Drauzio – Quais soã as medidas preventivas que você aconselha para todas as pessoas que têm asma?
Carlos Carvalho – A primeira coisa é tomar cuidado com os agentes irritantes mais comuns. A pessoa tem de estar ciente de que ar frio e mudanças bruscas de temperatura podem ser fatores desencadeantes das crises. Por isso, dentro do possível, ela deve evitar a exposição a esses gatilhos.
O mesmo ocorre com a poeira doméstica. Se é asmática, a pessoa não deve varrer a casa, passar aspirador de pó nem permanecer no local em que esse tipo de serviço está sendo realizado. Objetos que acumulam facilmente poeira, como carpetes, cortinas e livros antigos, que juntam bolores em suas páginas e requerem cuidado quando manuseados, não são apropriados para as casas de pessoas com asma. Outra recomendação é que o pó dos móveis seja retirado com pano úmido, diminuindo, assim, a probabilidade de a poeira espalhar-se pelo ar. Do mesmo modo, se a doença estiver descontrolada, é melhor que o ambiente esteja livre de cortinas.
No entanto, existem medicamentos que permitem controlar satisfatoriamente as crises e, antes de derrubar a casa inteira, vale a pena verificar se a medicação já foi otimizada. Se foi e as crises persistiram, o conselho é eliminar todos esses aparatos do ambiente doméstico. Caso contrário, é bom primeiro tentar o tratamento, porque hoje as drogas são muito eficazes e pode não ser necessário destruir a casa.
Drauzio – Esses aparelhos que se propõem a retirar os ácaros do ambiente funcionam de fato?
Carlos Carvalho – Que eles retiram ácaros é verdade, mas, como o ácaro não é o único mecanismo desencadeante das crises, sua eficácia não é tão grande quanto se preconizou. Por isso, praticamente não indicamos o uso desse equipamento porque ele resolveria, no máximo, um dos fatores dentro dos inúmeros que podem desencadear as crises.
Drauzio – Por que o aspirador de pó não é uma boa indicação?
Carlos Carvalho – O aspirador é melhor do que a vassoura, com certeza, mas não impede que seja liberada um pouco de poeira no ambiente. A poeira mais grossa fica retida no saco apropriado para retê-la, mas a mais fina acaba escapando, pode ser inalada e alcançar os brônquios. Se a asma não estiver bem controlada, a pessoa se ressentirá com isso. Portanto, passar o aspirador não é atividade aconselhada para os asmáticos.
Drauzio – Para quem precisa fazer esse serviço não existe alguma máscara que possa ser usada para evitar o problema?
Carlos Carvalho – As máscaras que estão à disposição no mercado possuem um filtro muito grosso que não impede a absorção do pó. A pessoa precisaria usar uma daquelas máscaras enormes de guerra para obter o resultado desejado. Por outro lado, colocar essa máscara comum, pode ser até pior para o paciente. O ideal para quem tem asma e precisa fazer esses serviços é arejar a casa bastante e passar o aspirador em etapas, interrompendo a tarefa de vez em quando. Fundamental para controlar a ocorrência das crises, porém, é manter o tratamento farmacológico otimizado.
Drauzio – Expor as roupas ao sol era um costume antigo que ajudava bastante a combater a proliferação de fungos. Hoje, fazer isso é mais difícil porque muita gente mora em apartamentos.
Carlos Carvalho – Para evitar a proliferação de fungos, colocar as roupas ao sol é uma medida bastante útil, mas nem sempre viável. No entanto, existem travesseiros, edredons e cobertores fabricados com material antialérgico que não deixa acumular esses bolores. Por que estou citando a roupa de cama? Porque é na cama que as pessoas ficam muitas horas seguidas respirando agentes irritantes.
Drauzio – Que materiais são esses? Às vezes, ouço asmáticos dizendo que usam travesseiros de pena nem sempre os mais indicados para eles.
Carlos Carvalho – Materiais orgânicos como pena e paina podem até deixar o travesseiro mais gostoso e mais macio, mas não são indicados para quem tem asma porque permitem a proliferação de fungos. Durante a noite, enquanto dorme, o indivíduo irá inalar esses agentes como se estivesse deitado no chão respirando poeira. Já existem espumas sintéticas que podem substituir o conteúdo desses travesseiros que devem ser revestidos por um tecido também antialérgico. É importante, ainda, que na confecção da fronha seja utilizado um material que não libere partículas de poeira.
Drauzio – Qual o melhor tecido para confeccionar as roupas de cama para os asmáticos?
Carlos Carvalho – Os tecidos sintéticos são melhores porque liberam menos partículas potencialmente irritantes.
Drauzio – Isso também vale para as roupas de uso pessoal?
Carlos Carvalho – Vale também para as roupas de uso pessoal. As roupas feitas com tecido sintético são melhores do que as feitas com fibras orgânicas. Os asmáticos, por exemplo, não suportam bem os agasalhos de lã que podem ser substituídos a contento por outros de tecido sintético, pois mantêm o indivíduo igualmente aquecido.