Dr. Salim Augusto Amed Ali, médico especializado em dermatologia ocupacional, é membro do Fundacentro/SP e da Associação Nacional de Medicina do Trabalho.
Drauzio – Quais são as características da lesão que aparece na imagem 1?
Salim Augusto Amed Ali – Inicialmente, essa senhora desenvolveu uma irritação e depois uma alergia de contato. Para confirmar tal diagnóstico e determinar sua causa, existem os testes de contato, realizados com os produtos a que a pessoa se expôs mais e com uma bateria-padrão elaborada pelo Grupo de Estudo de Dermatite de Contato, ligado à Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Drauzio – Como são realizados esses testes?
Salim Augusto Amed Ali - Os testes consistem na aplicação de trinta substâncias em pequenas lâminas de alumínio que são fixadas nas costas da pessoa e onde permanecem por 48 horas. Depois, essas lâminas são retiradas e aguardamos mais 48 horas para fazer a primeira leitura, porque existem alergias do tipo tardio que demoram a manifestar-se. Se houver uma reação localizada como a que aparece na imagem 2, sabe-se qual foi a substância que causou a alergia porque todas as lâminas são numeradas.
Drauzio - Você poderia explicar por que se forma essa lesão avermelhada e mais saliente? Se examinarmos um fragmento no microscópio, o que encontraremos? 
Salim Augusto Amed Ali – Vamos encontrar uma reação inflamatória. Digamos que células especializadas alcançam a pele para “comer”, isto é, para combater aquela substância estranha ao organismo (alérgeno). Esse processo é chamado de fagocitose.
Essa reação é muito precisa, muito específica, porque a concentração das substâncias utilizadas na bateria-padrão eu sei que não causam irritação na pele. Entretanto, quando a pessoa traz uma substância que suspeita estar provocando o problema, pode acontecer que a concentração do agente irritante seja maior e provoque vermelhidão. Por isso, é fundamental diferenciar a verdadeira alergia da irritação utilizando o teste padronizado.