Drauzio – Vamos imaginar que o eletrocardiograma tenha sido normal e a prova de esforço venha alterada. Que conduta adotar nesse caso?
Carlos Alberto Pastore – Às vezes, aparece uma alteração elétrica que pode sugerir alguma anormalidade no músculo cardíaco ou nas coronárias. Como o exame não define se existe doença e apesar de ocorrerem falsos positivos, a solução é recorrer a um teste ergométrico sofisticado que utiliza recursos da medicina nuclear. Durante a atividade física na esteira, no pico do exercício, injeta-se na veia um isótopo radioativo, isto é, uma substância ávida pelo músculo cardíaco para que um aparelho externo capte em que medida ela impregnou o coração. A imagem que se obtém é tridimensional e deixa ver como está a irrigação em todas as áreas cardíacas. Trata-se de um exame não invasivo, bastante sensível, com possibilidade de revelar mesmo alterações muito pequenas. Na verdade, sua interpretação permite verificar como trabalha o coração e se existe alguma isquemia, ou seja, alguma região em que o sangue não circula direito.
Se esse exame deu normal, não há por que continuar a avaliação.
Drauzio – E se o resultado estiver alterado, qual o passo seguinte?
Carlos Alberto Pastore – Precisamos partir para a cineangiocoronariografia, mais conhecida como cateterismo, exame feito por uma punção na artéria por onde se introduz um cateter que vai até as artérias coronárias que irrigam o coração. A seguir, injeta-se um contraste e filma-se a vascularização do órgão. Considerado o exame mais completo para detectar se existe obstrução nas coronárias, o cateterismo é um exame invasivo, mas sem grande risco.
Drauzio – O cateterismo é o ponto final da avaliação cardiológica?
Carlos Alberto Pastore – Hoje, fazemos o cateterismo só em situações extremamente graves. Se a pessoa chega queixando-se de dor no peito e o diagnóstico do eletrocardiograma é infarto do miocárdio, é preciso fazer um cateterismo rapidamente para tentar desobstruir a artéria comprometida.
No entanto, na avaliação cardiológica, ele não cabe, porque temos condições de verificar o desempenho do coração recorrendo a outros exames bastante confiáveis e não invasivos e que, feitos com periocidade, permitem determinar a evolução da doença.
Drauzio – Com que freqüência esses exames devem ser repetidos?
Carlos Alberto Pastore - Uma vez por ano é um tempo adequado. Pessoas muito saudáveis fazem a cada dois anos, mas isso não é recomendado porque estão sempre aparecendo novos tipos de tratamento, por exemplo, para controlar o colesterol ou associar medicações. Em cardiologia, os avanços ocorrem muito rápido e a prevenção deva começar precocemente.