Dr. Marcello Bronstein é médico, professor de Endocrinologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo.
Drauzio – Como é feito o diagnóstico da síndrome?
Marcello Bronstein – O diagnóstico leva em conta primeiro as características clínicas (obesidade, hipertensão) e dados laboratoriais: valores de glicemia na faixa de 110, 120, alteração das gorduras no sangue (colesterol elevado às custas do colesterol ruim alto e colesterol bom baixo), níveis de triglicérides e ácido úrico aumentados, microalbuminúria. Bastam dois ou três desses fatores associados no mesmo indivíduo para diagnosticar a síndrome metabólica.
Drauzio – No início, a pessoa com síndrome metabólica não sente absolutamente nada, leva vida normal. Quando a situação começa a ficar perigosa?
Marcello Bronstein – O grande problema é que praticamente todos os componentes da síndrome metabólica são inimigos silenciosos. Não há um quadro de dor de cabeça violenta para alertar que a pessoa pode estar desenvolvendo um aneurisma cerebral.
Colesterol alto, elevação da glicemia que não chega a caracterizar diabetes (a pessoa não urina muito nem bebe muita água), hipertensão, tudo provoca sintomas muito sutis. Entretanto, quanto mais fatores de risco houver, especialmente se estiverem associados ao tabagismo e à ingestão excessiva de álcool, mais a pessoa será candidata a desenvolver problemas graves, tanto é que essa síndrome já foi chamada de quarteto da morte porque todos os componentes são inimigos ocultos e estão ligados à possibilidade maior de óbitos.
Drauzio – Quais as doenças mais freqüentemente associadas à síndrome metabólica?
Marcello Bronstein – Uma delas é o diabetes, que até pode instalar-se como decorrência da própria síndrome. Além da alteração do ácido úrico, que pode ser a causa de uma doença chamada gota, a síndrome dos ovários policísticos e algumas formas raras de lipodistrofias, sem grande relevância populacional também podem estar associadas à síndrome metabólica