e chega ao cérebro num intervalo de seis a dez segundos. Inalada, chega mais depressa do que se tivesse sido injetada na veia, porque não perde tempo na circulação venosa. A velocidade com que a droga chega ao sistema nervoso central explica por que a primeira tragada traz alívio imediato ao fumante aflito.
No tecido cerebral, a nicotina se liga a receptores localizados nas membranas dos neurônios localizados em vários centros cerebrais. A integração desses circuitos é responsável pela sensação de prazer que os dependentes referem sentir ao fumar - e que os não-fumantes são incapazes de entender.

A droga é de excreção rápida. Sua meia-vida é curta: duas horas, em média. Isto é, metade da dose fumada é eliminada da circulação em duas horas. Por razões genéticas, essa velocidade de excreção varia de um fumante para outro; os que eliminam a droga mais depressa tendem a fumar mais. Grande parte dos que fumam dois ou três maços por dia é constituída por metabolizadores rápidos de nicotina.

A presença de outras drogas na circulação pode alterar a velocidade de excreção. É o caso do álcool, substância na qual a nicotina se dissolve com muita facilidade. Como o álcool é diurético, ao beber, o fumante excreta rapidamente na urina a nicotina nele dissolvida. A queda da concentração da droga no sangue desencadeia o desejo irresistível de fumar.

Viciados em nicotina, os neurônios do centro que integra as sensações de prazer, ao sentirem seus receptores vazios dela, estimulam outros circuitos de neurônios, que convergem para o chamado centro da busca. Esse centro é responsável por induzir alterações comportamentais com a intenção de nos obrigar a repetir ações que anteriormente nos trouxeram prazer: sexo, comida, temperatura agradável para o corpo, etc.

Uma vez que os centros do prazer ativam o centro da busca, este não pode ser mais desativado. O centro da busca permanecerá ativado mesmo que o prazer responsável por sua ativação deixe de existir. Por isso o fumante se surpreende ao acender um cigarro no toco do outro, o usuário de cocaína continua cheirando apesar do delírio persecutório que experimenta toda vez que usa a droga, e o jogador compulsivo é capaz de perder a casa da família em cima do pano verde.
Informados da falta de nicotina, os neurônios do centro da busca lançam mão de sua mais poderosa arma de persuasão comportamental: a ansiedade crescente. Tomado pela vontade de fumar, o fumante perde a tranqüilidade, fica agitado, nervoso e não consegue se concentrar em mais nada. Para ele, não existe felicidade possível sem o cigarro.

Como a nicotina é droga de excreção rápida, essas crises de ansiedade se repetem muitas vezes por dia. Para evitá-las, o fumante vive com o maço ao alcance da mão para acender um cigarro assim que surgirem os primeiros sinais, porque sabe que a intensidade dos sintomas da crise é crescente, insuportável. O cérebro aprende, então, que ansiedade e nicotina estão indissoluvelmente ligadas. Daí em diante, todo acontecimento que provocar ansiedade será interpretado por ele como resultante da ausência de nicotina. Por isso os fumantes levam imediatamente um cigarro à boca ao menor sinal de ansiedade ou diante da emoção mais rotineira. Por isso dizem que o cigarro os acalma.

O curto-circuito de prazer que a nicotina arma entre os neurônios provoca uma dependência química de forte intensidade, enfermidade cerebral crônica e recidivante. Para tratá-la, é preciso ensinar o cérebro novamente a funcionar como fazia antes de entrar em contato com a droga. Tal empreitada significa enfrentar a abstinência de nicotina, que se manifesta em crises repetitivas, muito mais intensas, desagradáveis e difíceis de suportar do que aquelas provocadas por drogas como cocaína, crack, maconha, ou álcool.

Os primeiros dois dias sem fumar são os piores. As crises se sucedem uma atrás da outra até atingirem freqüência e duração máximas em 48 horas. Nesse período, as manifestações incluem irritação, ansiedade, tremores, sudorese fria nas mãos, fome compulsiva, modificação do hábito intestinal, alterações da arquitetura do sono (insônia ou hipersônia), dificuldade extrema de concentração e alternância de episódios de apatia com outros de agressividade comportamental.
A partir do terceiro dia, a freqüência das crises e a intensidade dos sintomas começam a diminuir gradativamente, dia após dia. À medida que as semanas se sucedem, o desejo de fumar continua a manifestar-se, mas vai embora cada vez mais depressa.

Em média, seis meses depois de parar de fumar, a maioria dos ex-fumantes já consegue passar um ou outro dia sem se lembrar da existência do cigarro. Os neurônios começam a ficar livres da dependência que os sucessivos impactos diários de nicotina causaram em seus circuitos. É a liberdade do cérebro, que, para ser mantida, exige o preço da eterna vigilância, porque a doença é traiçoeira, crônica e recidivante.

