Drauzio – Como você
caracteriza a hipermetropia?
Amaryllis Avakian – Na hipermetropia (imagem
4), a convergência final dos raios de luz que penetram pela córnea
acaba ocorrendo num ponto atrás de retina. O resultado é
o oposto da miopia: a pessoa enxerga mal de perto, e bem de longe. 
A hipermetropia é uma característica dos olhos pequenos.
Em geral, toda criança nasce com 20° de hipermetropia, mas
o olho vai crescendo e o grau, diminuindo. Esse desvio é considerado
normal até os quatro ou cinco anos, e não há necessidade
de lentes para corrigi-lo.
Drauzio – A incidência de hipermetropia é
mais ou menos comum a partir de certa idade?
Amaryllis Avakian – A partir dos 40 anos, existe
um tipo de hipermetropia, chamado de presbiopia, que é vulgarmente
conhecido como vista cansada. Por causa dele, pessoas que tinham visão
normal até essa idade precisam de óculos para enxergar
de perto.
Drauzio – Qual a diferença entre hipermetropia
e presbiopia, ou seja, a vista cansada das pessoas mais velhas?
Amaryllis Avakian – A diferença está
só na nomenclatura. Chamamos de hipermetropia o defeito de visão
que aparece antes dos 40 anos e de presbiopia, ou vista cansada, o que
aparece depois dessa idade. Em geral, depois dos 40 anos, a maior parte
das pessoas precisa de óculos para leitura. Nessa fase, porém,
os míopes são privilegiados porque um defeito compensa
o outro, e eles tiram os óculos que corrigem a visão para
longe, quando vão ler, pois conseguem enxergar com nitidez de
perto.
Drauzio – Você disse que toda criança
nasce com hipermetropia. Como evolui a hipermetropia a partir do nascimento?
Amaryllis Avakian – Todos nós nascemos
com um grau maior ou menor de hipermetropia. É como se tivéssemos
um olho pequeno que faz os raios caírem atrás da retina.
No recém-nascido, a hipermetropia gira em torno de 20° Com
o crescimento, esse grau vai sendo reduzido até atingir o momento
em que deve zerar. No entanto, se o olho continuar crescendo, a criança
desenvolverá miopia.
Drauzio – O recém-nascido, então,
enxerga mal de perto. Tem dificuldade para focalizar o rosto da mãe.
Com que idade, seu olho adquire o tamanho ideal para a imagem cair exatamente
sobre a retina?
Amaryllis Avakian – Por volta dos cinco ou seis
anos, a hipermetropia já é bem pequena, embora até
os 40 anos a pessoa tenha um grau de hipermetropia residual, imperceptível,
e que dispensa o uso de óculos.
Apesar de testes visuais em crianças pequenas mostrarem que a
visão só se completa um pouco mais tarde, a partir de
um ano, elas já estão vendo muito bem de perto, porém
essa capacidade adquirida não é estável. Uma doença
ou acidente que interfiram na estrutura do olho podem fazê-la
regredir totalmente.
Drauzio - O hipermétrope forma a imagem
atrás da retina. Esse é um defeito visual que pode ocorrer
antes dos 40 anos. Já, depois dos 40, são muito comuns
os casos de presbiopia ou vista cansada. A associação
de hipermetropia com presbiopia agrava o quadro?
Amaryllis Avakian – Agrava. Se a pessoa tinha,
por exemplo, três graus de hipermetropia antes dos 40 anos, depois
dos 40, poderá precisar de óculos multifocais ou de lentes
progressivas.
Drauzio – Miopia e hipermetropia são
defeitos antagônicos. Eles podem aparecer juntos?
Amaryllis Avakian – Eles nunca aparecem juntos no mesmo
olho. Isso não impede que a pessoa possa apresentar miopia num
olho e hipermetropia no outro.
Drauzio – Existem estatísticas sobre
a incidência de hipermetropia, miopia e astigmatismo na população
em geral?
Amaryllis Avakian - Não temos estatísticas
oficiais, mas existem algumas estimativas que somos capazes de levantar
de acordo com a faixa etária. Praticamente, 100% das pessoas
são hipermétropes quando nascem. Já os míopes
são raros nessa idade. Aos sete anos, aproximadamente 70% das
crianças são hipermétropes e os 30% restantes,
míopes. Quanto ao astigmatismo, é difícil calcular,
porque a pessoa pode ter astigmatismo e miopia ou astigmatismo e hipermetropia,
simultaneamente.