Fabiana de Graff – Ponta Grossa (PR) – A partir de que idade é possível perceber a depressão nas crianças?S
andra Scivoletto – Existem relatos de depressão até mesmo em bebês de colo, mas são casos raros que não requerem o uso de medicação. O quadro clássico e mais evidente de depressão infantil costuma ocorrer a partir dos quatro, cinco anos de idade.
Eliane Santos – São Paulo (SP) – Como é possível detectar a depressão nas crianças tímidas?
Sandra Scivoletto – É dificílimo. A criança tímida tem dificuldade em ambientes sociais, mas sente-se bem convivendo com um grupo menor de pessoas, ou quando está sozinha. O deprimido não está bem em lugar nenhum, em situação alguma.
Amália Souza Barros – São Paulo (SP) – Existe uma época do ano em que os quadros depressivos se tornam mais freqüentes?
Sandra Scivoletto – Isso é mais evidente nos adultos. Geralmente, nos países do hemisfério norte, os quadros depressivos são mais freqüentes no inverno que é rigoroso e com pouca luminosidade. No Brasil, existe a depressão de fim de ano, provocada pela aproximação do Natal e do Ano-Novo, que pode representar um período de reavaliação, no qual nos debruçamos mais sobre a situação familiar.
Na criança, a depressão pode estar associada ao calendário escolar. Quando se aproxima o fim do ano, o quadro depressivo se instala por causa das aulas de recuperação ou porque o fracasso da repetência as ameaça.
Júlia Lopes Romão – Mogi das Cruzes (SP) – A depressão infantil pode causar alguma seqüela na adolescência ou na fase adulta?
Sandra Scivoletto – É causa de todas as seqüelas, uma vez que, se a depressão não for tratada na infância, o desenvolvimento da criança não será normal. Desde a capacidade cognitiva até a estruturação da personalidade, tudo estará comprometido.
André Ricardo - Arapongas (PR) – Quais são os cuidados que os familiares devem tomar com crianças deprimidas?
Sandra Scivoletto – Não dá para tratar uma criança deprimida sem tratar da família. Os familiares precisam saber quais são as fases de maior risco em que devem estar mais atentos e isso varia de caso para caso.
Eduardo Salas – São Paulo (SP) – Que dicas você daria para que a separação dos pais não gere depressão na criança?
Sandra Scivoletto – Primeiro, a pessoa precisa ter um fator genético para desenvolver depressão. É indiscutível que quanto maior for o componente genético, menor poderá ser o peso da influência ambiental no aparecimento dos quadros depressivos.
De qualquer modo, a separação dos pais é sempre uma situação extremamente estressante para a criança. Por isso, o relacionamento tranqüilo dos pais durante o processo de separação, tornará mais fácil para ela aceitar o fato. Portanto, é fundamental preservar a imagem do pai e da mãe e deixar claro que, embora separados, continuam sendo seus pais. A família não se desfez, mas passa a ter nova configuração. Pai e mãe continuam existindo, embora a forma de se encontrarem e de se relacionarem vá sofrer algumas mudanças.
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