Dr. Luiz Jorge Fagundes é médico e coordena o Laboratório de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) da Faculdade de Saúde Pública da Universidade São Paulo.
Drauzio – Como é o tratamento da sífilis?
Luiz Jorge Fagundes – O tratamento é feito com penicilina. Até o momento, não existe nenhum trabalho sugerindo que a bactéria da sífilis possa ser resistente à penicilina. No entanto, quando a agressão é ao sistema nervoso central, a penicilina benzatina de ação lenta não serve, porque o sistema nervoso é protegido por uma barreira que exige o uso de drogas específicas para ser atravessada. Nesse caso, é preciso usar a penicilina-cristalina, pois essa consegue vencer a barreira hemato-liquórica e destruir o Treponema.
No caso das gestantes infectadas, como existe um exame capaz de detectar a sífilis intra-útero, o tratamento é feito com dose elevada de penicilina para proteger o feto.
Drauzio – Felizmente, penicilina é uma droga barata e o tratamento, simples de fazer…
Luiz Jorge Fagundes – A OMS preconiza a utilização de 2 milhões e 400 mil unidades de penicilina. Nós aplicamos 1 milhão e 200 mil em cada nádega, ou seja, por via intramuscular, as duas ao mesmo tempo. É uma dose única e definitiva. Isso é interessante em Saúde Pública, porque dá a garantia de que realmente a pessoa recebeu o tratamento necessário. Quando se deseja obter êxito maior na diminuição das lesões clínicas e cicatrização mais rápida, faz-se o dobro dessa dose, 2 milhões e 400 mil numa semana e 2 milhões e 400 mil na semana seguinte.
Nas mulheres grávidas, como o volume de líquido fora dos vasos aumenta demais, a concentração de penicilina diminui e o feto fica pouco protegido. Para evitar que isso aconteça, aumentamos a concentração do medicamento.
Drauzio – O diagnóstico de uma pessoa com sífilis obriga a tratar imediatamente o parceiro?
Luiz Jorge Fagundes – Para não cair na abordagem sindrômica que os hospitais-escola tanto condenam, pedimos ao paciente uma prova específica e uma não específica para sífilis. Quando se fala isso, a pergunta é sempre a mesma: se existe a prova específica, por que fazer uma não-específica? É que a não-especifica permite obter títulos da reação no sangue e acompanhar a evolução da doença. Antigamente, essa classificação era feita por cruzes; agora, utiliza números.
Drauzio – Depois de receber o tratamento, quanto a pessoa precisa esperar para manter relações sexuais desprotegidas?
Luiz Jorge Fagundes – Nós damos um prazo de 15 dias para ter segurança de que não há mais viabilidade de nenhuma bactéria.
Drauzio – Onde as pessoas podem fazer os exames para diagnóstico da sífilis?
Luiz Jorge Fagundes - Esses exames são oferecidos pelo Estado e não só permitem fechar o diagnóstico, como também promover o acompanhamento clínico do paciente. O Ambulatório de Doenças Sexualmente Transmissíveis da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, que fica na Av. Dr.Arnaldo, em São Paulo (SP) oferece serviço gratuito à população residente na cidade e não há demanda reprimida de atendimento.
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