DrauzioVarella.com.br

Drauzio Varella.com.br

[ minha área ] [ entre ]
adicione

plugin de busca

buscar
  • estação saúde
  • entrevistas
  • artigos
  • espaço médico
  • interativo
    • infográficos
    • aplicativos
    • testes
  • enciclopedia
  • espaço cultural
    • conversas
    • livros
    • filmes
    • blog
Carregando...

Titulo

Mensagem

ok
  • Entrevistas >
  • genitais masculinos

Anomalias dos genitais masculinos

Dr. William Nahas é médico urologista. Professor livre-docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e presidente do Departamento de Transplante Renal e Cirurgia Vascular da Associação Americana de Urologia, faz parte do corpo Clínico do Hospital das Clínicas da USP e do Hospital Sírio-Libanês (SP).

 
reduzir / aumentar

Gilberto Cardoso Pena – Divinópolis/MG – A criptorquidia pode deixar o homem estéril?

William Nahas – Quando a criptorquidia é unilateral, o outro testículo pode produzir espermatozóides. No entanto, existem teorias de que o testículo afetado pode prejudicar a função do outro. Por isso, o problema deve ser corrigido precocemente para evitar infertilidade no futuro.
É preciso insistir, porém, no fato de que a criptorquidia não leva à impotência, ou seja, não interfere na capacidade de ereção adequada para o ato sexual.

Lúcia Helena Cardoso – Arapiraca/AL –Quanto tempo a criança precisa permanecer no hospital depois da cirurgia para corrigir a fimose?

William Nahas – A cirurgia é feita com anestesia geral, mas a criança volta para casa no mesmo dia da operação.

Ana Maria de Sá – São Paulo/SP – Como a mãe deve higienizar o pênis da criança?

William Nahas – No momento do banho, a mãe ou a própria criança deve puxar a pele que cobre a glande, higienizar normalmente com água e sabão, sem esfregar, e cobri-la novamente. Depois, deve enxugar normalmente o pênis, sem excessos. A presença do esmegma, pequena secreção produzida pelas glândulas que fazem parte da glande, é absolutamente natural e não requer nenhum cuidado de limpeza extra.

  • Criptorquidia

    Drauzio – Quais são as anomalias mais freqüentes que podem apresentar os genitais masculinos?

    William Nahas – Nos últimos meses de vida intra-uterina, os testículos formados no interior do abdômen devem migrar para o escroto, seguindo uma rota que passa pelo canal inguinal. Quando essa migração fica comprometida por hérnias ou por anomalias na conformação do abdômen inferior e eles não alcançam a bolsa escrotal naturalmente, constitui-se uma afecção chamada de criptorquidia.

    Drauzio – O que caracteriza a criptorquidia?

    William Nahas – Cript é um radical grego que quer dizer escondido, e orquidia significa testículo. Criptorquidia, portanto, é um termo usado para designar uma anomalia na posição do testículo que pára no meio do caminho que deveria percorrer para chegar à bolsa escrotal. Essa alteração de percurso tem importância porque, para viabilizar a produção de espermatozóides, os testículos precisam estar um grau, um grau e meio abaixo da temperatura corpórea.
    Para manter o equilíbrio térmico, o escroto é formado por várias camadas de musculatura que o ajudam a relaxar no calor, permitindo que os testículos se afastem do corpo, ou a contrair-se no frio para trazê-los para perto do corpo. Além disso, o cordão espermático por onde caminham as artérias que vão nutrir os testículos e as veias que drenam o sangue, está envolto pelo músculo cremaster que também se distende no calor e retrai-se no frio. Esse mecanismo que permite a aproximação ou o afastamento dos testículos do corpo é crucial para manter a temperatura adequada para a produção de espermatozóides.

    Drauzio – Muitas vezes, no berçário, o pediatra nota que um dos testículos ou ambos ainda não migraram para a bolsa escrotal. Que significado isso tem?

    William Nahas – Assim que a criança nasce é o momento ideal para verificar se ela tem ou não criptorquidia. Como o músculo cremaster, que participa do movimento de subida e descida dos testículos, é menos ativo nessa fase, o neonatologista pode perceber se eles estão bem locados dentro do escroto ou ausentes.
    Às vezes, associada à criptorquidia, a criança apresenta também hidrocele, ou seja, o preenchimento do saquinho com um líquido que existe dentro do abdômen para permitir a movimentação das alças intestinais e escorre pelo caminho que o testículo deveria ter percorrido e ficou meio aberto.

    Drauzio – Que conduta adotam os urologistas diante do diagnóstico de que um dos testículos ou os dois não migraram para a bolsa escrotal e a criança apresenta hidrocele?

