Dr. Orestes Forlenza é médico psiquiatra e trabalha no Laboratório de Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Drauzio – Quais são as primeiras coisas que a pessoa esquece?
Orestes Forlenza – Surge um comprometimento da memória recente. As informações que ocorreram há pouco tempo não são registradas adequadamente. Ele esquece o que acabou de falar, se alguém fez um telefonema ou o nome das pessoas. Na progressão do processo, perde o gerenciamento de outras funções mentais que dependem da memória. Por exemplo, o indivíduo se desorienta. Não sabe que dia é hoje ou em que mês estamos. Vai a um lugar estranho e se perde porque não se lembra do caminho de volta.
Com a evolução da doença, outras funções vão desaparecendo, como a capacidade de desempenhar tarefas mais complexas de trabalho, de dirigir automóvel ou executar serviços domésticos.
Drauzio – A perda vai evoluindo das funções complexas para as mais simples?
Orestes Forlenza – Exatamente. Na doença de Alzheimer, o cérebro poderia ser comparado a um computador com vários programas instalados e que fosse se desprogramando e se tornando incapaz de conectá-los novamente.
No início, o indivíduo não consegue mais trabalhar, por exemplo. Ele se atrapalha com os dados e esquece as informações básicas necessárias para desempenhar suas atividades. Posteriormente, surgem dificuldades para tarefas como cuidar da própria casa e da conta bancária. Uma dona de casa começa a ter problemas para cozinhar e para gerenciar a administração da casa.
Na fase mais avançada, falta-lhe capacidade para planejar e executar coisas mais simples como escolher a própria roupa, vestir-se, cuidar da higiene pessoal, programar um banho e, na fase terminal, não consegue alimentar-se sozinho e desaparece o controle esfincteriano das fezes e da urina.