    • incorporar
      fechar
    • fechar
    • imprimir
    • compartilhar
      fechar facebook del.icio.us twitter myspace yahoo! bookmarks google bookmarks windows live digg
    • indicar erro
      fechar
      enviar
    • enviar para um amigo
      fechar
      enviar
  • Pesquisar sobre A crise de abstinência de nicotina

    Veja mais resultados de A crise de abstinência de nicotina

    • artigos

      A crise de abstinência de nicotina

      Tinha até esquecido o quanto sofre o fumante para largar do cigarro. Parei há 23 anos e já não me lembrava das agruras pelas quais passei até ficar livre da dependência de nicotina que ...
    • artigos

      Os criminosos “light”

      Os americanos acabam de proibir o uso das palavras “light ” e “ ultralight” nos maços de cigarro. Cigarros dessas marcas têm gosto diferente dos comuns, porque são tratados com diversos...
    • entrevistas

      Tratamento do alcoolismo

      Drauzio – Quais são as pessoas que você classifica como alcoólatras? Ronaldo Laranjeira – A pessoa torna-se alcoólatra à medida que prolonga e repete o uso nocivo do álcool e surgem as ...
    • artigos

      Mecanismo diabólico

      A sabedoria popular diz que o cigarro acalma e dá prazer e que a dependência é psicológica. A sapiência botequinesca se esquece dos fumantes inveterados que têm ódio do cigarro, e que a...
    • artigos

      Estrategia sinistra

      Finalmente, os fabricantes de “cigarros light” ou com “baixos teores de alcatrão” poderão ser processados por propaganda enganosa. Nos Estados Unidos, prezado leitor, aqui ninguém se at...
    • artigos

      Dia mundial sem tabaco

      Fui fumante durante longos dezenove anos. Comecei a fumar quando tinha dezessete. O paradoxal é que cheguei a ser médico e fumante e, o pior, ser cancerologista e fumante. Experimentei ...
    • verbetes

      Dicas para fumantes e não-fumantes

      Dicas para os não-fumantes a) Cuide dos pulmões como cuida de qualquer outro órgão do corpo; b) Evite extremos de qualquer natureza, especialmente extremos de temperatura. O organismo p...
    • espaço médico

      Hipertensão

      Hipertensão III O sistema circulatório dispõe de mecanismos muito delicados para manter constante a pressão no interior das artérias. Quando o coração se contrai, expulsa o sangue exist...
    • artigos

      De gravata ou revólver na mão

      Ao contrário do que imaginam os fumantes, cigarros de baixos teores são mais nocivos à saúde. Na primeira metade do século 20, a indústria do fumo fez o possível e o inimaginável para i...
    • artigos

      Confissões de um viciado arrependido

      Larguei de fumar há mais de 20 anos. Hoje a fumaça me incomoda. Odeio comer no meio da fumaça. Se o lugar está cheio de fumantes, os olhos me ardem e, quando v olto para casa, ponho a c...
  • velhice
  • Gripe
  • Aids
  • Dor
  • Asma
  • Saúde
  • Hipertensão
  • sexo
  • Vídeos
  • Carandiru
  • Gravidez
  • H1N1
  • infográficos
  • IMC
  • obesidade
  • Cancer
  • Conjuntivite
  • Vacina
  • Dengue

Relacionados:

Você é fumante? Teste o grau de sua depe...
 
tv: Você é fumante? Teste o grau de sua depe...
Você é fumante? Teste o grau de sua depe...
 
tv: Você é fumante? Teste o grau de sua depe...
Fatores que Causam o Câncer
 
tv: Fatores que Causam o Câncer
Alc e outras drogas
 
rádio: Alc e outras drogas
AVC
 
rádio: AVC
AVC
 
rádio: AVC
AVC
 
rádio: AVC
AVC
 
rádio: AVC
A epidemia do fumo Cada vez menos gente fuma no Brasil. É o que comprova o resultado da p...
artigos
A epidemia do fumo Cada vez menos gente fuma no Brasil. É o que comprova o resultado da p...
artigos
A epidemia do fumo Cada vez menos gente fuma no Brasil. É o que comprova o resultado da p...
artigos
A febre de sábado à noite O consumo de ecstasy nas festas virou moda juvenil. A droga é comprada...
artigos
A memória do prazer A dependência de drogas ou de comportamentos compulsivos envolve mecan...
artigos
  • TERMOS MAIS PROCURADOS:
  • Anemia
  • Asma
  • Câncer
  • Conjuntivite
  • Gravidez
  • Gripe
  • H1N1
  • IMC
  • Malária
  • Pneumonia
  • Sinusite
  • sobre
  • sugestões
  • anuncie
  • biografia
  • serviços
  • créditos
  • prêmios
  • política de privacidade
  • termo de uso
enviar

Por determinação do Conselho Regional de Medicina estamos impossibilitados de emitir opiniões ou pareceres médicos pela Internet.
Utilize este espaço para sugestões, críticas e opiniões sobre nosso trabalho.

Atenciosamente,

EQUIPE SITE DRAUZIO VARELLA

fechar

  • apoio:
  • Siga o Dr. Drauzio Varella no Twitter
  • Prêmio IBest