    William Nahas – Até o fim do primeiro ano de vida, os testículos podem migrar para o escroto e a hidrocele desaparece porque o canal de comunicação que permitiu a passagem do líquido abdominal se fecha. Por isso, a conduta inicial é observar como evolui o caso durante um ano, um ano e meio. No passado, aguardava-se até os cinco, seis anos para corrigir a anomalia, se ela persistisse. Atualmente, optou-se pela intervenção precoce para evitar prejuízo nas células que compõem o testículo e vão desenvolver a produção de espermatozóides e da testosterona, o hormônio masculino.

    Drauzio – Quais os riscos de esperar mais tempo para que os testículos desçam espontaneamente?

    William Nahas – O grande risco é expor os testículos à temperatura mais alta do interior do abdômen e provocar anomalias na produção de espermatozóides. A idéia é intervir precocemente para preservar a função germinativa, uma vez que a produção de testosterona não sofre tanto com a retenção intra-abdominal do testículo.

    Drauzio – É preciso lembrar também a associação entre aumento da incidência de câncer dos testículos e o fato de terem permanecido por anos dentro da cavidade abdominal, ou nunca de lá terem sido retirados.

    William Nahas – De fato, existe essa relação. A posição anômala do testículo associada às alterações de temperatura favorece o desenvolvimento de neoplasias, isto é, de tumores malignos. Por isso, quando o tratamento ocorre numa fase tardia, se houver dificuldade de levar o testículo até a bolsa escrotal onde é mais fácil ser examinado e acompanhado, o mais prudente é fazer a ablação para evitar riscos.

    Drauzio – O que é ablação dos testículos?

    William Nahas – Ablação dos testículos, ou orquiectomia, é a retirada dos testículos. Os leigos a chamam de castração, um termo muito pesado para defini-la.

    Drauzio – Quais as possibilidades de correção da criptorquidia com que podemos contar atualmente?

    William Nahas – O estímulo hormonal realizado com gonadotrofina coriônica (hCG) provoca o amadurecimento transitório e mais rápido do testículo, auxiliando a fase final de sua migração. Os resultados nem sempre são os desejados, e a mãe precisa ser avisada de que o pênis da criança pode crescer um pouco e sobre o possível aparecimento de penugem durante o uso da medicação, efeitos colaterais reversíveis depois que ela é suspensa.
    Na maior dos casos, porém, sobretudo quando o problema é unilateral, a cirurgia é a melhor opção de tratamento para a criptorquidia.

    Drauzio – Como se administra a gonadotrofina coriônica?

    William Nahas – São três ou quatro injeções de hormônio em quantidades fracionadas para tentar promover a migração dos testículos.

    Drauzio –Você poderia explicar qual a diferença existente entre a criptorquidia e o testículo retrátil?

    William Nahas – O testículo retrátil é levado à bolsa escrotal, com facilidade, mas volta e fica alojado na região mais proximal da raiz dessa bolsa. Essa capacidade migratória é provocada pela hipertrofia ou funcionamento mais exacerbado do músculo cremaster, que puxa os testículos. Diferente do que acontece com a criptorquidia, o testículo retrátil não requer nenhuma espécie de intervenção. Os estímulos hormonais que começam a manifestar-se por volta dos sete, oito, dez anos, farão com que os testículos se fixem espontaneamente na bolsa.

    Drauzio – Como é feita orquidopexia, ou seja, a cirurgia para corrigir a criptorquidia?

    William Nahas – Através de um corte feito na região inguinal, isolam-se as artérias e veias, com o objetivo de liberar o testículo das aderências que se formaram dentro do abdômen a fim de permitir que o cordão espermático o conduza para a bolsa escrotal.

  • Fimose

    Drauzio – Quais as características principais da fimose?

    William Nahas – Fimose é a incapacidade de retrair o prepúcio e expor a glande ou cabeça do pênis. Ou seja, o anel mais fechado do prepúcio impede que a pele que recobre o pênis se retraia e a glande apareça. Isso compromete as condições de higiene e pode dificultar a relação sexual.
    Atualmente, há algumas pomadas que ajudam a aumentar a elasticidade dessa pele, fazendo ceder um pouco o anel que inviabiliza a exteriorização da glande, mas a cirurgia é a indicação mais adequada para os indivíduos que não respondem satisfatoriamente a esse tipo de tratamento.
    Eventualmente, porém, a glande pode ficar recoberta porque há excesso de pele. Se ela retrair facilmente, permitindo que a cabeça do pênis seja exposta sem dificuldade, não constitui problema e nada precisa ser feito.

    Drauzio – Há algum tipo de exercício que a mãe possa fazer na criança para facilitar a exposição da glande?

