Dr. Marcelo Cunha é médico, professor de oftalmologia, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.
Drauzio – Você disse que a diferença básica entre a conjuntivite viral e a bacteriana é a secreção purulenta própria da conjuntivite provocada por bactérias. Como se trata uma e outra?
Marcelo Cunha – Para a conjuntivite viral não há tratamento específico. Como ocorre nos quadros gripais, o tratamento é sintomático. Utilizam-se compressas, por exemplo. Existe o conceito, que não sei de onde veio, de que água boricada faz bem. Ela pode aliviar os sintomas da conjuntivite, mas possui uma série de conservantes em sua composição que, muitas vezes, provocam reação alérgica intensa. O conselho, então, é não usar água boricada. Deve-se usar água natural da SABESP ou as engarrafadas. A água deve estar fria, porque o frio ajuda a desinflamar, a desinchar os olhos. Além disso, são indicados colírios sintomáticos, isto é, colírios adstringentes, de limpeza e, com freqüência, um colírio vasoconstritor para reduzir o vermelho e a inflamação. (imagem 4) Nunca se deve usar colírios com antibiótico, porque não existem bactérias para matar e eles podem provocar alergia.
Nas conjuntivites bacterianas, o quadro inclui a secreção purulenta e não é apenas matinal. Nesse caso, devem ser indicados colírios à base de antibióticos. Muito raramente o tratamento inclui antibióticos por via oral. O uso de colírios costuma ser suficiente.
Drauzio – Quer dizer que, nos casos virais, usar colírio com antibiótico além de não ajudar pode até prejudicar?
Marcelo Cunha – Pode prejudicar porque, se houver uma reação alérgica ao antibiótico, o olho ficará ainda mais vermelho e irritado.
Drauzio – O segundo olho se infecta pela vizinhança com o primeiro?
Marcelo Cunha – Pela proximidade. É impossível uma conjuntivite, quer bacteriana, quer viral, instalar-se num olho apenas. Ela começa por um e depois passa para o outro. Quando os dois olhos são atacados ao mesmo tempo, temos de pensar nas conjuntivites alérgicas.