Dr. Sergio Almeida de Oliveira é um dos maiores cirurgiões brasileiros de Cardiologia. Professor da Faculdade de Medicina da USP, trabalha no INCOR desde sua fundação e treinou um sem-número de especialistas espalhados não só pelo Brasil, mas por toda a América Latina.
Drauzio – Você poderia explicar esses equipamentos que aparecem na imagem 1?
Sergio Almeida de Oliveira – Essa é uma fotografia do coração na qual se pode ver a
artéria mamária. A coronária a ser colocada está entre os dois braços desse dispositivo que se chama polvo (octopus) e possui algumas pequenas ventosas ligadas a um sistema de vácuo que suga o coração e há uma haste em cujo interior existe uma parte de metal que tracionamos até imobilizar uma área do músculo cardíaco. O segmento em que o cirurgião está trabalhando fica absolutamente imóvel, mas o coração continua batendo normalmente. A visão é fantástica porque usamos lupas que amplificam o campo e um pequeno tubo colocado dentro da artéria mantém a circulação e torna o local exangue, quer dizer, bastante seco e fácil de trabalhar, o que torna mais simples o procedimento. Evidentemente, essa técnica não pode ser aplicada em todos os casos.
Drauzio – E os equipamentos que aparecem na imagem 2?
Sergio Almeida de Oliveira – Existem muitos dispositivos para ajudar a expor o coração. O que se vê na imagem 2 é um conezinho bastante flexível que colocado no ápice do coração e ligado a um sistema de vácuo permite ao cirurgião puxar o coração para fora - como se fosse uma ectopia cordis - a fim de alcançar as paredes e artérias posteriores para torná-las tão visíveis quanto as anteriores. Hoje, também estão sendo desenvolvidos artifícios de sutura automática para simplificar o procedimento cirúrgico.
Drauzio – E a imagem 3?
Sergio Almeida de Oliveira – Nessa imagem pode-se ver uma estrelazinha feita de nitnol, uma liga que se usa nos estentes e funciona como sutura automática.
Ela é colocada dentro do enxerto com um dispositivo para fazer um furinho na artéria, um gatilho que se abre é solto e fixa-a instantaneamente.
Atualmente, já existem dispositivos geniais que permitem fazer a sutura automática. Há um sistema constituído por uma pequena placa imantada. Basta colocá-la na borda da arteriotomia e na borda do enxerto que devem ser postas uma em cima da outra para fixá-lo e, em poucas horas, o organismo gera a cicatrização daquele tecido.
Esses recursos de sutura automática são muito importantes para a cirurgia com robóticas, totalmente endoscópica, que está sendo desenvolvida nos últimos anos. Embora em fase inicial, a julgar pela velocidade que caminha, em pouco tempo será possível fazer uma cirurgia totalmente endoscópica usando um robô.
Que vantagem isso oferece? No momento, para trabalhar através de
pequenos orifícios, precisamos de instrumentos muito longos, e é difícil manter a precisão, porque pequena movimentação no local em que se segura vai produzir um movimento grande na outra extremidade. O robô consegue fazer isso com precisão. Estamos falando de um robô conduzido, que não toma decisões. O cirurgião senta-se em frente de um console tridimensional (imagem 4) com imagem ampliada e câmara de iluminação e de ótica, controla os movimentos como se estivesse manobrando um joystick. Com pinças especiais colocadas nos braços do robô vai executando o procedimento estabelecido. É evidente que se trata de um procedimento caro que exige suporte eletrônico e uma equipe grande, mas para se tornar rotina talvez não leve muito tempo.