    William Nahas – No passado, as mães eram orientadas para puxar o prepúcio devagarinho a fim de aumentar sua elasticidade. Hoje, se sabe que essa manobra é contra-indicada, porque podem provocar pequenas fissuras ou pequenas lesões - especialmente se o anel for muito fechado - cada vez que se traciona a pele para expor a glande e, como resposta, o organismo desenvolve reação inflamatória e fibrose que irão agravar o quadro. É preciso explicar que essa pele existe para proteger a glande que deve ser exteriorizada, sem forçar, para permitir a limpeza e a higiene do local.

    Drauzio – Certas religiões pregam que a circuncisão é indolor e deve ser feita nos meninos quando nascem. Para nós, médicos, é um pouco chocante pensar que é realizada sem anestesia nem cuidados especiais de assepsia.

    William Nahas – Esse ritual realizado há séculos é fruto de convicções religiosas que devem ser respeitadas. Os médicos se chocam porque acreditam que todo procedimento deva ser realizado observando os princípios de menor agressão e risco possíveis.
    De qualquer modo, logo depois do nascimento não seria o momento ideal para retirar essa pele que funciona como barreira natural para proteger o meato uretral, ou seja, o buraquinho por onde sai a urina, de agressões externas.

  • Hidrocele e torção do testículo

    Drauzio – Além da criptorquidia e da fimose, que outros problemas podem acometer os genitais masculinos?

    William Nahas – Um deles é a hidrocele. A bolsa escrotal contém um pouco de líquido que ajuda a lubrificar os testículos e facilita sua movimentação. Produção excessiva ou reabsorção insuficiente desse líquido fazem com que ele se acumule dentro da túnica vaginal (membrana que recobre o testículo) provocando crescimento da bolsa escrotal, em geral, lento, indolor e não associado a nenhum processo inflamatório. O tratamento da hidrocele é cirúrgico.
    Outro problema é uma afecção testicular aguda chamada torção do testículo. É importante lembrar que os testículos originam-se na cavidade abdominal alta, ao lado dos rins e, nos meses finais da vida intra-uterina migram para a bolsa escrotal, onde devem fixar-se. Com eles, vão os vasos encarregados de nutri-los, também oriundos da região próxima dos rins. Também é bom lembrar que os testiculos são envolvidos pelo músculo cremaster cuja função é suspendê-los ou baixá-los de acordo com as condições de temperatura. Às vezes, por anomalia na fixação do testículo na bolsa escrotal, esse movimento de levantar e descer pode promover a torção do testículo em torno de seu próprio eixo, que é constituído por veias, artérias, cordão espermático, etc.

    Drauzio – O que a pessoa sente quando isso acontece?

    William Nahas – O primeiro sintoma é uma dor semelhante à dor do infarto, porque a torção provoca constrição da artéria que deveria nutrir o testículo afetado e a circulação sangüínea é interrompida. Essa dor é aguda e súbita, de forte intensidade, e associada a um processo inflamatório. Muitas vezes, as mães relatam que o filho acordou no meio da noite gritando de dor. Isso acontece em virtude das contrações musculares que ocorrem durante o sono. Numa delas, o cremaster puxa o testículo mal fixado, que roda, e a irrigação é suspensa. Assim como no infarto do miocárdio, que o sangue deixa de chegar pela artéria obstruída para nutrir o músculo cardíaco, a interrupção do fluxo de sangue provoca infarto do tecido testicular.
    A torção do testículo é diferente das orquites (inflamação dos testículos por processo infeccioso), que começa devagarinho e a dor demora horas para chegar a seu limite máximo.

    Drauzio – O que a mãe deve fazer quando o filho apresenta uma crise súbita de dor provocada pela torção do testículo?

    William Nahas – Deve procurar imediatamente assistência médica, porque o tratamento precisa ser introduzido no máximo entre 4 e 6 horas depois do início da crise. Quase todos os prontos-socorros contam com aparelho de ultra-som com doppler que permite avaliar o fluxo sanguíneo e o pulso da artéria responsável pela irrigação do testículo. Esse exame é importante para o diagnóstico diferencial entre torção do testículo e orquite. No primeiro caso, a circulação sangüínea está interrompida, o processo de isquemia instalado e a indicação é cirúrgica. Já nas orquites, o fluxo de sangue está aumentado como resposta ao episódio inflamatório e/ou infeccioso e exige o uso de antiinflamatórios.

  • Perguntas enviadas por e-mail

    Gilberto Cardoso Pena – Divinópolis/MG – A criptorquidia pode deixar o homem estéril?

    William Nahas – Quando a criptorquidia é unilateral, o outro testículo pode produzir espermatozóides. No entanto, existem teorias de que o testículo afetado pode prejudicar a função do outro. Por isso, o problema deve ser corrigido precocemente para evitar infertilidade no futuro.
    É preciso insistir, porém, no fato de que a criptorquidia não leva à impotência, ou seja, não interfere na capacidade de ereção adequada para o ato sexual.

