Dr. Orlando Parise Junior é médico-cirurgião do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo. É especialista em lesões de cabeça e pescoço.
Drauzio – Como alertar a população sobre as características das lesões que precisam da avaliação de um médico?
Orlando Parise – O problema é que as lesões malignas de boca não têm um formato típico. Por isso, devemos ficar atentos a qualquer alteração na mucosa da boca e acompanhar sua evolução. Se não voltar ao normal em poucos dias, uma ou duas semanas no máximo, devemos procurar um profissional para diagnóstico. Pode ser uma infecção, um problema venéreo, uma lesão pré-maligna ou um câncer já instalado.
Devem tomar cuidado maior os tabagistas, especialmente aqueles que tomam bebidas alcoólicas e fumam, e pessoas com problemas de voz e que apresentem dificuldade para engolir, especialmente se essas alterações forem ficando mais intensas.
Drauzio – Quando você diz tabagista, certamente, está se referindo aos que fumam cigarros, cachimbos e charutos.
Orlando Parise – Aparentemente, o charuto é um pouco menos agressivo do que o cigarro, mas o cachimbo é um fator de risco importante para o câncer de boca.
Drauzio – Há um tipo de lesão de lábio que é característica dos fumantes de cachimbo. É lógico que o ideal seria que ninguém fumasse, nem cachimbo, nem cigarro, nem charuto. Sob qualquer forma, o fumo é pernicioso, mas quem fuma cachimbo não deve apóia-lo sempre no mesmo local da boca para evitar agressões repetidas.
Drauzio – Há outros fatores de risco para o câncer de lábio?
Orlando Parise – É muito comum os cânceres de lábio estarem associados à exposição ao sol. Atualmente, todos sabem que o sol pode ser prejudicial. Há alguns anos, porém, essa informação não existia e muita gente está desenvolvendo câncer de lábio, geralmente no lábio inferior, porque tomou sol em excesso.