Dr. Orlando Parise Junior é médico-cirurgião do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo. É especialista em lesões de cabeça e pescoço.
Drauzio – Quais são as medidas preventivas para evitar o câncer de boca e garganta?
Orlando Parise – Primeira medida: desenvolver hábitos saudáveis. Quem fuma deve procurar ajuda para deixar de fumar. É ponto pacífico que o cigarro está ligado a uma série de problemas de saúde além do câncer.
Outro ponto importante: é preciso cuidar da saúde da boca. Gengivites crônicas ou problemas dentários de qualquer espécie requerem cuidados especiais. Reabilitar a boca do ponto de vista funcional para garantir mastigação adequada, acabar com os focos de infecção e fazer boa higiene oral são medidas muito importantes.
Terceiro ponto: periodicamente, o médico ou o dentista devem ser consultados para avaliação. Qualquer alteração de voz requer a análise de um otorrino, de um especialista em cabeça e pescoço, ou de um clínico geral e a indicação de uma laringoscopia.
Em termos de política pública, é fundamental que as faculdades de medicina e odontologia e o Ministério da Saúde desenvolvam rastreamentos populacionais dirigidos aos grupos de risco para examinar a boca dessas pessoas. Isso é muito barato de fazer. Bastam um espelhinho, um abaixador de língua e uma lanterna. No Brasil, já houve campanhas de rastreamento com resultados animadores. Uma delas, em Vitória (ES), conseguiu baixar significativamente a incidência de câncer de boca com o diagnóstico precoce. São campanhas simples e baratas com grande impacto na economia porque evitam os gastos com radioterapia e quimioterapia exigidos pelas lesões em estádio avançado.
Drauzio - Sem falar no sofrimento dos pacientes e dos familiares...