    Lúcia Helena Cardoso – Arapiraca/AL –Quanto tempo a criança precisa permanecer no hospital depois da cirurgia para corrigir a fimose?

    William Nahas – A cirurgia é feita com anestesia geral, mas a criança volta para casa no mesmo dia da operação.

    Ana Maria de Sá – São Paulo/SP – Como a mãe deve higienizar o pênis da criança?

    William Nahas – No momento do banho, a mãe ou a própria criança deve puxar a pele que cobre a glande, higienizar normalmente com água e sabão, sem esfregar, e cobri-la novamente. Depois, deve enxugar normalmente o pênis, sem excessos. A presença do esmegma, pequena secreção produzida pelas glândulas que fazem parte da glande, é absolutamente natural e não requer nenhum cuidado de limpeza extra.

  • [ ver tudo ]
    • incorporar
      fechar
    • fechar
    • imprimir
    • compartilhar
      fechar facebook del.icio.us twitter myspace yahoo! bookmarks google bookmarks windows live digg
    • indicar erro
      fechar
      enviar
    • enviar para um amigo
      fechar
      enviar
  • Pesquisar sobre Anomalias dos genitais masculinos

    Veja mais resultados de Anomalias dos genitais masculinos

    • entrevistas

      Anomalias dos genitais masculinos

      Os genitais masculinos têm a mesma origem embrionária dos genitais femininos e são formados dentro da cavidade abdominal (imagem 1). A diferença é que os ovários permanecem ali durante ...
    • artigos

      Tempestades, calor e epidemias

       Fico desnorteado quando escuto falar de aquecimento global. Ouço as justificativas dos que o consideram uma ameaça à vida na Terra, e fico com a impressão de que estão certos. Dep...
    • artigos

      Os genes e a alma humana

      A maioria de nós acredita na existência de uma alma imortal, característica inequívoca da condição humana. Pondo a imortalidade de lado, pois se trata de questão de fé, seria cabível di...
    • artigos

      As mulheres de Neandertal

      Depois de passar cinco ou seis milhões de anos na África, nossos ancestrais migraram para a Ásia e para a Europa. Em 1856, mineiros do vale de Neander (Neander Tal, em alemão) desenterr...
    • artigos

      O sexo frágil

      Fico admirado com a onipotência masculina. Quando pequenos nos ensinaram que homem não chora, que Deus nos criou corajosos com a finalidade de protegermos as mulheres, coitadas, seres f...
    • entrevistas

      Infertilidade masculina

      Drauzio – Algum tipo de medicamento pode diminuir o número de espermatozóides? Sidney Glina – Os anabolizantes têm esse efeito. Sua ação é parecida com a da testosterona em doses altas,...
    • entrevistas

      Células-tronco II

      Drauzio – Entre as linhas de pesquisa que estão sendo conduzidas nessa área, quais você considera mais promissoras? Mayana Zatz – Particularmente, tenho interesse nas pesquisas que se v...
    • entrevistas

      Esclerose lateral amiotrófica (ELA)

      Drauzio – Como evolui a esclerose lateral amiotrófica? Acary Oliveira – ELA é uma doença degenerativa irreversível que afeta progressivamente os neurônios envolvidos na motricidade. As ...
    • verbetes

      Doença de Kawasaki

      Vasculites são doenças que se caracterizam por inflamações das paredes dos vasos sanguíneos causadas por proteínas produzidas pelo próprio sistema imunológico (autoanticorpos). Quando e...
    • verbetes

      Botulismo

      Botulismo é uma doença grave, de notificação compulsória, causada por neurotoxinas pré-formadas do Clostridium botulinum , um bacilo anaeróbico que produz esporos resistentes e é encont...
  • velhice
  • Gripe
  • Aids
  • Dor
  • Asma
  • Saúde
  • Hipertensão
  • sexo
  • Vídeos
  • Carandiru
  • Gravidez
  • H1N1
  • infográficos
  • IMC
  • obesidade
  • Cancer
  • Conjuntivite
  • Vacina
  • Dengue
  • TERMOS MAIS PROCURADOS:
  • Anemia
  • Asma
  • Câncer
  • Conjuntivite
  • Gravidez
  • Gripe
  • H1N1
  • IMC
  • Malária
  • Pneumonia
  • Sinusite
  • sobre
  • sugestões
  • anuncie
  • biografia
  • serviços
  • créditos
  • prêmios
  • política de privacidade
  • termo de uso
enviar

Por determinação do Conselho Regional de Medicina estamos impossibilitados de emitir opiniões ou pareceres médicos pela Internet.
Utilize este espaço para sugestões, críticas e opiniões sobre nosso trabalho.

Atenciosamente,

EQUIPE SITE DRAUZIO VARELLA

fechar

  • apoio:
  • Siga o Dr. Drauzio Varella no Twitter
  • Prêmio IBest