Dr. Marcello Bronstein é médico, professor de Endocrinologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo.
Drauzio – Levando em conta o estilo de vida atual, quais são os hábitos que favorecem o aparecimento da síndrome metabólica?
Marcello Bronstein – Não há dúvida de que a síndrome metabólica é uma doença da civilização moderna, especialmente porque está associada à obesidade e esta, por sua vez, resulta do binômio alimentação inadequada e sedentarismo. Não há como negar que, cada vez mais, as pessoas estão consumindo alimentos muitos calóricos que formam colesterol e triglicérides com facilidade. Outro fator de risco importante é a falta de exercícios. Televisão com controle remoto, carros acionados automaticamente, elevadores no lugar das escadas, tudo colabora para que a economia da atividade física e favorece o sedentarismo.
Drauzio – A partir de que idade, a síndrome metabólica torna-se mais prevalente?
Marcello Bronstein – Em geral, as manifestações começam na idade adulta ou na meia-idade. Aliás, o fator idade é muito importante não só para o diagnóstico, mas para a seleção das pessoas que devem ser avaliadas porque a prevalência da síndrome metabólica aumenta assustadoramente com o passar dos anos. Para ter uma idéia, o número de casos na faixa dos 50 anos é duas vezes maior do que na faixa dos 30, 40 anos.
Drauzio – O sexo também influi?
Marcello Bronstein – Há um predomínio de casos no sexo masculino. Interessante notar, porém, que mulheres portadoras da síndrome dos ovários policísticos, um distúrbio ligado à falta de menstruação, ao crescimento anormal de pêlos e à resistência à insulina, não estão livres da síndrome metabólica, mesmo sendo magras.
Drauzio – De qualquer forma, quando se manifesta nas mulheres, a síndrome predomina nas mulheres menopausadas.
Marcello Bronstein – Com certeza, e está relacionada com o excesso de peso e com a idade.
Drauzio – Em que difere a obesidade nos homens e nas mulheres?
Marcello Bronstein – Os homens apresentam caracteristicamente mais a obesidade abdominal, que deixa o corpo com um formato semelhante ao da maçã. Já a mulher acumula mais gordura na região dos quadris. É a chamada obesidade em forma de pêra, menos ligada à síndrome metabólica.