Dr. Marcello Bronstein é médico, professor de Endocrinologia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade São Paulo.
Drauzio – Quais são as pessoas que correm maior risco de desenvolver a síndrome metabólica?
Marcello Bronstein – Em geral, a síndrome metabólica está associada à obesidade central, embora isso não seja imprescindível. Por quê? Porque o denominador comum, na maioria dos casos, é a resistência à insulina.
Vou tentar explicar, em termos simples, o que acontece. Insulina é o hormônio que metaboliza a glicose, isto é, que queima o açúcar e promove sua deposição no corpo sob a forma de gordura ou de músculo. Pessoas com excesso de peso tendem a apresentar resistência à insulina. É como se essa substância para agir tivesse de atravessar uma parede que a obesidade tornou mais espessa e difícil de transpor. Conseqüentemente, os níveis de insulina sobem no sangue, porque o pâncreas passa a produzir mais esse hormônio a fim de evitar o estabelecimento de diabetes. Esse aumento na produção de insulina está relacionado com a retenção de sódio no organismo, o que significa maior tendência à pressão arterial elevada.
Além de agravar a propensão ao diabetes, a resistência à insulina provoca alterações nos níveis de gorduras no sangue, principalmente nos níveis de triglicérides e do bom colesterol (HDL). Esse é um fator de risco que acomete especialmente o indivíduo acima do peso ou os obesos. No entanto, pessoas com peso praticamente normal podem apresentar resistência à insulina por alteração genética. Vários estudos em andamento estão mostrando que isso acontece.
Drauzio – Pessoas com peso normal, mas com pais diabéticos e hipertensos, têm maior probabilidade de desenvolver essa síndrome?
Marcello Bronstein – Se tiverem resistência à insulina, pessoas com essa herança paterna tendem a desenvolver um quadro mais grave da síndrome metabólica, porque o pâncreas precisará trabalhar muito mais para produzir a insulina necessária para superar essa resistência. Como geneticamente a tendência ao diabetes existe, chega um momento em que ele pede as contas, deixa de funcionar como deveria e a doença, que não havia se estabelecido ainda, manifesta-se.