Tânia Watanabe – Nova Indaiatuba (SP) – Para o fumante, qual o intervalo indicado entre uma avaliação cardiológica e outra?
Carlos Alberto Pastore – Um fumante moderado, aquele que fuma de 3 a 5 cigarros por dia, talvez uma avaliação anual seja suficiente, porque a doença cardiovascular, geralmente, leva alguns anos para instalar-se. O problema é que quase nenhum fumante consegue fumar apenas esse número de cigarros por dia.
Drauzio – E os que fumam um maço por dia, de quanto em quanto tempo devem ser avaliados?
Carlos Alberto Pastore – Esses, pelo menos uma vez a cada seis meses, porque o cigarro agrava a doença inflamatória e facilita a instalação de problemas cardíacos.
Paula Santos – Pelotas (RS) – Exames de sangue com valores anormais seriam bons indicativos da necessidade de passar por avaliação cardiológica?
Carlos Alberto Pastore – Não há dúvida de que são indicativos da necessidade de avaliação. Níveis de colesterol, de triglicérides, de ácido úrico elevados e diabetes facilitam muito a ocorrência de doenças cardíacas e exigem controle.
Rosana Coelho – São José dos Campos (SP) – Às vezes, a pessoa faz exames com resultado normal e logo depois infartam. Por quê?
Carlos Alberto Pastore – Explicar que a pessoa morreu logo depois de ter feito um eletrocardiograma que deu normal não é muito fácil. Acontece que esse exame é feito em repouso e dá uma fotografia da atividade cardíaca no momento em que foi realizado. Hoje, se estudam muito os canais de íons (moléculas eletricamente polarizadas de sódio, cloro, cálcio e potássio). Algumas pessoas nascem com mutações e esses canais não funcionam satisfatoriamente o tempo todo. Por exemplo, durante uma atividade física, pode ocorrer uma falha que provoca a morte súbita. Às vezes, são indivíduos saudáveis, hígidos, mas com uma deficiência funcional que não foi detectada. Num hospital americano, está escrita a seguinte frase: “Morte súbita não existe. Leva anos para acontecer”. E é verdade. Infelizmente, a pessoa que morre de repente sentia-se bem, mas tinha um problema que não foi possível diagnosticar.
Ronan Azevedo – Campos de Goitacazes (RJ) –É possível prever a possibilidade de uma parada cardíaca fazendo exames preventivos?
Carlos Alberto Pastore – É possível evitar boa parte delas com cuidados preventivos, mas algumas são realmente muito difíceis de prever.
José Cláudio de Almeida – Fortaleza (CE) – Posso freqüentar uma academia sem antes consultar um cardiologista?
Carlos Alberto Pastore – Indivíduos jovens acham que não precisam fazer esse tipo de avaliação. Felizmente, as academias têm exigido os exames porque o risco existe. Além disso, atualmente, os exercícios requerem mais esforço e, o que é lastimável, algumas pessoas tomam drogas para crescer a musculatura. Portanto, não importa a idade, quem entra numa academia deve fazer exames porque a exigência cardiovascular aumenta com a atividade física.
Railena Martins da Costa –Teresina (PI) – Quais exames cardiológicos o portador de diabetes deve fazer?
Carlos Alberto Pastore – O portador de diabetes deve ser acompanhado pelo endocrinologista, porque tem de manter valores adequados de glicemia no sangue. Exames de laboratório podem ser indicados semestralmente para acompanhar a evolução da doença e há quem faça o teste glicêmico todos os dias (glicofita).
Como tem maior predisposição para desenvolver doença cardiovascular, o portador de diabetes deve passar por uma boa avaliação cardíaca pelo menos uma vez por ano, porque a doença é muito agressiva para as artérias.
Drauzio – Que mensagem você gostaria de deixar para nossos leitores?
Carlos Alberto Pastore – Nossa experiência mostra que as pessoas cuidadosas e atentas à prevenção das doenças cardiovasculares conseguem viver muito mais e com qualidade melhor. Homens e mulheres com mais de 90 anos, chegam andando no consultório, coisa que não se via anteriormente. As mulheres, que vivem mesmo mais do que os homens e são mais cuidadosas com a saúde, costumam estar ativas aos 80, 85 anos e aptas para a prática de atividade física. Por isso, não tenho dúvida de que o tratamento e a prevenção são fundamentais para evitar problemas cardiovasculares.
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