Dr. Marcello Bronstein é médico, professor de Endocrinologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo.
Drauzio – Há outros cuidados importantes para reverter totalmente o quadro?
Marcello Bronstein – Tudo depende dos problemas de base. O ideal seria que medidas simples, como dieta e exercícios físicos, bastassem para reverter o quadro. No entanto, se o paciente não quer ou não pode fazer dieta adequada e praticar exercícios, ou mesmo fazendo não consegue controlar alguns componentes da síndrome, a intervenção medicamentosa torna-se obrigatória.
Drauzio – Como funciona a indicação dos medicamentos?
Marcello Bronstein - Ela é dirigida diretamente para as alterações que o paciente apresenta. Se a pressão arterial estiver alta, os esforços se voltarão no sentido de controlá-la, tomando extremo cuidado porque alguns medicamentos para hipertensão podem piorar o diabetes. Os diuréticos são exemplo típico de medicamentos usados para a pressão alta que podem agravar o quadro de intolerância à glicose.
Metformina e glitazona são as drogas indicadas para combater a intolerância à glicose e o diabetes, se ele já estiver instalado. Chamadas de sensibilizadores de insulina, sua função não é produzir esse hormônio. É diminuir a parede constituída pelo tecido gorduroso para facilitar sua passagem a fim de que a glicose seja metabolizada adequadamente. A metformina é especialmente muito útil, uma vez que as glitazonas podem acentuar o aumento de peso.
No caso das alterações do colesterol e dos triglicérides, as estatinas, fibratos ou o ácido nicotínico (niacina) são opções bastante válidas.
Drauzio – Às vezes, tentamos controlar sem medicamentos os níveis de colesterol e triglicérides discretamente aumentados, desde que a pessoa não apresente outros fatores de risco. Na síndrome metabólica, é aceita essa conduta?
Marcello Bronstein - Em geral, na síndrome metabólica, colesterol alto não é o único fator de risco presente e, somado aos outros fatores, potencializa o problema. Por isso, todos os parâmetros alterados devem ser tratados e revertidos. Por isso, a conduta tem de ser diferente da indicada para a pessoa sem a síndrome que apresenta elevação discreta do colesterol.