Drauzio – Como é feita a cirurgia para corrigir a curvatura do pênis na doença de Peyronie?
Sidney Glina – Existem dois tipos de cirurgia para corrigir a curvatura do pênis. O mais simples, utilizado também nos casos de pênis curvo congênito, tenta compensar o desvio provocado pela placa e retificar o pênis, fazendo do outro lado uma aplicatura, ou seja, uma prega no corpo cavernoso. O inconveniente dessa técnica cirúrgica é a diminuição do tamanho do pênis. Por isso, não é aconselhada para indivíduos com pênis um pouco menor ou muito preocupados com as dimensões do pênis.
O outro procedimento cirúrgico consiste em fazer uma incisão na placa e colocar um enxerto de outro tecido para cobrir o defeito e retificá-la. Particularmente, prefiro usar a veia safena como enxerto, mas poderia usar pericárdio bovino e há cirurgiões que retiram a túnica albugínea da região do períneo, entre o ânus e o escroto, para enxertá-la no local da lesão.
No passado, foram utilizados outros tecidos para fazer a cobertura. Como alguns deles não tinham resistência suficiente diante do esforço da ereção, formavam uma bolsa semelhante a um aneurisma e foram abandonados.
Drauzio – A experiência mostra que, em geral, os homens não estão satisfeitos com o tamanho do pênis que têm. Como eles reagem ao saber que para corrigir o desvio seu pênis ficará menor?
Sidney Glina – Há anos não consigo usar a técnica da aplicatura para compensar o desvio do pênis, porque os pacientes querem manter ou, se possível, aumentar o tamanho do pênis.
Drauzio – Quanto tempo leva para realizar a cirurgia com enxerto?
Sidney Glina – Dependendo do grau da curvatura, a cirurgia pode demorar de duas a três horas, especialmente se o espaço a preencher for muito grande e o enxerto for obtido da veia safena, que é relativamente fina, porque é preciso fazer diversas suturas até conseguir deixá-lo do tamanho necessário.
Drauzio – A cirurgia é feita sob anestesia geral?
Sidney Glina – Sob anestesia geral ou de bloqueio peridural ou raquidiano. Hoje, os pacientes dormem e nem se lembram do tipo de anestesia que tomaram.
Drauzio – Como é o pós-operatório?
Sidney Glina – O pênis fica inchado por uns tempos, mas o paciente volta às atividades habituais em dois ou três dias, com a recomendação de só manter relações sexuais depois de um mês para não sentir dor.
Drauzio – Quais as complicações possíveis dessa cirurgia?
Sidney Glina – Dependendo da região em que a placa está situada, na parte dorsal superior do pênis, por exemplo, pode ser necessário soltar os vasos e os nervos que passam por ali para conseguir cortar a albugínea e fazer o enxerto. Nesses casos, alguns indivíduos podem perder a sensibilidade da glande durante algum tempo. Embora na maioria das vezes esse evento seja reversível, é fundamental informar o paciente de que isso pode acontecer.
Drauzio – O resultado da cirurgia costuma ser satisfatório?
Sidney Glina – Noventa por cento dos pacientes ficam com o pênis retificado e sem nenhum problema. A literatura registra, porém, que entre 10% e 15% dos casos, a curvatura piora depois da cirurgia. Desconfio que isso aconteça porque a intervenção foi realizada cedo demais.
Drauzio – As primeiras cirurgias restringiam-se, apenas, à tentativa de retirar a placa. Por que esse procedimento foi abandonado?
Sidney Glina – Foi abandonado porque pode comprometer o mecanismo de ereção, quando o espaço que a placa deixa é muito grande para ser coberto pelo enxerto. Por isso, atualmente, fazemos uma incisão liberadora, relaxante, no meio da placa, como se estivéssemos desenhando a letra H e enxertamos tecido que possuam boa elasticidade como a veia safena e o pericárdio bovino. Agindo assim, além de conseguir retificar o pênis, preserva-se a capacidade de ereção.
Drauzio – Para as parceiras sexuais dos homens com Peyronie faz muita diferença a curvatura do pênis, ou são eles que se incomodam mais com o desvio?
Sidney Glina – Acredito que os homens estejam mais preocupados com o problema estético que a curvatura do pênis pode causar. Para as parceiras, tudo vai depender do tipo de curvatura.
Imagens de ressonância magnética colhidas durante a relação sexual mostram uma curvatura do pênis para cima, porque o canal vaginal também não é reto. Portanto, se o desvio for nessa direção, não atrapalhará em nada. Agora, se for para baixo ou para o lado, pode dificultar a penetração.
Drauzio – O que pode ser considerado um pênis de tamanho normal?
Sidney Glina – O pênis do homem branco brasileiro tem em média 14cm, quando está em ereção, mas homem com pênis de 10cm ou 12cm têm um órgão perfeitamente adequado para a relação sexual, visto que o canal vaginal médio mede 8cm. Considera-se um pênis pequeno, quando tem abaixo de 7cm em ereção.
Drauzio – De onde vem essa preocupação do homem com o tamanho do pênis?
Sidney Glina – Essa preocupação existe e está sendo cada vez mais explorada para vender tratamentos, que não funcionam, aliás, para aumentar o tamanho do pênis. Só na Internet existem mais de dois mil sites a respeito do assunto. Infelizmente, não existem tratamentos efetivos ou cirurgias para conseguir esse resultado e muitos acabam deixando o homem impotente.
Drauzio – Que tratamentos são esses?
Sidney Glina - Uma proposta é cortar o ligamento que prende o pênis ao osso do púbis que mantém a ereção. Mas, se um nervo também for cortado, o indivíduo perderá a sensibilidade. Outra tentativa é colocar enxertos na túnica albugínea para alargar o pênis. Nesse caso, uma infecção no pós-operatório pode afetar a capacidade de ereção.
Drauzio – Existe algum tratamento eficaz para aumentar um pênis excessivamente pequeno?
Sidney Glina –Indivíduos com micropênis, que atingem somente 4cm, 5cm em ereção, podem ganhar 2cm ou 3cm a mais com a cirurgia para soltar o ligamento. O problema é que a maioria dos homens com pênis de tamanho normal querem fazer essa cirurgia com finalidade estética, para não se sentirem constrangidos, por exemplo, quando trocam de roupa nos vestiários dos clubes e academias e não porque o tamanho do pênis interfira na relação sexual.